Comportamento

“Preta feia.” Garçonete sofre racismo em bar após cliente discordar do valor da conta

O caso aconteceu no interior de Goiás, em Anápolis, e a funcionária disse que foi chamada de “inútil” pela cliente, e que chamou o pai para ameaçá-la com uma arma de fogo.



A Constituição Federal de 1988 foi a primeira no Brasil a obrigar o legislador a prever o crime de racismo. Na prática, é a Lei nº 7.716/1989 que concretiza a determinação constitucional de punir qualquer “conduta discriminatória dirigida a determinado grupo ou coletividade”, sendo inafiançável e imprescritível.

O crime de injúria racial, previsto no artigo 140 do Código Penal, é quando o agressor ofende a honra de determinada pessoa “valendo-se de elementos referentes à raça, cor, etnia ou origem”, cabe fiança e prescreve em oito anos.

Mesmo sendo judicializado, os processos de racismo e injúria racial raramente são finalizados, mesmo que o Poder Legislativo tenha obrigação de criar mecanismos que “concretizem a criminalização desse tipo de conduta, com leis”.


Em Anápolis, interior de Goiás, a garçonete Kássia Morgana Rodrigues, de 26 anos, denunciou que sofreu racismo de uma cliente em um momento de desentendimento. Segundo reportagem do G1, Kássia conta que ela reclamou do valor da conta e que a chamou de “inútil” e “preta feia”.

Além disso, a cliente ainda teria dito que ela deveria desamarrar o coque que usava, alegando que ela era negra e que tinha que “desamarrar o cabelo velho e feio”. Ainda em tom de ameaça, a mulher disse que ela não deveria estar ali e que, no dia seguinte, iria mandar o patrão demiti-la.

Direitos autorais: reprodução Instagram/@kassiamorgana.

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O caso aconteceu em um bar onde Kássia trabalha havia dois anos, e a jovem contou que nunca havia passado por nada similar até aquele dia. O motivo da insatisfação da cliente foi o valor da conta, por isso ela atacou a funcionária, proferindo insultos racistas. Na ocasião, os outros funcionários do local orientaram a mulher a deixar o ambiente mas, segundo testemunhas, ela disse que voltaria com o pai, um policial.

Dois dias depois do ocorrido, o pai foi ao bar e cobrou satisfações, Kássia contou que ele ainda levantou a camisa, mostrando que tinha uma arma, ameaçando-a. A garçonete disse que não conhece o homem e que isso fez com que pretendesse uma medida protetiva, e registrou o caso na Polícia Civil.

Quando questionada, a equipe da direção do bar disse que Kássia possui todo apoio deles para levar o caso adiante e que os demais funcionários estavam empenhados em ajudá-la na sua recuperação emocional. Os oficiais afirmaram que o crime se enquadra em injúria racial e ameaças, quando o agressor busca ofender a vítima usando características de raça e cor como se fossem negativas.


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