Qualquer coisa além do que precisamos é veneno!

Qualquer coisa além do que precisamos é veneno. Então, eu me dou conta de que ando tão envenenada que não sei como ainda estou viva.

A gente escolhe, por vontade própria, as próprias aflições. Sabe aquele trabalho que você não gosta, mas continua indo lá todos os dias? Reclamando dos colegas, do chefe, do trânsito, do horário que não o permite sair mais cedo para ver o pôr do sol? Então, é disso que estou falando.



Já parou para pensar porque é mesmo que você trabalha onde trabalha? De repente, está lá pelos motivos errados e isso, aos poucos, o envenena. E você não vai nem notar. Não nos primeiros tempos. Quando se der conta, pode ser tarde.

Na hora do almoço, você se entope daquilo que não precisa ou come a tal alface com o peito de frango grelhado, que não tem gosto de nada, só porque decidiu que precisa ter aquele corpo de revista para ser feliz. Mas o que precisamos é muito diferente disso.

Precisamos parar de nos comparar o tempo todo. Precisar e querer são dois verbos muito significativos e que nos levam a estradas completamente diferentes. Precisamos de muito pouco, mas ainda confundimos o querer com o precisar. Quanto tempo perdemos! Quantas horas perdemos nos lamentando e ansiando por algo que está longe de estar na lista do que necessitamos.


Não precisamos de quase nada. Precisamos de nós mesmos. Totalmente entregues e conscientes do que e de quem somos.

A reforma também passa pelas pessoas que estão conosco. Ou somos nós que estamos com essas pessoas que achamos que estão conosco? Do que precisamos? Faço listas o tempo todo, e muitas vezes, preencho algumas folhas de papel. E lá vou eu listando as pessoas e as razões pelas quais elas se encontram em minha vida. Muitas vezes me dou conta de que algumas pessoas das quais eu digo que preciso e que sem elas não sei viver, na verdade estão, há muito tempo, me envenenando e fazendo mal.

Mania de achar que preciso desta ou daquela pessoa para ser feliz! Quanta infelicidade, quantos sapos engolimos, sem necessidade. Querer muito alguma coisa nos leva a caminhos solitários, mesmo que na companhia de alguém. Já digo como mantra todos os dias: aprender a deixar ir é não ter expectativas e entender que o que você faz, faz para si mesmo, para a sua paz. Se aceitarmos a incerteza, a incerteza se torna aventura.

Nós nos acostumamos a querer aquele emprego, a querer aquela casa, a querer aquela pessoa ao nossa lado, a querer aquele destino nas nossas próximas férias, aquela roupa ou aquele sapato, aquele carro e aquele modelo de vida. Nós nos acostumamos a achar que precisamos ter filhos nesta ou naquela época. Que não podemos nos permitir a isto ou aquilo porque ainda não conquistamos tudo aquilo que decidimos que queremos para, finalmente, sermos felizes e realizados. Nós nos acostumamos a correr atrás disso tudo e nos esquecemos de que nem de longe precisamos de tudo isso para sermos felizes.


Quantas vezes meu olhar esteve na janela ao invés de estar nos olhos da pessoa que eu pensei que amava. Quantas vezes olhei o mapa na direção contrária de onde queria estar ou para onde iria.

Quantas vezes percebi que aquele beijo já não era o beijo que eu queria e não disse nada. Quantas vezes troquei de roupa ou quantas vezes mudei a cor do batom para agradar a quem eu considerava que eu tinha que ficar ao meu lado, pois era isso que eu precisava.

Céus! Como tudo isso hoje fica mais claro, enquanto vou escrevendo. Qualquer coisa além do que precisamos é veneno. Então eu me desfaço pelo caminho do que machuca a minha alma. Desfaço-me das necessidades falsas e das exigências por mim impostas. De repente, a vida fica mais simples e tudo fica mais claro. Não fica mais fácil, na verdade, fica até mais difícil. Mas já não tenho aquele aperto no coração.

Libero da minha história o que eu não preciso mais e dou espaço para pensar em mim e no que eu desejo, tudo aquilo que realmente seja essencial para viver plenamente.


Direitos autorais da imagem de capa: Kira auf der Heide on Unsplash

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