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Quando eu parei de competir, eu me libertei

quando eu parei de competir

Eu nunca gostei de competição. Toda vez que estou a competir, eu me sinto pressionada e desconectada dos outros. Eu amo situações que harmonizam, paz, colaboração e situações onde todos saem ganhando. Do tipo “eu feliz, você feliz”.



Eu não preciso ver outra pessoas perder para me sentir bem comigo mesma. Eu não preciso dominar ou desqualificar alguém para me sentir superior e digna. 

Em algumas culturas, competir é visto como um sinal de ambição, poder e força. A maioria de nós cresceu ouvindo comparações constantes, o que acabou se transformando em um hábito durante nossa vida adulta:

“Eu sou mais bonita que ela? Eu quero ficar mais magra.”


“Quanto ele está ganhando? Eu quero ganhar mais.”

“Onde ela mora? Eu quero uma casa pelo menos do mesmo tamanho.”

E assim por diante…

No Brasil, assim como em muitos outros países, o sistema de ensino é uma competição acirrada para obter melhores notas e ser o primeiro da turma. Quando criança, lembro-me de passar em média umas dez horas por dia estudando e fazendo lições de casa durante a semana. Eu mal tinha tempo para brincar e relaxar.


Os professores estavam sempre fazendo comparações entre os alunos, os pais comparavam seus filhos aos filhos de seus amigos ou vizinhos e ninguém realmente encorajava talentos individuais. 

Como resultado desse condicionamento, acabei me debatendo com sérios problemas de autoestima por muitos anos. Quando jovem, eu não me via como boa o suficiente, bonita o suficiente, esperta ou bem sucedida o suficiente, e eu tentava desesperadamente ser perfeita.

Quando eu não estava competindo com outras pessoas, eu estava competindo comigo mesma. Eu estava sempre me esforçando para ser a melhor amiga que eu poderia ser, a melhor filha ou a melhor funcionária no trabalho. Agradar aos outros era viciante porque eu me sentia validada sempre que ouvia um elogio de alguém. E isso me impulsionava a querer fazer ainda mais e melhor.

Eu não estou aqui para culpar ninguém. Eu não sou uma vítima. Meus pais fizeram o melhor que podiam na época, e a sociedade fez o melhor que sabia, então não estou culpando, mas sim procurando crenças ocultas e limitadoras que funcionam contra mim.


Aqui está o que percebi ao fazer justamente isso:

1. Pare de competir com outras pessoas. “Comparar-se com os outros é um ato de violência contra o seu eu autêntico” – Iyanla Vanzant 

Nossa sociedade muitas vezes incentiva a concorrência. Existem algumas circunstâncias em que não temos escolha a não ser competir – quando solicitamos uma nova posição no trabalho ou participamos de entrevistas de emprego, por exemplo. No entanto, há situações em que fazemos as regras, e a escolha depende inteiramente de nós. Podemos viver nossas próprias vidas e cuidar de nossa própria jornada ou podemos escolher competir com os outros sobre quem é mais atraente, mais rico, mais feliz ou mais bem-sucedido.

Durante esses últimos anos solteira, muitas vezes me comparava com outras mulheres. A maioria parecia bem-resolvida; elas eram casadas e tinham uma família. Um marido, filhos, um cachorro. Eu costumava me sentir um fracasso, como se algo estivesse errado comigo. Mas a verdade é que nesse meio tempo eu pude me conhecer melhor do que nunca. Pude trabalhar meus aspectos negativos e aprimorar os positivos. Cuidar e focar apenas em mim, no meu crescimento pessoal e profissional.


Então, aqui está o que aprendi: todo mundo está seguindo seu próprio caminho, e todos nós fazemos o que é certo para nós mesmos, em nosso próprio tempo. Acredito que vivemos em um universo de apoio, onde tudo se desenrola perfeitamente – na hora certa, no lugar certo. Comparar-nos com os outros é uma fonte infinita de estresse e frustração, e isso não nos serve para nada.


2. Pare de competir contra você mesmo. “Fazer o seu melhor é mais importante do que ser melhor” – Zig Ziglar 

Perfeição nada mais é do que pura ficção, uma ilusão criada por nossas mentes. É também uma prática aprendida. A maioria de nós foi criado para se esforçar constantemente para se tornar uma pessoa melhor – para se concentrar em nossas falhas e limitações percebidas – e nós consideramos nossas forças como garantidas ou muitas vezes nem percebemos quais são.


Enquanto todos nós estamos aprendendo com nossas experiências e erros, também precisamos estar cientes de nossos dons e talentos. Precisamos celebrar nossa singularidade e nos separar do hábito tóxico de nos compararmos com os outros.

No entanto, aqui estou eu, com meus trinta anos, ainda lendo sobre infinitas maneiras de me tornar um ser humano melhor. Com tanto foco na necessidade de melhoria, particularmente na indústria de desenvolvimento pessoal, eu continuava sempre me questionando sobre quando é que eu me transformaria na melhor versão de mim mesma e encontraria a paz.

Então parei de competir comigo mesma. Recuso-me a lutar contra mim para chegar ao fim de um túnel metafórico, e não estou mais esperando o dia mágico em que me tornarei perfeita e sem defeitos.

Por que transformar minha vida em uma competição sem fim? A verdadeira amizade não é competir uns contra os outros. É sobre suporte e colaboração. Por que atuar como minha concorrente quando posso ser minha melhor amiga?


Tem um provérbio chinês que diz o seguinte: “A tensão é quem você acha que deveria ser. Relaxar é ser quem você é.” 

Se eu quiser gastar meu precioso tempo esperando para crescer e ser melhor, sempre haverá alguma mudança a fazer, algo a acrescentar e transformar para que eu possa finalmente me sentir completa e plena.

A vida não precisa ser uma luta diária. Eu não tenho que me consertar porque não estou quebrado.

Eu abraço todo o repertório da minha humanidade com amor e compaixão. Eu escolho não ser um “trabalho em progresso”. Meu desejo de crescimento é tomar cada dia como uma oportunidade para aprender mais sobre a vida e sobre mim mesma.


É assim que descubro quem realmente sou e o que me traz felicidade e satisfações genuínas. Ao liberar padrões antigos e crenças limitantes que não me fazem bem, eu me aproximo mais da minha verdadeira essência humana. Minha vida é toda sobre experimentar as coisas como elas vem. É uma jornada de autodescoberta, não de autoaperfeiçoamento.

Desde que mudei minha perspectiva, parei de me cobrar. Eu agora falo comigo mesma de forma gentil. Eu me trato com dignidade e respeito. Eu sei que sou digna das melhores coisas que a vida tem para oferecer, e é meu direito ser feliz. Minha felicidade não é algo pela qual tenho que competir.

Eu também escolho me ver como perfeitamente bonita e maravilhosamente imperfeita. Eu celebro meus erros como oportunidades muito necessárias para crescer. Eu celebro o sucesso e o fracasso, porque é isso que me faz mais sábia. Eu trato cada experiência de vida como uma oportunidade para aprender coisas novas sobre mim e outras pessoas.

Além disso, aprendi a me perdoar pelos meus erros da mesma forma que perdoo os outros, sabendo que também sou humana.


Como uma aluna na escola da vida, às vezes me levanto e às vezes caio, e tudo bem. Eu nao me esforço mais para me tornar a melhor versão de mim mesma. Em vez disso, sempre faço o melhor que posso. Quando sei que fiz o melhor que pude, não há espaço para arrependimentos.

Eu sou suficiente e digna, então eu não preciso me provar para ninguém. Nem para mim mesma. Recém-nascidos e bebês não competem uns contra os outros. Eles amam e aprovam a si mesmos como são. Em nossa sociedade orientada para a competição, precisamos nos lembrar mais da nossa verdadeira natureza, que é equilibrada, amorosa e pacÍfica.

Eu acredito que o mundo precisa de menos competidores e mais doadores, pacificadores e aliciadores de almas, e também precisa de mais empatia e compaixão.

No dia em que parei de competir contra mim e contra os outros, eu me libertei


Direitos autorais da imagem de capa: wallhere / 514972

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