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Quando os filhos vão morar com Deus…

Muitas vezes não entendemos o agir de Deus em nossas vidas, e mesmo assim, tentar entender sua decisão é uma tarefa onde não há respostas.

A única certeza que temos é que ele nos ama profundamente, quando nos presenteia diariamente com um radiante e belo amanhecer, restabelecendo a nossa coragem e a nossa esperança em dias melhores.



E se houver tempestades, mesmo uma “pequena” fé no criador nos ajuda a entender o significado do amor diante da sua vontade e não da nossa. É possível, sim, enxergar o sol mesmo em meio às nuvens nebulosas.

Se fosse pela nossa vontade, as pessoas que amamos jamais partiriam, todos nós conhecemos a dor da perda de um ente querido, mas o que nenhum de nós conseguimos imaginar é a possibilidade de ver um filho amado partir inesperadamente para os braços de Deus.

Só de ouvir falar nos acomete uma profunda dor, por acreditamos que seríamos incapazes de continuar a viver, a sorrir, ou a enxergar novamente qualquer beleza no mundo e que morrer passaria a ser o único desejo do nosso coração.


Meu filho Lucas, de 18 anos, partiu em meus braços, subitamente, ao cair e bater a cabeça na quina da churrasqueira em nossa casa, quando me dei conta do ocorrido, eu clamei a Deus por misericórdia mas ele não me poupou desse sofrimento, eu cheguei a maldizê-lo, com todas as minhas forças e no mais profundo do meu ser, eu gritava tanto e tão desesperadamente que após um tranco, já não sabia mais quem eu era. E, até então, vivo há cinco meses como se estivesse anestesiada.

Não sei ao certo o que aconteceu e o que acontece dentro de mim, mas diante de tudo que sinto, é essa força poderosa que me sustenta, dia após dia, e não poderia continuar a maldizer a quem, por amor, apaziguou e transformou amorosamente o meu coração, os meus mais profundos sentimentos e minha alma instantaneamente, só para evitar que eu desistisse imediatamente de viver. Não poderia maldizer  a quem me tirou a dor dilacerante, transformando-a em saudades, não posso maldizer a quem pacientemente me ajuda a perceber a minha nova condição, obtendo em meu coração o equilíbrio que necessito e que me permite usufruir da beleza da vida que prossegue plena e verdadeira como um dia foi criada.

Como eu me sinto após perder o meu filho e o meu marido em dois anos? Poderia citar mil sentimentos, mas neste momento o maior deles é a gratidão, por ser capaz de permanecer firme e com muita vontade de viver, por ter a capacidade de olhar com alegria o céu azul em busca de novos sonhos, por apreciar com alegria o vôo livre das borboletas e cultivar um jardim com as mais belas flores.


Grata por poder ter tido a oportunidade de ser mãe e passado ao meu filho grandes valores humanos e aprendido muito com ele. Grata por amar e ter sido amada verdadeiramente e respeitada mutuamente, grata por Deus me permitir segurar meu filho na sua chegada e na sua partida.

Hoje o que me conforta é a certeza de que eles estão zelando por mim de onde estiverem, e que no cumprimento de nossas missões, eu tive a ilustre oportunidade de fazer parte da vida de pessoas maravilhosas que amo profundamente e que estarão eternamente em meu coração.

Enquanto a Deus:

Salmo 23

O Senhor é o meu pastor, nada me faltará. 

Deitar-me faz em verdes pastos, guia-me mansamente a águas tranquilas.

Refrigera a minha alma, guia-me pelas veredas da justiça por amor do seu nome.

Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte,não temeria mal algum, porque tu estás comigo, a tua vara e o teu cajado me consolam.

Preparas uma mesa perante meus inimigos, unges a minha cabeça com óleo, o meu cálice transborda.

Certamente que a bondade e a misericórdia me seguirão todos os dias da minha vida e habitarei na casa do Senhor por longos dias. 

Esta também era a fé do Rei Davi, depois de terríveis tribulações, ele não se preocupava mais com o que viria amanhã, nem com os problemas atuais, simplesmente ele confiava e descansava, como se sua vida fosse um lindo campo com águas tranquilas e pastos verdejantes.

Não sei por qual situação difícil estão passando agora, mas lhes digo: mesmo com uma pequena porção de fé num Deus grande e poderoso, vocês podem alcançar grandes milagres em suas vidas e um deles é a capacidade de recomeçar. Nossa maior dificuldade é que nem sempre sabemos qual é a vontade de Deus.

A nossa certeza nem sempre está no poder daquilo que queremos, mas no poder que vem de Deus. É ele quem escolhe seus anjos. 

Seja lá qual for o tamanho da dor, uma pequena fé vai lhes ajudar a superar. Não se culpem quando a fé estiver abalada a ponto de não ser grande. O poder não está no tamanho de nossa fé e sim naquele que cremos.

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Direitos autorais da imagem de capa: tatom / 123RF Imagens

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