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Primeiro mito sobre a aprendizagem: a inteligência é estática?

A resposta é que o cérebro está em constante mudança, portanto a inteligência pode ser modificada.

Um estudo, publicado no final de 2015, com o título: Nanoconnectomic upper bound on the variability of synaptic palsticity, desenvolvido por pesquisadores do Salk Institute, MIT, Universidade do Texas e da California, revelou que a capacidade de armazenamento de informações no cérebro humano pode chegar a um quatrilhão de bytes. Você sabe quanto é isso?


Essa estimativa da capacidade de armazenamento do cérebro humano equivale a um petabyte (1015 bytes). Para termos uma ideia comparativa desse número podemos considerar o dado de que cinquenta petabytes é tudo o que a humanidade escreveu até hoje, em todas as línguas. Ou seja, os cérebros de cinquenta pessoas têm a capacidade para armazenar todo conhecimento escrito pela humanidade.

Então, dá para acreditar naquela velha história de que estudar demais sobrecarrega o cérebro? No final do artigo eu te darei uma pista de como pode ter surgido essa crença.

Novos estudos descobriram ainda que toda a informação armazenada no cérebro pode ser reconfigurada e esse fato mudou drasticamente o modo como víamos a aquisição de informações. A nossa inteligência, ou seja, nossa possibilidade para desenvolver novas habilidades, é dotada da capacidade de ser moldada e remodelada. Essa descoberta foi completamente nova, pois  acreditava-se que a retenção na memória ocorria de forma estática. Hoje, sabemos que o aprendizado de um mesmo assunto pode ser enriquecido ou mesmo modificado com o acréscimo de novas informações e experiências, o que indica que a inteligência é plástica e variável.

O cérebro é capaz de desenvolver cada vez mais habilidades e conhecimento e tornar-se cada vez mais inteligente, como já é aceito e comprovado. Porém, a aprendizagem é um processo lento e a dose diária de aquisição da informação é muito pequena quando comparada com toda capacidade de armazenamento do cérebro.


Mas por que então surgiu a história de que estudar demais sobrecarrega o cérebro?

Porque a aprendizagem definitiva somente é consolidada com a formação de novas conexões sinápticas, ou seja, mudanças físicas que ocorrem durante o sono profundo.

Então, se quisermos chegar a nossa capacidade máxima de armazenamento cerebral a dica de gênio é: estude pouco, mas todos os dias. O motivo pelo qual pode ter surgido a velha história, de que estudar muito é prejudicial, advém dos maus resultados ao estudarmos muito em um mesmo dia. Essa prática, equivocada do ponto de vista do funcionamento cerebral, não traz um acréscimo de informação porque o cérebro consolidará na memória somente aquela porção viável para uma noite de processamento.

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Direitos autorais da imagem de capa: jolopes / 123RF Imagens





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