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Quando desistir é a decisão certa…

Uma das situações mais complexas e sofridas na vida é, a meu ver, saber identificar a hora de desistir.  Conceito este válido para muita coisa na vida. 

No mínimo para  quase tudo, seja para  um casamento que desmoronou em meio a aviltamentos e ecos vazios, do emprego que se resumiu a insatisfações e ausência de dignidade, da amizade falsa, do amor que machuca, da paixão que fecha portas, seja de uma carreira sem perspectivas, de uma faculdade que desloca, ou de um estilo de vida que desumaniza.



Nem sempre persistir em uma situação com aquela velha idéia formada de “perseverar sempre, desistir jamais” é uma decisão sensata e inteligente.

Existe uma pequena prece que diz: “Senhor, conceda-me a serenidade para aquilo que não posso mudar, coragem para mudar o que posso e sabedoria para saber discernir entres as duas” ela resume quase tudo que gostaria de expressar neste texto.

Para muitos a palavra desistir está ligada a idéia de fracasso. É muito comum nos depararmos com a afirmação do quanto é necessário perseverar na busca dos  objetivos, no entanto, há que se aplicar o bom senso, pois, muitas vezes, essa perseverança passa a  “dar murros em ponta de faca”, e então, a persistência passa a não ser a melhor opção.

Às vezes, insistimos por pura teimosia, por insegurança de escolher um novo rumo, por orgulho ou por tantas outras inúmeras razões.


A questão não é desistir ou abandonar sonhos só porque a realização destes parece distante ou que, para chegar até lá, haverá de enfrentar severas adversidades, então, poderíamos dizer de  fraqueza e inconseqüência, mas não é dessa natureza de desistência a que me refiro.

É comum acharmos que desistir possa ser o pior dos fiascos que alguém pode cometer. Mas dependendo do que seja, desistir pode ser a melhor escolha.

Perseverança é uma qualidade, mas quando ela se transforma em teimosia, insistência, começamos a perder tempo com o que não vale a pena, gastar energia à toa. É quando chega o momento de desapegar, deixar ir, tomar outro rumo. Isso não é sinal de fraqueza, mas de maturidade e sabedoria.

Na verdade, desistir é para os fortes, pois requer muita coragem, ir contra a própria vontade, fazer uso da razão. Implica em ser capaz de tomar a decisão certa, mesmo que isso doa  na alma


Buscar realizar os sonhos é louvável e fundamental, mantendo-os acesos e cheios de esperança, pois nossa sobrevivência depende de que consigamos vislumbrar amanheceres com luz, transparência e possibilidades reais, mas, insistir em algo que já deu demonstração suficiente de que não dará certo, é como calçar sapatos que não servem, ferem até sangrar.

É preciso ser muito mais forte do que se pensa para desistir. Principalmente, depois de muito lutar, de dedicar tempo, muitas vezes após ter devotado muito amor.

Fomos ensinados que lutar até a última gota de suor é o que faz de nós heróis, mas é um ensinamento simplista e equivocado, é necessário aceitar que temos limites e entender que nem sempre conseguimos e que isso não significa fraqueza.

Desejamos permanecer jovens e envelhecemos, ser saudáveis e adoecemos, passar na faculdade e não passamos, buscamos tanto amar alguém especial e quando acreditamos que finalmente o encontramos, depois de um tempo descobrimos que as afinidades, na verdade, não existem.

Fácil não é, mas cabe só a cada um de nós pesar prós e contras e, com responsabilidade e consciência,  ouvir o que o próprio coração tem a nos dizer. Lá no fundo, quase sempre a gente sabe o que deve fazer, apenas recusamos a aceitar.

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Direitos autorais da imagem de capa: peus / 123RF Imagens

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