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Quando o auto-amor esconde o desamor

A nossa era é a era do resgate do poder pessoal e do auto-amor. As fotos mais partilhadas nas redes sociais são capazes de ser “ama-te a ti primeiro”, “aceita-te incondicionalmente “ou “não é egoísta amares-te a ti mesmo”.



Se estás a usar estas afirmações como uma bandeira e não como uma inspiração que te leva à ação correta, podes estar neste momento a viver uma máscara.

A verdade é que ninguém se ama verdadeiramente se não se conhecer. Como se pode amar algo que não se conhece? Consegue-se amar o que se conhece e o que se vê, mas se há portas que não queremos abrir, verdades que não queremos ver, lições que não queremos aprender, informações que não queremos descobrir, esse amor torna-se muito limitado.

O caminho menos percorrido é aquele que continua a ser evitado. Mas, não conseguimos nos esconder dele por muito tempo. Tal como vemos nos dias de hoje, mais perto ou mais longe de nós, cada um está a ser puxado para ele e para este encontro com o mais profundo que existe em nós.


Praticamos pensamento positivo

O pensamento positivo é considerado desamor quando se tenta substituir algo desagradável por algo agradável, para fugir da situação e do que estamos a sentir. Todos nós precisamos de algum alívio, mas este é um jogo perigoso porque estamos a manipular e a suprimir o que está a pedir a nossa atenção.

Da próxima vez que te vires a usar o pensamento positivo para te sentires melhor, lembra-te que o mais importante não é procurar uma emoção melhor, um pensamento melhor, uma situação melhor, mas sim ficar uno com o que é.

Embora implique sentir o que não queres ou confrontar-te com uma realidade que não queres ver, essa atitude vai trazer-te uma atitude positiva perante a vida, porque deixas de ter medo de vivê-la.



Usamos o “deves”

“Eu tenho de…”, “eu necessito de…”, “eu devo de…” podem representar ideias ou crenças que nos foram incutidas. Normalmente, não caracterizam desejos nossos e é por isso que nos causam tanta tensão e stress.

Mantém-te integro em relação ao que realmente necessitas, tens de fazer ou deves fazer e garante que isso não corresponde a um desejo dos outros ou a uma necessidade de aprovação. Consegues saber isso se olhares honestamente para o que estás a sentir, se algo te faz sentir tensão, stress ou irritação é porque não é uma vontade tua.



Achamos que somos perfeitos como somos

É igualmente perigoso a busca pela perfeição como já achar que se é perfeito como é.

Garante que nenhum dos dois parte de um ponto de desamor.


Em relação ao segundo, o fato de abraçarmos a nossa imperfeição não pode servir de desculpa para não continuarmos a olhar e a trabalhar as nossas imperfeições.

Achar que somos perfeitos apenas indica que aceitamos as nossas imperfeições sem dureza, julgamento e crítica. Mas, não significa que permanecemos passivos em relação à sua transformação.


Afirmar-nos só quando outros nos afirmam


O auto-amor ioiô existe quando a fonte dele está nos outros. Quando os outros criam as oportunidades para nós nos sentirmos com valor ele está no seu expoente máximo, mas assim que a fonte se extingue ele volta de novo a minguar.

Fica atento a quando sentes auto-amor, são mais as vezes quando a causa é externa? É daí que vem a tua motivação e força? Ou são mais as vezes quando é um sentimento interior que te expande e inspira nas tuas criações?

O nosso auto-amor não pode estar dependente do exterior, senão torna-se volátil, frágil e inconsistente.



Estamos constantemente a elogiando-nos

“Eu sou fantástico”, “Eu sou top”, “Eu sou 10 estrelas”, eu, eu, eu. Para este discurso não vir do ego, a pessoa teria que não estar identificada com a sua imagem e teria que ter um ego reduzido. Ora, se assim fosse ela não teria este discurso. Pessoas com essas características são bastante humildes e não adoptam a postura de pavão.

Lembra-te que os extremos ainda são a personalidade e o meio-termo é quem nós somos.

Uma postura simples e graciosa expressa mais auto-amor do que palavras que nos enaltecem.



O auto-amor resume-se à imagem

Cultivar muito a nossa imagem e o nosso corpo provém de uma forte identificação com ambos. O auto-amor é um sentimento não corpóreo, um pouco abstrato e espiritual. Ele surge através do encontro com o amor dentro de nós.

Basear o auto-amor em algo que é impermanente, envelhece e que não representa quem somos no nosso íntimo, causa insatisfação mais tarde ou mais cedo, depois do desencantamento.


Podemos começar por aí, mas sem esquecer que esse é apenas o início e não o fim. Se o nosso dinheiro vai todo para sustentar a nossa imagem e o nosso corpo, estamos a gastálo muito mal, porque não estamos a investir naquilo que é eterno.


Conclusão

Estás a usar alguns dos exemplos em cima como a tua bandeira para o auto-amor? A longo prazo não vai resultar porque estás a investir num sonho à beira do fim.

Experimenta investir no teu auto-conhecimento e conseguirás sentir um auto-amor mais puro, forte e genuíno.

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