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Programa de governo de Lula quer investir na educação das forças policiais para combater o racismo

Foto: Reprodução
Capa Programa de governo de Lula quer investir na educacao das forcas policias para combater o racismo

O tratamento diferenciado que a polícia dá para as pessoas pobres foi criticado por um dos dirigentes do PT.

O Partido dos Trabalhadores quer educar as forças policiais do país para que elas atuem na luta contra o racismo, diminuindo a diferença de tratamento observada nas abordagens de pessoas pobres e ricas.

A afirmação vem de um dos coordenadores do grupo que discute a segurança pública na Fundação Perseu Abramo, Alberto Cantalice. As informações foram compartilhadas no programa “Militância sem Filtro”, realizado no Twitter Spaces, pelo perfil “Vozes Progressistas”, no dia 21 de março.

O coordenador disse que em qualquer lugar do mundo a polícia tem o papel fundamental de garantir o direito de ir e vir dos cidadãos, mas isso não é possível quando estamos lidando com uma polícia racista e preconceituosa, que trata o morador da área periférica de forma diferente daqueles que moram em área nobre. Cantalice disse que estas atitudes expressam uma mensagem errônea, como se existissem brasileiros de primeira categoria e os de segunda.

A solução para essa situação, de acordo com o dirigente do PT, seria educar a polícia quanto às questões racistas, pois sua atuação é fundamental para garantir a democracia e a segurança na sociedade, por isso ele considera importante que a polícia “seja cidadã”. Cantalice disse que as forças policiais devem ser incisivas com os criminosos, não com os cidadãos.

2 Programa de governo de Lula quer investir na educacao das forcas policias para combater o racismo

Reprodução YouTube / Podpah Podcast

A segurança pública é um dos 25 eixos temáticos que nortearão a campanha de Lula para a Presidência da República, ou seja, esses projetos de educação para a polícia devem ser aplicados caso o ex-presidente ganhe mais um mandato. Além de Cantalice, o grupo que debate o assunto tem como coordenadores o deputado federal Paulo Teixeira e o ex-governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro.

As propostas de cada eixo temático serão encaminhadas para a coordenação de campanha de Lula, que selecionará as que chegarão ao programa de governo do ex-presidente.

Lula disse em entrevista recente que sua candidatura ainda não está confirmada para 2022, embora ele já tenha o apoio de vários eleitores. O político disse que quer esperar para conversar com mais forças políticas antes de anunciar a sua intenção de participar da corrida pelo cargo presidencial, na qual Jair Bolsonaro, atual presidente, aparece como seu principal adversário.

3 Programa de governo de Lula quer investir na educacao das forcas policias para combater o racismo

Reprodução YouTube / Lula

O racismo na polícia brasileira

O racismo presente nas forças policiais brasileiras é preocupante. De acordo com levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança, dos 6.416 brasileiros mortos por intervenção policial em 2020, 78,9% eram negros. A taxa de letalidade em operações policiais é 2,8 vezes maior entre negros do que entre brancos.

De acordo com a pesquisa, pretos e pardos representam 4,2 vítimas a cada 100 mil habitantes, já entre os brancos, esse número é de 1,5 a cada 100 mil. Pessoas negras são as principais vítimas das ações policiais em pelo menos 36 das 50 cidades com mais ocorrências de operações no país.

A cidade do Rio de Janeiro, conhecida pela violência, é a primeira no ranking em números absolutos. De acordo com o levantamento, 415 pessoas morreram por intervenção policial na capital fluminense no ano passado, das quais 82,2% eram identificadas como pretas ou pardas.

São Paulo, a maior capital da América Latina, vem em segundo lugar, com 390 mortes, sendo 65,4% de negros. Em terceiro aparece Salvador, capital da Bahia, com 381 mortes, com pretos e pardos representando 77,8% do total. No ranking das cidades com maior taxa de letalidade por 100 mil habitantes, a capital baiana ocupa a 34ª posição.

Dos 15 municípios do Brasil com a maior taxa de mortalidade por intervenção policial por grupos de 100 mil habitantes, oito estão no estado do Rio de Janeiro: Japeri (24,6/100 mil), Itaguaí (24,5/100 mil), Angra dos Reis (19,3/100 mil), São Gonçalo (18,2/100 mil), Queimados (17,2/100 mil), Mesquita (16,4/100 mil), Belford Roxo (13,8/100 mil) e São João de Meriti (12,3/100 mil).

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