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Professora transforma sua casa em sala de aula para alunos carentes: “Reforço do Amanhã”

Angélica decidiu adaptar um cômodo em sua casa para ajudar mais de 30 crianças carentes que precisavam de reforço escolar.



Instituições escolares tiveram que se reinventar com a pandemia do novo coronavírus, tendo de modificar a forma como o ensino era passado para contemplar alunos que não frequentam mais o local.

Com o isolamento social e o fechamento de espaços para frear a disseminação do vírus, a alternativa que encontraram foi buscar amparo no ensino a distância.

A necessidade de equipamentos como computador, smartphone e rede de wi-fi mostraram que a educação não é capaz de chegar a todos, fazendo com que crianças e adolescentes de regiões periféricas sejam os mais prejudicados pela equação.


A conta pode demorar alguns anos para chegar, mostrando, no futuro, que a disparidade de renda, ainda em período escolar, impacta diretamente no ingresso em universidades públicas e no mercado de trabalho.

A reportagem do Diário Gaúcho mostra justamente essa realidade, em que um grupo de crianças da Vila Maria da Conceição ficaram longe da escola e acabaram sem comida e nas ruas. Grande parte dos estudantes de regiões periféricas veem nas escolas um refúgio, onde conseguem despistar a criminalidade e a fome, já que recebem merenda diariamente.

A professora de 45 anos, Angélica Puliese percebeu o que estava em jogo quando essas crianças passaram a não ter mais o apoio da comunidade escolar, e decidiu fazer da própria casa o refúgio que elas tanto precisavam.

Além de reforço escolar, ela oferece lanches a todos aqueles que passam fome ou têm insegurança alimentar.


Direitos autorais: reprodução Instagram/@reforcodoamanha.

Angélica explica que conseguiu tirá-los da rua e que tem uma regra dentro da sua casa: não pode pensar em coisas ruins. Para atingir esse objetivo, a pedagoga reformou o quarto de uma de suas filhas, que foi morar com o marido, transformando o local em uma sala de aula adaptada, respeitando, inclusive, as normas sanitárias de prevenção à covid-19. Com duas janelas que favorecem a circulação do ar, ela garante que nenhum aluno foi contaminado.

Em uma casa simples, a professora decidiu acomodar sonhos. A estrutura é de madeira e existem buracos no piso, tapados com uma tábua, e alguns furos no telhado, que em época de chuva evidenciam goteiras.

Ela adaptou sua mesa de jantar e criou uma sala com quatro lugares, com um assento em cada extremidade, e pendurou um quadro negro na parede. Tudo o que tem ali, se não era da própria casa, foi doado, e Angélica afirma que são anjos que a ajudam.


O projeto recebeu o nome de Reforço do Amanhã e oferece aulas às segundas, quartas e sextas, no período da tarde. O que começou com apenas 11 alunos, no ano passado, hoje já comporta 30 crianças, com idades que variam de 6 a 12 anos.

As aulas são gratuitas e a professora espera que a única compensação que receba seja a transformação da própria comunidade, ensinando-os a obedecer, respeitar e serem bons seres humanos.

Direitos autorais: reprodução Instagram/@reforcodoamanha.

Assim que a crise sanitária se instalou, Angélica foi uma das professoras cotadas para demissão, e acabou precisando fazer faxinas para conseguir sustentar a si e ao projeto.


Ela explica que não sente vergonha pelo que passou, e revela que, em alguns momentos, precisou bater nos mercadinhos do bairro pedindo doações. Os únicos momentos em que sentiu tristeza foi quando não tinha nenhum alimento para oferecer aos alunos.

Este ano, a professora voltou a dar aulas em outra escola, no bairro Santo Antônio, em Porto Alegre, mas negou o turno integral para continuar ajudando seus alunos.

Para complementar a renda, ela ainda dá reforço escolar a crianças de famílias com recursos, o que já lhe proporcionou fazer uniformes e uma caneca para cada uma das crianças que frequentam o projeto.

Ela e o marido, motorista de ônibus, têm confiança de que a escolinha em casa vai crescer ainda mais, tanto que até começaram uma obra em frente à casa. A ideia é aumentar a quantidade de salas, mas falta dinheiro para finalizar a construção, e explica que o que mais precisa é de material de construção. Em busca de um futuro melhor, Angélica segue fazendo o que acredita ser certo e conta com apoio da comunidade para continuar.


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