Quando o furacão chega…

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Oi, tudo bem? Não, né? Eu sei.



Eu poderia me desculpar e dizer que é tudo culpa minha, mas sei que nada disso é certo ou errado. Simplesmente é.

Você pode estar se perguntando quem sou eu.

Bom, deixa eu me apresentar. Eu sou o novo. Eu sou a mudança. Eu sou a sombra sendo iluminada. Sou o reprimido que ressurge. Sou o cavalo de fogo que tinge tudo de vermelho e causa o fim do mundo. Eu sou o novo cômodo da casa, antes invisível.


Eu sou força destruidora. Eu sou energia de renovação. Eu causo um tumulto danado, eu sei bem disso. Como um furacão cheio de força que chega destruindo tudo.

Eu não tenho piedade. Eu não tenho apego. Eu não tenho medo. Eu levo embora tudo o que precisa ser levado.

Vocês se despedaçam por isso. Choram, sentem-se vítimas do mundo, perguntam-se porque isso está acontecendo, sentem-se injustiçados. Dizem, então, que não vão deixar isso acontecer. Então, pegam seus toscos e ingênuos guarda-chuvas, represas, ou seja, lá o que for, tentando lutar contra mim. Viram criaturas ansiosas, controladoras, estressadas e amargas.

Mas que força humana besta seria capaz contra o tsunami? Contra o furacão? Contra o temporal? Por acaso existe?

Não existe, e eu faço questão de mostrar isso o tempo todo. No fundo vocês sabem. E em certo momento, exaustos pela batalha inútil, finalmente começam a se render. É aí que eu entro e consigo fazer a faxina que precisa ser feita.


No final, vocês sempre me agradecem. Acabam pensando: “É mesmo, eu realmente nem precisava mais desse móvel aqui. Nem deste quarto. Que bom!”

E vai ser sempre assim. Vou ser sempre tratado como o inimigo, como a ameaça, como o perigo. Porque vocês ainda só sabem viver com apego, com medo, com ilusão de controle, não importam quantas pauladas eu já tenha dado.

Quando você me deixa finalmente entrar, aí é que consigo fazer o meu trabalho.

Levo embora tudo o que precisa, afinal, algumas bagagens só vão lhe pesar para essa nova viagem, e você, definitivamente, precisa de bagagens novas. Foi isso que você tanto pediu, não é mesmo?

Você quis um novo estilo de vida, então estou limpando dos resquícios do estilo anterior. Você pediu um novo amor, então estou fazendo uma faxina do amor antigo. Você quis ser diferente para conseguir resultados, então estou lhe fazendo mudar nas suas crenças e nos seus ciclos viciosos e tóxicos. Do que você está reclamando, afinal?

Então eu sei que você vai gostar da nova casa. Será muito mais adequada para você. Mas também não se apegue muito, pois você sabe que eu vou voltar e destruí-la também. E espero que alguma coisa você já tenha aprendido após tantas visitas minhas, então sabe que quanto mais se apegar, mais difícil será. Quanto mais você se identificar e se definir como sendo essa nova casa, mais difícil vai ser quando for a hora de a nova surgir, destruindo essa também. Afinal, o grande objetivo é construir uma enorme mansão, não é mesmo?

Bom proveito enquanto essa casa dura. Até o nosso próximo encontro!

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Direitos autorais da imagem de capa: tanacha / 123RF Imagens

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* Matéria atualizada em 30/11/2017 às 3:09






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