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Quando a gente conversa…

quando a gente conversa

Eu já acordo com uma mensagem sua.



E quando não, é você quem acorda com uma mensagem minha.
E assim a gente vivendo todos os dias devagarzinho.

Passo as primeiras horas do dia já dividindo minha vida com a sua. Te conto do que assisto na TV, te conto do transporte público lotado, te conto das primeiras horas do trabalho. E tudo isso ouço de você também.


É bom saber mais de você. É bom saber se você vê a rotina do mesmo jeito que eu. E nem é sobre o jeito mais legal de ver, é sobre, sei lá, o nosso jeito de ver separados. Eu gosto de aprender com as pessoas e, por isso, confesso que passei a ouvir mais aquela banda que você gosta só para eu entender porque você gosta tanto. Acho que isso é bom,

Eu acho que estamos tendo uma conversa infinita. Não se trata de novas, se trata da mesma interrompida e continuada, sabe? Depois do trabalho a gente comenta um pouco um do dia do outro e a madrugada entra sem a gente perceber. Algumas reclamações iguais, alguns almoços em self-service de todo dia, nada muito diferente, mas tudo diferente depois que alguém passa a fazer parte da nossa vida. É por isso que estou gostando da gente. Minha vida virou um filme depois que você apareceu. É engraçado como tudo virou cena de seriado ao te contar, de uma pessoa escorregando no metrô a uma palavra engraçada que ouvi no dia, qualquer coisa que meus olhos veem vão direto para o seu coração e vice-versa. E isso tem me feito bem.

Eu não quero parar de falar com você. Não quero te ver indo embora mal tendo chegado.

É cedo demais para eu dizer que isso tudo vai dar em algo, mas já tem sido bom demais ter um brilho a mais na minha rotina. Sei que ultimamente tenho lido menos livros do que eu lia nos trajetos e horas livres, mas tem sido tão bom te ler um pouco mais também. Já decorei os emojis que usa, o jeito que ri e a hora que dorme me deixando falando sozinho. Acho que já te conheço um pouco.


Quando a gente conversa eu fico bem.
Me sinto à vontade para falar de tudo sobre mim. E me sinto ainda mais a vontade para responder suas perguntas. É tão bom ter alguém perguntando coisas sobre a gente.

A vida não é interessante, somos nós que criamos interesse em viver.

Você tem transformado meu dia a dia.


Rio sozinho no metrô e as pessoas percebem. Ouço seus áudios no whatsapp sem abaixar o volume e sua voz sai alta hahaha. Não te respondo também em áudios porque tenho vergonha em meio a tanta gente. Mas eu gosto de ouvir os seus, gosto de ouvir o jeito que você fala. Você fala bonitinho.

Quando a gente conversa é quando a gente conhece alguém. Não tem a ver com ser bom de lábia – o que é isso? -, tem a ver com ser bom de fazer bem a alguém, isto é, aquilo tudo o que somos, que nascemos aprendendo, mas que esquecemos de praticar. E fazer bem pode ser perguntar para a pessoa o que ela pensa sobre o brócolis e uva-passa no arroz. Fazer bem é tentar fazer o que nunca fizeram. Escrever capítulos inéditos da vida da pessoa.

É muito fácil fazer bem a alguém, a gente só precisa querer mais, nos interessar mais, ser mais quem gostamos de ser e quem gostaríamos de ter.

Quando a gente conversa eu tento te fazer bem do mesmo jeito que você me faz.


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Publicado originalmente em: Um travesseiro para dois

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