Quando a dor do outro dói em nós… – por um mundo com mais empatia!

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As notícias trágicas, sobre irmãos em sofrimento são amplamente divulgadas pela mídia, infelizmente são as de maior destaque nos noticiários muito embora saibamos que bons acontecimentos também ocorram, mas parecem não dar audiência.   

Com isso nos chegam o tempo todo notícias sobre os sérios sofrimentos vividos por pessoas em dramas trágicos que ocorrem em sua jornada. São momentos em que um arrepio me percorre a espinha e, automaticamente, vêm-me perturbadores questionamentos.



Talvez esses questionamentos sejam o clamor da culpa em mim, pois, ainda que muitas vezes seja quase impossível qualquer ação solitária que possa mudar a situação, sinto que há um mínimo que deixo de fazer.

Sinto grande comoção, mas do que adianta comover se e não se mover tentando descobrir o que estaria ao meu alcance, ainda que, como um gota no oceano, um grão de areia no deserto. No entanto, o grande oceano é composto de incontáveis gotas e o deserto de incontáveis grãos de areia. Juntos formam um todo. Juntos formam a grandeza.

E assim deveria ser. Se todos nós, seres humanos, deixássemos de dar desculpas para não ter que sair do comodismo, juntos poderíamos mudar a história de muitos outros seres humanos, assim como poderíamos amenizar o sofrimento dos irmãos intitulados irracionais, que igualmente necessitam de nossa solidariedade e compaixão.


Hoje em dia fala-se muito em empatia. Li que a empatia, na área da psicologia, divide-se em duas: a cognitiva, relacionada a compreender a perspectiva psicológica das outras pessoas e a afetiva, relacionada à habilidade de experimentar reações emocionais por meio da observação da experiência alheia.

Creio que poucos de nós somos capazes de entrar em contato com a empatia afetiva; é como se dizia antes de surgirem novas definições, colocar-se no lugar do outro e ter a habilidade, a faculdade, o dom, de sentir como ele sente. Suas dores, seus sofrimentos, suas angústias.

A maioria de nós, os solidários, somos portadores da empatia cognitiva que nos permite ter a idéia de como se sente o outro nos momentos difíceis da vida, pois como semelhantes já vivenciamos situações similares, exceto aquelas extremas, vividas nas guerras, na pobreza absoluta, sobretudo dos povos nativos de países sem as mínimas condições humanas.

Sempre que tomo conhecimento das graves adversidades por que passam os habitantes deste plano, experimento muitas sensações diferentes, como comoção, é impossível não se compadecer da dor alheia, sinto medo, pois penso que poderia estar acontecendo comigo, com algum ente querido, revolta porque a maior parte dos sofrimentos humanos é promovida por outros seres humanos, poderosos, egoístas e tiranos. sem amor no coração, desprovidos de empatia seja ela cognitiva ou afetiva e a culpa, porque lanço mão de desculpas como a impotência para disfarçar o comodismo.


Os sentimentos que tais desventuras humanas suscitam-me, estremecem o meu espírito, ao mesmo tempo em que imagino como seria encarar tais tragédias, agradeço à Deus por ter me dado um fardo leve em relação ao fardo desses irmãos.

Sinceramente, diante de certos casos tenho a sensação de que não sobreviveria, enlouqueceria, sucumbiria. E é por isso que acredito infinitamente que o Criador em sua imensurável sabedoria sabe a intensidade da força e da coragem que há dentro de cada um, dando-nos o fardo conforme nossas forças possam suportar.

Então penso, quão forte são esses nossos irmãos que vivem em zonas de guerra, que têm as ruas como moradia, que sofrem enfermidades incuráveis, entre tantas outras provações existentes.

São muitas as situações que me despertam comoção. Pessoas que perdem tudo e todos em catástrofes naturais, a fome nos submundos desse mundo, pessoas que enfrentam situações de doenças que incapacitam a si próprias ou a algum ente querido.

Penso na força extra de que necessitam estas pessoas para sobreviverem a dramas tão intensos.

Nestes momentos sinto uma grande necessidade de agradecer à vida por estar me poupando de experimentar situações semelhantes.

Sei que cada um tem que passar por suas provações, feito sob medida para si e que isso não é por acaso, no entanto todas as vezes que presencio ou sei de situações extremas na vida de alguém, inevitavelmente, reflito sobre os meus próprios obstáculos e percebo, muitas vezes, como sou frágil e fútil, superdimensionando as minhas mazelas.

Isso tudo me faz crer que cada um é predestinado a carregar o que sua força permite e me dá plena consciência de minhas fragilidades.

Que eu não me comova e me sensibilize apenas, mas que saia da inércia da pura empatia para a ação de fazer algo efetivo.

Somos todos, gotas d’água e grão de areias necessários para formar os desertos e os oceanos.

Paz e bem!

 

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Direitos autorais da imagem de capa: miriamataneckova / 123RF Imagens

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