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“Quando você se compara, você perde!”

Quando você se compara, você perde!” – Um dia desses, eu me peguei pensando nessa frase, e em todas as vezes que me comparei a alguém. 


Durante toda a minha vida eu me comparei, seja aos meus irmãos, às crianças do bairro em que nasci, aos colegas de classe, faculdade, às novas namoradas dos meus ex-namorados, e por aí vai…

Analisando todos esses anos, percebi o quanto me achava menor, com menos valor do que os outros e, principalmente, incapacitada de realizar qualquer coisa.

Não sabia – sequer imaginava – que me sentir assim só prejudicaria minha vida, meu trabalho e minhas relações. Por não me sentir capacitada, deixei passar diversas oportunidades, acreditando que eu não daria conta.


Claro que esse comportamento era totalmente inconsciente: eu simplesmente usava diversas “desculpas” para justificar meu declínio. 

Há alguns anos atrás, eu comecei a guardar dinheiro. Foi a primeira vez, desde que havia começado a trabalhar. De cada salário pago, eu guardava um determinado valor. Bônus e comissões também faziam parte desta poupança. Meu propósito era o desejo de comprar um carro. Para mim, era importante adquirir esse bem, pois eu me sentiria realizando algo.

A bem da verdade, o fato é que eu sempre busquei realizar coisas em minha vida, mas morria de medo de entrar em algo que pudesse parecer “grandioso”.


Perceba: para muitas pessoas, comprar um carro é só comprar um carro, mas para uma pessoa com a autoestima arrastando no chão, essa compra é algo “grandioso”.

Eu tinha a consciência de que poderia realizar o que quisesse, mas procrastinava qualquer tentativa de realização. Prova disso é que enrolei cerca de um ano para comprar esse carro, mas mantive o foco em poupar uma parte de meu salário.

Num dia como outro qualquer, conversando com colegas de trabalho, eu me deparei com uma proposta que me levantou um sonho muito antigo: viajar para a Califórnia.

Não foi a primeira vez em que realizei um sonho como esse, mas escrevendo esse texto, lembrei-me dos comentários e olhares dos meus pais sobre minhas realizações. A falta de fé que tinham em mim, em nossa origem, de certa forma humilde e desestruturada. Quando uma garota nascida naquela família seria capaz de realizar algo?!

A construção da minha autoestima foi basicamente feita com frases como: 

“Trabalhe para comer e pagar as suas contas”.

“Não gaste dinheiro com hobbies e diversões, isso tudo é passageiro”.

“Se não engolir o choro agora, vai apanhar e chorar mais”.

“Case-se e, independente das circunstâncias, mantenha-se firme no casamento”.

“Filhos dão trabalho, não tenha”.

Meus pais me ensinaram tudo o que podiam, com a consciência, educação e visão de mundo que receberam/tinham.

Esse texto não tem a intenção de culpar ninguém de nada, simplesmente nada. É apenas um breve relato do que já ocorreu comigo, e que, por ventura, pode estar acontecendo com você.

Vivemos em uma sociedade que exerce um estado de praga biológica constante. Somos predadores de nós mesmos, e, completamente inconscientes desse comportamento, educamos nossas gerações a se comportarem de forma exatamente igual.

Sabe que hoje (sim, o dia de hoje), após meditar sobre comparações e sentimentos de menos valia, eu me deparei com minha linha do tempo, com o processo de construção de minha autoimagem, e vejam: “Eu ainda me comparo com outras pessoas”. 

O grande problema é a forma, o como se dá essa comparação. Se você se compara com o outro com consciência, você terá capacidade de enxergar o objetivo de comparação, mas não se identificará com ele. Porém, o que acontece na maioria das vezes é uma comparação inconsciente: você se rebaixa, culpa e critica, tudo isso por não ter ou ser como o outro, e é exatamente aqui que mora o perigo!

Exatamente quando estamos com a autoimagem desfigurada, temos grande chance de nos deprimir com as conquistas ou talentos dos outros.

É um exercício constante de observação, de atenção e foco no momento presente. Qualquer piscada ou cochilo e você entra novamente na comparação inconsciente, retornando aos sentimentos de menos valia, incapacidade e críticas excessivas.

Escrevi tudo isso olhando para o meu próprio passado. Deixei de fazer muitas coisas legais por me sentir incapaz de fazer. Perdi muito com essa falta de consciência, diminuindo a mim mesma e me vitimizando, machucando-me.

Com base em muitos estudos, vivências e silêncios, busquei e busco ter cada vez mais consciência de quem eu sou, de meu valor e qualidades. A construção da autoestima é constante: a cada degrau que subo, eu chego mais perto da realização de meus sonhos.

Não é à toa que escolhi trabalhar com autoestima, pois acredito fielmente que a imagem que temos de nós mesmos é que nos ajudará a realizar o que quisermos. Se você não acreditar em si mesmo, se não confiar em si, quem vai confiar?

Portanto o primeiro passo para realização de seus sonhos é: “Conhece-te a ti mesmo”, reconheça os medos e crenças que o limitam, busque ajuda profissional, recupere sua autoestima e autoconfiança, pois só assim você se sentirá seguro em sua vida, trabalho e relacionamentos. 


Direitos autorais da imagem de capa licenciada para o site O segredo: konradbak / 123RF Imagens





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