Bem-Estar e Saúde

Novo procedimento: no Brasil, câncer é destruído em apenas um minuto e com anestesia local

Foto: depositphotos.com
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O senhor tinha 68 anos e foi submetido a um procedimento minimamente invasivo, os médicos levaram um minuto cronometrado para retirar o tumor.

O desejo de curar as pessoas não é recente, e desde que se entende a medicina enquanto profissão, já existiam especializações e diferentes áreas de atuação. Antes de existir a consciência de que algumas doenças possuem cura, os indivíduos pensavam que qualquer moléstia era causada por demônios, e foi justamente esse pensamento que abriu caminho para que outros se empenhassem em buscar compreender o que tinha de errado.

Os feiticeiros eram os que conseguiam lidar minimamente com as doenças antes das primeiras civilizações, e por incrível que pareça não criavam apenas rezas e amuletos para afastar as moléstias, mas também tentavam compreender as propriedades das plantas e os venenos dos animais. Durante as primeiras civilizações, as descobertas acabavam sendo o primeiro esboço do que se tornaria a medicina futuramente.

Mesmo muito antes da era clássica, os médicos já se dividiam em áreas de atuação, e isso faziam com que se aperfeiçoassem cada vez mais. A evolução neste campo de estudo acaba nos mostrando diariamente que sempre existe uma maneira de tornar ainda melhor e eficaz os tratamentos e cirurgias. Em março deste ano, um senhor de 68 anos passou por um procedimento pouco invasivo de retirada de um tumor no pulmão.

Apenas isso já seria interessante, mas o que se segue torna ainda mais: o procedimento foi feito em 60 segundos, usando apenas anestesia local. Isso aconteceu porque o paciente também era cardíaco, e seu organismo não suportaria uma cirurgia de grande porte, o que acabou abrindo caminho para outras possibilidades. A idade avançada ou outros problemas de saúde podem não ser mais um problema.

O paciente que passou pela cirurgia já tinha passado por um tumor no intestino, e os exames mostraram que ele não voltou. Além disso, ele também já sofreu um infarto, e acabou sobrevivendo, mostrando que tem muita resistência e é muito bem assistido. Porém, um outro exame mostrou um tumor do tamanho de uma ervilha no pulmão do senhor, com 0,8 centímetro de diâmetro.

O tamanho era, de fato, pequeno, mas o principal problema que os médicos enfrentavam, de acordo com reportagem do UOL, era o fato de que, após o infarto, o coração do paciente nunca mais esteve forte o bastante a ponto de passar por uma cirurgia. A equipe médica alertou que ele não poderia receber uma anestesia geral, e isso fez com que a ideia da operação fosse imediatamente descartada, mesmo que um simples bisturi resolvesse a situação.

O procedimento precisou ser repensado, se não era possível ser feito pelas tradicionais vias, os médicos precisavam se desafiar a resolver o problema de outra forma. Eles decidiram utilizar uma técnica chamada ablação, utilizando radiofrequência para matar as células cancerosas de calor. O problema é que, no método tradicional, é preciso cerca de 12 minutos para que o calor seja efetivo, e nenhum paciente em sã consciência aguentaria levar choque por esse tempo apenas com anestesia local.

Há alguns anos, os médicos começaram a experimentar outras formas de aquecer as células malignas, utilizando micro-ondas ao invés de radiofrequência. Dessa maneira, as moléculas de água dentro das células cancerosas são atingidas, agitando-as a ponto de matá-las de calor. Mesmo assim, esse era um procedimento feito apenas com anestesia geral, mas abria margem para testes.

Como o procedimento era rápido, o radiologista do Vila Nova Star propôs ao paciente que fizessem com anestesia local. Ele aceitou, e no dia 19 de março finalmente realizaram esse método inédito no Brasil. O médico aplicou anestesia local na pele do paciente, perfurou o local com uma longa agulha, semelhante às de biópsia, com uma antena de micro-ondas na ponta.

O médico aplicou anestesia na pleura, um tecido fino que reveste o pulmão, e eles deram início ao procedimento. O paciente foi avisado que caso sentisse queimar ou arder, precisava avisar a equipe e eles parariam imediatamente. Um único minuto era mais do que suficiente para dar conta do pequeno tumor, mas, por precaução, ele ficou cerca de um minuto e dez segundo queimando o local, para garantir que o tumor não voltasse no futuro.

O paciente deixou o hospital na manhã seguinte, e os médicos informaram que ele só ficou hospitalizado durante esse período por conta da questão cardíaca que possui, caso contrário poderia ter ido logo após o procedimento. O método é considerado uma tendência, e os especialistas indicam que o tumor apenas não pode exceder 3 centímetros do fígado ou rins, e 2 centímetros no pulmão.

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