Comportamento

Presos passam horas costurando colchas para crianças de abrigos que esperam ser adotadas

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O projeto começou há cerca de 10 anos e é uma forma que os internos têm de ajudar a comunidade ao seu redor enquanto cumprem suas penas.



Dentro dos presídios, uma forma que encontraram de ajudá-los na sua ressocialização é fazendo com que encontrem um ofício ou algo que gostem de fazer nas horas que têm disponíveis. Muitos pensam que a mão de obra de detentos deveria ser explorada, enquanto outros defendem que precisa existir um controle e um cuidado para não ferir direitos humanos básicos.

Longe de discutir o que é certo ou errado no sistema prisional, no Brasil, de acordo com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a Lei nº 7.280/84 de Execução Penal (LEP), prevê que os detentos têm direito à redução de suas penas através do trabalho, do estudo ou da leitura. Também chamada de remição, a ressocialização do preso é uma grande preocupação, por isso o CNJ incentiva iniciativas que ajudem a reduzir a reincidência criminal.

Em Missouri, nos Estados Unidos, o sistema prisional vem buscando alternativas para fazer com que os detentos ajudem a comunidade e não voltem mais a cometer crimes depois que cumprir suas penas. A remição de pena é uma estratégia empregada em diversos países e, além de ajudar a reduzir o risco de reincidência, reduz o tempo de prisão.


No “Missouri Department of Corrections”, há cerca de 10 anos, foi criado o “círculo de acolchoamento da prisão”, onde os detentos costuram colchas com retalhos para doar para crianças que vivem em abrigos e esperam ansiosamente por um lar.

De acordo com reportagem do The Philadelphia Inquirer, os detentos descobriram que o ofício, além de complexo, ajuda a manter a calma e a tranquilidade do ambiente.

A maioria dos presos cumprem longas sentenças por crimes hediondos ou prisão perpétua, sabendo que não existe remição de pena para casos extremos e, mesmo assim, afirmam que gostam de costurar as colchas porque sentem que têm um propósito. Além de ajudar crianças carentes que vivem em abrigos, também fazem peças que podem ser leiloadas por instituições para angariar fundos.

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Direitos autorais: reprodução Facebook/Violette Ruffley.


 

Joe Satterfield, gerente prisional, é quem supervisiona o programa, ele explica que muitos detentos preferem passar horas ali trabalhando na possibilidade de fazer uma criança feliz a ficar em suas celas. Os prisioneiros não recebem tantas informações sobre as crianças, mas sabem o nome e a data de aniversário de cada uma, deixando a imaginação completar o resto, já que são eles quem escolhem as estampas.

A maioria dos homens que participam do programa são pais, e Stterfield revela que muitos também sabem muito bem como é incerto crescer num orfanato, por isso dedicam horas do dia ao projeto. Sabendo que, provavelmente, aquela criança não receberá um presente de aniversário, eles se sentem felizes e encontram um propósito quando costuram as colchas.

O gerente também explica que quanto mais tempo eles passam na função, mais orgulho e senso de comunidade demonstram, querendo fazer o bem a cada peça, querendo vê-la do início ao fim. Mesmo que saibam a verdadeira razão de estar naquele ambiente, eles afirmam que se sentem melhor quando empenham sua mão de obra em algo que pode fazer uma criança sem família feliz.


Se para os presidiários que cumprem prisão perpétua o trabalho ajuda a ressignificar a noção de tempo e de horas, para os que precisam passar longos anos na cadeia, o sentido está em aprender um ofício e se ressocializar. De uma forma ou de outra, grande parte dos detentos voltam para a sociedade e precisam resistir à reincidência criminal. Muitos acreditam que o trabalho pode ser uma das melhores saídas, principalmente quando adquirem a noção de comunidade e cidadania.

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