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Qualquer coisa eu te aviso…

Você conhece uma pessoa, vocês passam um tempo juntos, a companhia é agradável, o beijo é bom, o sexo então nem se fala. Tudo perfeito. Do nada as coisas vão se aquietando e as faíscas dos primeiros encontros se apagam. E assim, de repente os convites para almoços, jantares, cinema, festas, bares e afins são mais escassos ou nem vem e quando vem são sempre com a mesma resposta vaga. “Ah, a gente vê!” ou “Vamos nos falando” e pior ainda “Qualquer coisa eu te aviso”.



Essa última todo mundo já ouviu ou quem sabe até já falou. Uma frase solta que fica pairando no ar por um bom tempo, te deixando a mercê da vontade alheia e que pra quem espera, é uma eternidade. Nesse caso, quem fala fica no controle absoluto da situação enquanto para quem espera o tempo passa devagar, quase uma eternidade.

A pergunta que fica é porque é tão difícil falar um “Não tô mais a fim” ou “Estou em outro momento” e assim facilita a vida de ambos os lados? Ser claro não irá necessariamente fechar uma porta para sempre, mas talvez abrir outras futuras. Simplesmente é muito mais fácil deixar um step na reserva para uma situação de emergência e carência.  O “Tá, qualquer coisa eu aviso”  já é quase tão batido quanto: “O problema não é você, sou eu” vem sendo usado como desculpa para impedir um futuro com alguém e é  o mais novo clichê para por fim em relacionamentos quem nem bem começaram ainda. Em meio a uma geração que não se importa muito em trocar de relacionamentos como trocam de celular, com amores fracos e superficiais é muito mais fácil fugir do que se entregar e sofrer por amor.

Muito mais fácil do que superar as dificuldades, consertar o que está quebrado, superar os defeitos, o arroz queimado, o chuveiro quebrado, o leite derramado… é fugir ao menor sinal de envolvimento emocional.


As pessoas tem medo e por isso vivem presas no mesmo ciclo vicioso de conhecer alguém e ficar naquela coisa de se prender a padrões desdecessários de comportamento como o não atender ao telefone até o terceiro toque, de não ligar no dia seguinte, não transar no primeiro encontro pra não parecer fácil ou então manter – a – pessoa – na –  reserva –  caso –  não –  encontre –  nada –  melhor –  para –  hoje que é um jogo extremamente exaustivo. Um cansaço que só aumenta com o passar do tempo e que resulta pessoas vazias que passam pela vida sem acrescentar nada, em pessoas estressadas e deprimidas que por medo, não se abrem para novas possibilidades presas em seus próprios casulos o que as impedem de ir além da superfície. Mas com aproximadamente sete bilhões de pessoas no mundo e com tantas possibilidades, uma delas pode ser mais atraente que você e se prender a apenas uma opção não parece tão interessante para muita gente, simples assim.

Por isso, você permanece em banho-maria esperando uma resposta  que nunca vem. Um plano B para o caso de todas as outras opções estarem ocupadas ou caso (mais provável) essa pessoa receba um “Tá, qualquer coisa eu aviso” também. Caso contrário, você continua ali no banco da vida só assistindo os titulares jogarem e esperando a sua vez de poder brilhar e mostrar seu valor.

Pra ser feliz não é preciso alimentar esperanças em alguém que te queira bem e que provavelmente poderia viver muito bem sem você, mas que entre várias opções te escolheu para partilhar um pouco do seu tempo, confiou a ti um pouco do que está na sua alma, no seu interior. Então por mais que seja difícil dar uma chance ou se prender essa pessoa merece ao menos um pouco de consideração.

Como você vai conhecer alguém verdadeiramente se não dá a ela uma oportunidade para ela se mostrar?  E se eu me jogar e não der certo?


A gente vai seguindo entre tentativas, erros e frustrações, afinal, viver é isso.

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