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Procure alguém que te faça transbordar…

Duas amigas conversavam sobre as vicissitudes da solteirice e deflagravam contra as idiossincrasias do amor e, de modo semântico aos verbetes escolhidos, o trinômio solteiro-relacionamento-amor é bastante complexo, quase inexplicável, assim como as palavras vicissitude e idiossincrasia. Pronunciamos cui-da-do-sa-men-te as sílabas e torcemos para que não nos peçam para traduzir, por medo de cairmos na real de que, talvez, sejam temas desconhecidos por nós mesmos.



Mas daquela conversa uma fala me chamou atenção. Não, eu não estava participando do diálogo, nem conhecia as personagens. Eu era o cara na fila que estava sozinho e não tinha opção a não ser de ouvir a conversa alheia.

Em um dado momento, de uma das bocas sai a fala “eu quero alguém que me faça transbordar”… e seguiram a conversa.

O que elas falaram depois eu já não sei, porque, para mim, a conversa parou ali, naquele exato ponto final.

Passamos uma vida procurando alguém que nos complete. A tampa da panela, a metade da laranja o chinelo velho para o pé cansado. Invejamos quem apresenta o amado ou a amada com alguma dessas alcunhas. Completar essa lacuna na vida amorosa é uma missão de vida. É bem verdade que ninguém pode, ou não deveria morrer incompleto.


O que ninguém havia me dito, até ouvir daquela jovem filósofa pós-moderna e alcoolizada, era que estávamos todos – eu, você leitor(a), o cara atrás de mim na fila – procurando no lugar errado.

Muitas paixões nascem da percepção de completude. Nós nos apaixonamos pela parte que falta. Isso explica a paixão por outra pessoa, mas também pelo consumo, por vícios, por comida…

Eu sei bem do que estou falando, tem dias que uma panela de brigadeiro me preenche de uma maneira tal, que se eu pudesse me casaria com ela.

Então saímos em busca daquela chave única capaz de encaixar na fechadura do coração e abri-lo em definitivo. É uma busca um tanto empírica, é preciso testar várias chaves…. tirar e por, tirar-e-por… Algumas não entram, outras ficam folgadas, somente uma conseguirá girar a trava.


E não é porque você se identifica com esse comportamento que faz disso verdadeiro. Não é porque todos temos o direito pela completude que podemos justifica-la no outro.

Eu queria poder voltar naquela fila, tocar nos ombros da garota da frente e perguntar. Você tem noção do que acabou de dizer? Arriscaria um abraço e talvez pagaria uma bebida a ela como forma de gratidão.

Só pode procurar por alguém que o faça transbordar se você estiver cheio. Estar cheio é uma condição. Sentir-se completo, pleno, satisfeito.

E agora vem o segredo: quando você consegue estar completo por si mesmo, preencher suas carências, faltas e todos os buracos, por conta própria, então não precisará buscar nada e nem ninguém que esteja do lado de fora para o completar.  Nem pessoas nem substâncias amorosas. Porque você já tem dentro o que precisa.

Então a pessoa que vier, o amor que chegar, este o fará transbordar. E será mágico experimentar a sensação de estar mais do que satisfeito. E também será leve, pois esse amor não estará usurpando nenhuma outra função, a não ser acrescentar mais e levá-lo além, pois ele veio para somar e não para repor. E por isso, será também justo.

Esteja completo de si mesmo, encontre-se, encha-se e busque por alguém que te faça transbordar.


Direitos autorais da imagem de capa licenciada para o site O Segredo: olegparylyak / 123RF Imagens

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* Matéria atualizada em 17/05/2018 às 6:13






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