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Quantas vezes brincamos de Deus?

Quem nunca, em sua sã liberdade de pensamento se viu alterando alguns ciclos da vida? Pulando algumas etapas ou voltando no tempo? A mente é como uma página que vamos preenchendo e tantas vezes gostaríamos de modificar a ordem dos fatos ou deletar certas partes do roteiro. Pena que nada disso nos permite transformar a realidade imediata. Por isso, brincamos de ser Deus.



Quem nunca desejou acordar em outro lugar pouco antes de fechar os olhos para dormir. Logo ali em Paris, por exemplo. Estar descalço na areia da praia quando o trabalho se tornou estressante demais. Se transportar para os braços de alguém quando a distância ou outro motivo provocaram saudades. Entrar em estado de analgesia quando foi necessário suportar uma dor.

Quantos finais imaginamos para uma história, quantas lágrimas já imaginamos evitar, quantas vidas já queríamos que fossem salvas, quantas pessoas tentamos mudar?

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Como naquele filme “O Todo Poderoso”, nós já questionamos o Universo, questionamos o que deu errado, o esquecimento de Deus, questionamos até as coisas surpreendentes que já passaram pelo nosso caminho sem saber se era mesmo para nós.

Quantas vezes queremos estar onde não estamos? Preferimos estar em algum lugar melhor, fazendo coisas mais interessantes, realizando sonhos sem nenhum esforço. Nunca veríamos países sem fome, discursos sem exemplos, filhos sem mãe.

Ao brincar de Deus imaginamos sempre a vida nos poupando, nos presenteando, nos suportando. Até porque nem tudo é suportável. Nem nós mesmos diante de algumas situações.

Brincando de Deus, conseguimos transformar tudo em festa, vitórias e conquistas. Nos recriamos ricos, sem problemas, sem nem mesmos com aquelas questões e pendências diárias que temos que contornar ou resolver. Ah se pudéssemos…


Brincar de Deus

Nos vemos sem chefes, sem trânsito complicado, sem noites mal dormidas, sem cansaço, sem perguntas sem respostas. A sensação sempre boa de saber que todos estão bem e todo bem está vencendo o mal. Não há culpas, nem ressentimentos. É um mundo resolvivel, fácil.

Jean Paul Sartre uma vez escreveu que temos fundamentalmente o desejo de ser Deus. Talvez ele tenha dito isto porque o próprio teve este desejo. Culpa por querer ser Deus? Não. E se existisse culpa, Ele nos perdoaria. Afinal, entenderia que sempre queremos ser ou parecer com os que são melhores que nós.


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