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QUANDO UM NÃO QUER, DOIS NÃO AMAM!

Foi numa das sessões de terapia que ouvi:


“Eu não sei o que ele sente. Mas eu amo por nós dois.”

Era notável o desgaste, o cansaço emocional e físico no olhar, na pele, na tentativa de sorriso…

E eu senti uma compaixão tão profunda por aquela mulher de seus 40 e poucos, aparentando mais de 50… A vontade era de pegar no colo e cuidar, como se imediatamente eu pudesse curar e apagar todas as feridas dos seus quase 20 anos de casada…


As dependências eram muitas, não apenas emocionais como financeiras. A falta de amor próprio chegava a cegar de tão intensa, unida e formada pelas crenças enraizadas, sendo reproduzidas mecanicamente desde a segunda infância.

O fato é que ainda existem inúmeros casos como estes e podemos encontrá-los muito facilmente. A falta de si, a dificuldade de se reconhecer como ser, antes de conhecer-se como mulher. A criação a moda antiga, as verdades alheias absorvidas, a falta de educação emocional ainda fazem mulheres amarem demais. E acreditarem que podem amar sozinhas.


E não. Isso não é possível.

O amor é reciprocidade constante.

É um querer e bem querer mútuo, é uma troca diária, é uma união de valores. E definitivamente, os opostos não se atraem. E nem podem ter um futuro promissor com apenas algumas semelhanças. Ou gostos. E menos ainda porque a cama é incrível. Há que haver uma sintonia, no mínimo sensacional. Uma sintonia abrangente, ampla, expandida em todos os sentidos.

A perda da identidade dentro de um relacionamento se dá quando a falta amor próprio com o excesso de doação estão em completo desalinho. Não se pode dar mais do que se recebe, isso gera além de desequilíbrio, uma frustração continua que vai aumentando gradualmente conforme o tempo vai passando.

E tudo começa a se acomodar.

E se acentuar.

E quando se vê, quem é você?

Isso quando se percebe que já não existe você, ali.

Em muitos casos, nem se vê.

Você já é o outro.

Então, olhe-se.

Você pode e deve dizer não.

Não ao outro e sim a você.

Sempre sim.

E não ao desamor. Não ao que vai e não volta nunca. Não ao que não vibra dentro do seu coração.

Porque definitivamente não.

Você não nasceu pra amar sozinha.

Juliana Nishiyama





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