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Professora pede para irmã mandar boneco de neve pelo correio para mostrar aos seus alunos

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O boneco de neve está na escola desde janeiro deste ano, e a professora Robin o mostra todos os dias às crianças, guardando-o posteriormente no freezer da instituição.

Quando assumimos um compromisso com nossa carreira e nossa profissão, encaramos alguns desafios como momentos de disrupção, em que o curso “normal” de um processo é interrompido por ações subsequentes, alterando completamente a trajetória de uma história.

Muitos profissionais se empenham em cada uma de suas atividades, e os professores estão entre eles. Desde a mais tenra infância até a fase adulta, acompanham os alunos, ensinando-os a ler, a escrever, a se relacionar e até sobre as profissões que vão seguir, quando estão na graduação, pós-graduação ou em cursos técnicos.

Alguns mestres são capazes de tocar seus alunos profundamente, fazendo com que carreguem por toda a vida fragmentos de momentos felizes em comunhão com os colegas. Para Robin Hughes, de 60 anos, o comprometimento é verdadeiro, chegando a pedir à sua irmã para enviar um boneco de neve pelo serviço postal dos Estados Unidos.

Robin leciona na educação especial de Riverview, na Flórida, até que, numa aula, percebeu que seus alunos encontravam certa dificuldade em compreender o que era a neve, o boneco de neve e os anjos de neve, então perguntou quantos dali já tinham visto ou tido contato com neve, assim descobriu que poucos tiveram a experiência.

Para pessoas que moram em países quentes, como o Brasil, imaginar essa interação com a neve é algo distante, mas para os habitantes de regiões frias, uma simples viagem pode oferecer essa possibilidade. Foi justamente por isso que a professora ficou chocada ao saber que muitos alunos não tinham visto neve, explicando a confusão que apresentavam toda vez que entrava no assunto em sala.

Robin teve a ideia de pedir ajuda para sua irmã Amber Estes, que mora em Danville, Kentucky, também nos Estados Unidos. A descoberta da professora aconteceu no ano passado, e logo depois ela foi encontrar sua irmã, no feriado de Ação de Graças. Durante o jantar, segundo reportagem do jornal Washington Post, ela perguntou se estaria disposta a enviar um pouco de neve quando nevasse.

2 Professora pede para irma mandar boneco de neve pelo correio para mostrar para seus alunos

Direitos autorais: reprodução/ arquivo pessoal

Acostumada com os pedidos estranhos da irmã, Amber disse que concordava, mas que achava que não nevaria o suficiente em Kentucky para atender à solicitação. Ela chegou a afirmar que estava bem confiante de que não existiriam chances de cumprir o desafio, por isso aceitou sem pensar duas vezes.

Porém, o tempo acabou ajudando a professora, e no início de janeiro, o bairro da irmã amanheceu com 10 centímetros de neve, uma quantidade suficiente para atender ao pedido. Segundo Amber, ela fez o boneco de neve em pouco tempo, principalmente porque era bem pequeno. O boneco recebeu o nome de Lucky, que significa “sorte” em inglês.

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Mas essa era a etapa simples, a irmã passou cerca de 10 dias planejando o envio de Lucky pelo serviço postal, deixando-o refrigerado em casa nesse período. O valor para enviar o boneco era em torno de R$ 390, e ela passou a noite inteira rastreando o pacote, que era térmico e estava recheado de bolsas de gelo para manter a temperatura baixa.

No dia 19 de janeiro, o pacote chegou a SouthShore Charter Academy, e Amber fez questão de ligar para a irmã para saber em que condições ele tinha chegado. A recepcionista da escola, assim que recebeu Lucky, atravessou o corredor da instituição aos gritos, alertando a todos que estava finalmente ali. O passo seguinte era abrir para saber como estava, mas Robin explica que apenas um dos olhos tinha caído, algo simples de resolver.

Amber tinha colocado mirtilos no lugar dos olhos e dos botões, e uma cenoura no lugar do nariz, além dos galhos como braços. Foram cerca de 1.300 quilômetros até chegar ao seu destino, na Flórida, onde uma turma inteira do jardim de infância o aguardava ansiosamente. O resultado foi pura alegria, como conta a professora, pois todos queriam tocá-lo e alguns chegaram a perguntar se ele estava “voltando à vida”.

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Ao menos duas vezes ao dia, Lucky é retirado da refrigeração e levado ao refeitório para que os alunos possam interagir com o boneco, além de fazer infinitas perguntas. Os olhares de surpresa nunca cessam, e assim que percebem que ele está começando a ficar brilhante, é levado novamente para o freezer. O próximo plano é derretê-lo para regar alguma planta do jardim da escola no Dia da Terra, ao mesmo tempo que ensina sobre os estágios da água.

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