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Preso pela morte de Moïse diz que bateu para “extravasar raiva”

Preso pela morte de Moise diz que bateu para ‘extravasar raiva

Em depoimento à Polícia Civil do Rio de Janeiro, um dos envolvidos no espancamento que terminou com a morte do congolês Moïse Mugenyi Kabagambe, de 24 anos, diz que as agressões foram para “extravasar a raiva” e que não tinha a intenção de matar o rapaz.

Aleson Cristiano de Oliveira Fonseca, de 27 anos, trabalha como cozinheiro e garçom no quiosque Biruta, que fica ao lado do Tropicália, onde Moïse foi brutalmente assassinado no dia 24 de janeiro, na Barra da Tijuca, na zona oeste da capital fluminense.

Imagens gravadas por câmeras de segurança do quiosque Tropicália mostram Aleson golpeando o imigrante congolês com um bastão.

Segundo Aleson, o congolês estava “perturbando há alguns dias”. Ele também disse à polícia que Moïse recentemente saiu do Tropicália e foi trabalhar no Biruta.

Os outros dois os presos pelo crime –Fábio Pirineus da Silva, o Belo, e Brendon Alexander Luz da Silva– também negaram que a intenção deles fosse matar o jovem congolês.

Nas imagens, Brendon aparece dando uma uma “chave de perna” em Moïse e pouco depois amarrando o jovem congolês.

O trio teve a prisão temporária decretada nesta quarta-feira, 2, pela Justiça do Rio. Eles devem responder por homicídio duplamente qualificado, impossibilidade de defesa e meio cruel.

A morte bárbara de Moïse

Moïse Mugenyi Kabagambe foi espancado até a morte por vários homens depois de cobrar R$ 200 por duas diárias de trabalho não pagas no quiosque Tropicália.

As agressões duraram pelo menos 15 minutos e foram gravadas pelas câmeras de segurança do quiosque, que fica próximo ao Posto 8. Os agressores usaram pedaços de madeira e um taco de beisebol.

As imagens mostram que Moïse em nenhum momento tentou agredir os homens que o atacaram. O rapaz teve os pés e as mãos amarrados com um fio depois de sofrer uma sequência de agressões.

moise kabamgabe 1

Direitos autorais: Reprodução/Twitter.

O congolês foi encontrado por policiais militares já sem vida em uma escada do quiosque Tropicália.

Laudo do Instituto Médico Legal (IML) que Moïse morreu de traumatismo do tórax, com contusão pulmonar, causada por ação contundente.

A Prefeitura do Rio de Janeiro suspendeu alvará de funcionamento do quiosque Tropicália até o fim das investigações.

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