Procurei por uma pessoa que nunca existiu, a não ser em minha mente

Agora sim, estou bem. Antes não estava. Esse amor foi uma ilusão.

São 8 da manhã e eu estou aqui imaginando tudo que poderia ter sido. Como poderia ter acontecido de maneira diferente se houvesse mais empenho, mais empatia, mais apelo, mais apego ao sentimento que nos uniu.



Depois de preparar meu cappuccino, apanho meu notebook e começo a escrever tentando colocar em palavras todos os sentimentos, flashbacks e insights que tenho, desde que você se foi. Ou melhor: desde que eu parti.

Surpreendo-me sobre como posso ser analítico e crítico em tudo. Nos meus últimos relacionamentos, sofri bastante tentando entender o porquê de términos abruptos, histórias tão lindas esquecidas e momentos tão mágicos, aparentemente sinceros, serem deixados de lado.

Mas a verdade é que em nenhum desses relacionamentos os sentimentos eram verdadeiros. Não eram mágicos e não eram histórias lindas. Eram histórias vazias. Histórias maquiadas de um sentimento que nunca existiu. Nem das outras partes e nem da minha.


Enquanto me perco em análises e pensamentos, vejo minha vida de trás para frente e percebo o quão aflito eu me senti, o quão desesperado eu estava e o quanto eu pisei em ovos, na tentativa de fazer dar certo. E me perdi. Eu me perdi para tentar encontrá-la.

Tomo um gole do meu cappuccino e sinto um gosto um pouco amargo do café que misturei ao pó da bebida. Esse amargo me lembra o quanto doeu me perder para tentar encontrá-la.

Percebi que quanto mais eu tentava, mais eu me perdia. Procurei por uma pessoa que nunca existiu, de fato, a não ser em minha mente.

Nós nos perdemos em meio a um mar imenso de promessas, não é? “Eu te amo mais que tudo”, “você é o amor da minha vida e a pessoa que eu quero me casar e ter na minha velhice”, “você sempre vai ser a minha prioridade”, “eu te amo muito e para sempre”.


Prioridades mudam. E cá estamos nós diante do enfrentamento de nos reconectarmos novamente com nossas vidas e, quiçá, já, já, repetiremos as mesmas promessas para uma nova pessoa que chega. É um ciclo vicioso. Pergunto-me até que ponto não tem se tornado um ciclo vazio.

Obviamente, estou chateado e triste com tudo isso que aconteceu. Ainda penso que muita coisa podia ter sido diferente, se houvesse um outro tipo de empenho. Mas eu me sinto bastante orgulhoso de mim mesmo com a forma com que estou lidando com a sua ausência. Manter-me analítico e crítico com tudo e enxergar as coisas ao contrário está me fazendo bem. Parece que agora estou conseguindo enxergar claramente que foi uma libertação e um livramento de todas ilusões. Eu não me encontro mais hoje em você, e como disse, acho que o a pessoa com a qual possivelmente me encontrei um dia nunca existiu, logo, eu nunca me encontrei em parte nenhuma do seu ser. Fria e calculista assim, vida que segue.

Lembro-me de que nos meus outros términos eu lamentava muito, chorava pelos cantos e imaginava o quanto eu tinha perdido. O quanto eu nunca mais me sentiria suprido de um amor ilusório e fantasioso que eu mesmo criei na minha mente.

Mas eu amadureci. Agora eu penso exatamente o contrário. Acho que finalmente aprendi com você o quão positivo um posicionamento no signo de Aquário pode ser e estou usando isso em meu benefício.

Agora eu penso o quanto eu me livrei de um peso que não me fez bem esse tempo todo. Agora sim, estou bem. Antes não estava.

Já são quase 9 da manhã e o resto do meu cappuccino já esfriou enquanto me perdia em reflexões e pensamentos. Dou um último gole e dessa vez sinto o doce da bebida.

Chego à conclusão de que, mesmo que houvesse mais empenho, mais empatia, mais apelo, mais apego ao sentimento que nos uniu, ainda assim não teríamos dado certo porque nunca houve amor.


Direitos autorais da imagem de capa licenciada para o site O Segredo: 123RF/epicstockmedia

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