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Quando não sabemos como amar, machucamos o outro

Não é de hoje que tentamos desvendar o mistério que é o amor. Escritores, músicos, filósofos e cientistas tentam há anos definir esse sentimento, mas sem encontrar uma resposta definitiva.

Ao longo do tempo, surgiram muitas questões envolvendo o amor. Será que é realmente um sentimento, ou é mais uma ação? Pode ser uma escolha? Qual a melhor maneira de defini-lo?


Dentre muitas concepções sobre o amor, a proposta pelo mestre budista Thich Nhat Hanh propõe uma resposta simples, mas poderosa! Para ele, o amor é um jeito de ser e, apesar de complicado, é uma das experiências mais gratificantes que podemos viver!

O budismo ensina que a compreensão é a necessidade básica da vida. Dessa maneira, para verdadeiramente amarmos uma outra pessoa, é preciso nos dedicarmos para compreendê-la, nos bons e maus momentos. No entanto, tendemos a ficar muitos focados em nós mesmos e em nosso cotidiano, tornando difícil nos dedicarmos o suficiente para entender as outras pessoas sem nossas vidas.

Thich Nhat Hanh explica a importância da compreensão através de uma metáfora:

“Se você derramar um punhado de sal em um copo de água, a água se tornará impossível de beber. Mas se você derramar sal em um rio, as pessoas poderão continuar usando a água para cozinhar, lavar e beber. O rio é imenso e tem a capacidade de receber, abraçar e transformar. Quando nossos corações são pequenos, nossa compreensão e compaixão são limitadas e sofremos. Não podemos aceitar ou tolerar os outros e suas deficiências, e exigimos que eles mudem. Mas quando nossos corações se expandem, essas mesmas coisas não nos fazem mais sofrer. Temos muita compreensão e compaixão, e assim podemos abraçar e aceitar os outros. Aceitamos os outros como eles são e eles têm a chance de se transformar. ”


Agora que entendemos o porquê devemos nos tornar compreensivos e mais amorosos, nós nos perguntamos como podemos fazê-lo.

Thich Nhat Hanh mais uma vez pode nos ajudar com sua sabedoria:

“Quando alimentamos e apoiamos nossa própria felicidade, estamos nutrindo nossa capacidade de amar. É por isso que amar significa aprender a arte de nutrir nossa felicidade. Entender o sofrimento de alguém é o melhor presente que você pode dar a outra pessoa. Entender é o outro nome do amor. Se você não entende, você não pode amar.”

Ele ainda nos ensina sobre a interação dinâmica do amor:

“Se nossos pais não se amassem e não se entendessem, como poderíamos saber como é o amor? A herança mais preciosa que os pais podem dar a seus filhos é sua própria felicidade. Nossos pais podem nos deixar dinheiro, casas e terras, mas podem não ser pessoas felizes. Se tivermos pais felizes, receberemos a mais rica herança de todos.”


Mas ressalta que também é vital compreendermos a diferença entre paixão e amor:

“Muitas vezes, nos apaixonamos pelas pessoas não porque os amamos e entendemos verdadeiramente, mas porque, com elas, nos distraímos do nosso sofrimento. Quando aprendemos a amar, compreender e sentir verdadeira compaixão por nós mesmos, podemos verdadeiramente amar e entender outra pessoa.”

O amor é simples. Nós só precisamos entender isso.


Direitos autorais da imagem de capa: Nathan McBride / Unsplash





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