AmorColunistasRelacionamentos

A prova dos nove da convivência

aprovadosnovedaconvivencia CAPA

Se não houver diversas compatibilidades, a relação cai por terra como um castelinho de areia ou cartas. Se o casal não tiver afinidade afetiva e intelectual, não adianta fazer joguinhos fazer ciúmes, criar estratégias para chamar a atenção. A rotina não tolera farsas, amores inventados, entregas medianas e superficiais. A rotina coloca tudo nos seus devidos lugares, mostrando quem é quem.



***

Sim, sabemos que normalmente começos são felizes, mesmo quando não existe uma grande paixão. A simples novidade de estar com alguém mexe em algum sentido com a nossa vida. A simples esperança de que uma amizade carinhosa e uma pequena atração física se revertam em paixão avassaladora ou amor profundo um dia nos faz feliz de algum modo.

APROVADOSNOVE01


Porém, como diria o dramaturgo Nelson Rodrigues, o dia a dia é o abismo do amor, pois por meio da convivência vamos desnudando os defeitos do outro e o outro vai desnudando os nossos. E num movimento, às vezes lento, em outros vertiginoso, o amor cai nos abismos fatais das contas para pagar, das mesquinharias burocráticas da rotina, da incompatibilidade das agendas, da incompatibilidade de temperamento, da incompatibilidade das neuroses, do excesso de cansaço que faz as pessoas perderem o brilho diante dos olhos do outro.

A rotina traz também o perigoso conforto de que o outro nos pertence e por isso precisa suportar todas as nossas lacunas. A rotina traz certa indolência e os gestos vigorosos do início vão perdendo a força, até os laços desafrouxarem, dando espaço para que outros laços surjam.

A rotina desnuda nosso lado mais mesquinho, mais irritante e chato. Obviamente, que com a rotina também vem à tona o nosso eu mais autêntico, aquele que é capaz de renunciar pelo outro. Obviamente, a rotina também traz as nossas grandezas. No lugar das máscaras sociais e dos jogos de sedução, entram a nossa capacidade de adaptação, a nossa disponibilidade para tentar fazer dar certo. Enfim, tudo é jogado na mesa: o nosso melhor e o nosso pior. A convivência destroça os meios termos.

Por tal motivo, só podemos dizer realmente se amamos alguém quando nos acostumamos com a sua presença. Quando nos sentimos confortáveis ao lado desta pessoa, mas jamais perdemos o medo de perdê-la. Quando somos capazes de fazer sacrifícios pela relação, mas sem sentir que tais ações são um peso. Quando passamos a perceber claramente os defeitos, mas as qualidades positivas continuam pesando mais para nós.


Quando entendemos que como qualquer outra pessoa, o parceiro apresenta teclas quebradas, mas que não vale a pena ficar citando-as o tempo todo. Quando a gente compreende que nem tudo o que acontece na vida do parceiro diz respeito a nós e nem tudo que acontece a nós diz respeito ao parceiro. Que mesmo amando e sendo amado, somos seres individuais. Só pessoas inteiras podem formar casais que fazem a diferença na vida um do outro.

Couple at home reading

Couple at home reading

Se a rotina traz as nossas manias mais chatas à tona, a nossa face mais patética, por outro lado, a rotina faz uma baita prova dos nove: ela mostra quem realmente combina com a gente. Ela mostra que um look bonito é muito bom e chamativo, mas que nenhuma relação dura à base de caras e bocas, poses sensuais, palavras melosas. Se não houver diversas compatibilidades, a relação cai por terra como um castelinho de areia ou cartas.

Se o casal não tiver afinidade afetiva e intelectual, não adianta fazer joguinhos fazer ciúmes, fazer cena, fazer média, criar estratégias para chamar a atenção. A rotina não tolera farsas, amores inventados, entregas medianas e superficiais. A rotina coloca tudo nos seus devidos lugares, mostrando quem é quem.


Um pedacinho de Deus na terra

Artigo Anterior

As dúvidas me acompanham diariamente!

Próximo artigo

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site.