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Psicóloga que oferecia terapia de “cura gay” tem registro profissional cassado pelo CRP do DF

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Rozângela está proibida de exercer a profissão porque infringiu o código de ética, induzindo os pacientes homossexuais a acharem que sofriam de algum distúrbio.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) despatologizou a homossexualidade em 1990, ou seja, sentir-se atraído por pessoas do mesmo sexo deixou de ser considerado doença oficialmente há mais de 30 anos. Nove anos depois, o Conselho Federal de Psicologia (CFP) proibiu os profissionais de aplicarem qualquer tipo de terapia para tentar alterar a orientação sexual.

Todas as vezes que o tema volta a ser debatido publicamente, os principais órgãos de saúde se posicionam contra qualquer tipo de retrocesso, deixando claro que a homossexualidade não é e nem deve ser considerada uma doença. Mas ainda existem profissionais das mais variadas áreas que insistem em ir contra as recomendações dos próprios conselhos de suas profissões, correndo riscos de perder seus registros.

A psicóloga Rozângela Alves Justino perdeu o registro profissional, porque o Conselho Regional de Psicologia do Distrito Federal (CRP/DF) constatou que ela estava agindo contra os interesses dos pacientes. Segundo reportagem do G1, a profissional oferecia terapia para que gays e lésbicas “deixassem de ser homossexuais”, a chamada “cura gay”.

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Direitos autorais: reprodução/ Conselho Regional de Psicologia do Distrito Federal

O Ministério Público Federal de São Paulo e a Associação Brasileira dos Gays, Lésbicas e Transgêneros (ABGLT) já tinham pedido a proibição do exercício da profissão pela psicóloga; a cassação foi oficialmente divulgada no dia 17 de fevereiro deste ano.

Rozângela fica impedida de atuar como psicóloga porque infringiu o código de ética da profissão, violando o termo que diz que é vedado “induzir a convicções políticas, filosóficas, morais, ideológicas, religiosas, de orientação sexual ou a qualquer tipo de preconceito”.

Essa não foi a primeira vez que a profissional chamou a atenção do conselho, em 2009, o Conselho Federal de Psicologia (CFP) a censurou publicamente por oferecer “tratamento” aos pacientes, violando a resolução da profissão que afirma que a orientação sexual não constitui doença, distúrbio ou perversão. No mesmo ano, ela deu entrevistas a jornais do país dizendo que acreditava que a homossexualidade era um distúrbio causado pela má criação dos pais ou por abusos sexuais sofridos na infância.

A “cura gay” vem sendo debatida em diversos países e, no Brasil, teve um novo episódio em 2019, quando a Justiça Federal de Brasília permitiu a prática. Atendendo aos pedidos do Conselho Federal de Psicologia, a ministra Carmen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu a decisão, cassou a decisão da Justiça do DF e arquivou o caso, retornando à proibição.

A profissional

Desde que acusou o CFP de censura, em 2009, Rozângela ganhou visibilidade e destaque na mídia, integrando, assim como outras personalidades, a direita ultraconservadora atual. Identificando-se como “missionária”, a profissional defende pautas similares às da ministra Damares Alves e da bancada evangélica, pedindo pela “cura gay” e tentando barrar a educação sexual nas escolas brasileiras.

Em um artigo escrito em 2015, Rozângela chega a afirmar que “adolescentes de 12 e 14 anos, induzidos à livre expressão sexual vêm sendo acometidos por infecções sexualmente transmissíveis”, afirmando que o “quadro é alarmante”. Sem apresentar dados e assimilando a Teoria Queer ao “satanismo”, a profissional defende que os movimentos sociais já conquistaram tudo aquilo que queriam, e que agora o plano é acabar com a “ordem”, matando Deus e desmontando o cristianismo no Brasil.

Sem conseguir comprovar nenhuma de suas teorias, a profissional utiliza as armas que possui, contatos e fake news para espalhar medo e receio. Rozângela atuou ainda como assessora do deputado Sóstenes, em Brasília, pastor da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, liderada por Silas Malafaia. O deputado federal participou ativamente contra a exposição “Queermuseu – Cartografias da Diferença na Arte Brasileira”.

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