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Precisamos falar sobre narcisismo…

De acordo com o senso comum: pessoas que se alto vangloriam, apaixonadas pela própria imagem, os reis e rainhas do espelho, os expert’s das selfies.

De acordo com o DSM- V ( Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais) o narcisismo apresenta como características essenciais,  padrão invasivo de grandiosidade, necessidade de admiração e falta de empatia, que começa no início da idade adulta e está presente em uma variedade de contextos.
Os indivíduos com este transtorno têm um sentimento grandioso de sua própria importância. Eles, rotineiramente, superestimam suas capacidades e exageram suas realizações, frequentemente, parecendo presunçosos ou arrogantes. Eles podem presumir que os outros atribuem o mesmo valor a seus esforços e surpreender-se quando não recebem o louvor que esperam e julgam merecer. Um menosprezo (desvalorização) da contribuição dos outros frequentemente está implícito na apreciação exagerada de suas próprias realizações.


De acordo com as vítimas de narcisistas:

É difícil explicar. Por mais que eu tentasse falar, ninguém acreditava. Ninguém acredita em mim, as pessoas preferem acreditar naquela pessoa que se fazia de vítima, perfeita, fazia-se de dono da verdade. Então, fui me silenciando, silenciando, até perder a voz.

Tem alguma coisa de errado, algo que não bate. Não sei se estou ficando louca (o). Tudo, simplesmente tudo que parece ser o correto, o que teria alguma lógica, que parece verdade ou que deveria ser ético, foi distorcido. Será que eu estou realmente ficando louca (o)?

Ele (a) era tão doce, tão especial. De repente eu havia encontrado tudo que precisava. Conforto, proteção, zona de conforto. Tudo ia bem, as coisas pareciam estar onde deveriam estar.


Até que eu discordasse, qualquer sinal de vida, qualquer sinal de vontade própria, qualquer sinal de contrariedade. Ele aparecia… o monstro estava ali, com os olhos arregalados bem na minha frente. Eu havia discordado e seria duramente punida (o). Por algum motivo neguei SERVIR ao meu narcisista. O preço seria alto demais a pagar.

Era minha mãe, ela me humilhava, ela queria me ver no fundo do poço. Não importa o que eu fizesse, seria sempre a gorda, solitária, promíscua, seria sempre o problema. Mas quem iria acreditar em mim? Uma mãe só quer o bem do filho. Uma mãe ama incondicionalmente. Mas, ela não era assim. Aquilo não era amor. Era concorrência. Uma concorrência covarde. Ela tinha a chave secreta. Ela tinha o troféu. Eu sou A Mãe. E você é o problema.


Então, por mais que eu tentasse gritar “essa mulher é louca!”, o mundo voltava-se contra mim. Você é a (o) filha problemática. Que vergonha! Deveria ser internada como louca ou como algum dependente químico. Cale a boca! Uma filha que maldiz a mãe não deve ser ouvida, não deve ser vista. Deve ser marginalizada. Então, foram todas silenciadas! As filhas de mães narcisistas não podem existir!

Era o meu pai. Eu precisava Dele. Precisava ser como ele. Eu realmente gostaria de poder ser como ele. Mas, ele exigia mais do que eu poderia cumprir. Ele dizia que eu deveria obedecer mais do que eu conseguia. Ele era o dono da verdade, era o dono da casa. Às vezes, parecia o dono do mundo! E eu queria, queria amar e admirar aquele homem. Eu gostaria de ser um dia o pai que eu tive. Só que não. Eu não poderia ser tão perverso (a), egoísta, não poderia ser tão severo(a) como ele. Então, fui ser o homem que ele não era. Eu não era o dono da verdade, da razão e da moralidade. Ele era narcisista. Eu, não.

Precisamos falar sobre o narcisismo. Precisamos falar sobre a patologia que se esconde atrás de uma máscara. Precisamos falar sobre a loucura que enlouquece suas vítimas.

Enlouquece, aprisiona, silencia.

O mal escondido através do bem. Precisamos falar sobre o falso moralismo escondido sob a máscara do altruísmo.

Precisamos falar sobre o ódio travestido de amor. Precisamos falar sobre o egoísmo. Precisamos aprender a reconhecer o narcisismo.

Eu mando, você obedece. Não existe suas ideias, não existe suas vontades, não existe o que você pensa. Esqueça. Esqueça tudo que você conhece sobre livre-arbítrio, esqueça tudo sobre o que você entende sobre o amor…

Vem comigo, eu sou forte e lhe mostro o caminho, tudo que eu disser, obedeça. Sem discussão, sem conflitos.

Eu mando, você obedece, simples assim. Desse jeito, você estará seguro. Assim, não haverá discussão e viveremos em paz… em paz até que…

É tudo sobre mim. Eu mando, eu desejo, eu sei o que é melhor para você. E você obedece, assim, as coisas ficam onde devem estar. Eu sou Deus e você é o meu subordinado.

Precisamos expor a mentira, que se veste de verdade, covardemente. Precisamos expor o falso moralismo que covardemente se veste de ética.

Precisamos dar voz às vítimas de narcisistas. Precisamos bater à porta da verdade, do amor e da Luz que deseja não se apagar.

Precisamos quebrar o ciclo e a mentira narcisista!

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Direitos autorais da imagem de capa: dariya2 / 123RF Imagens





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