Quanto mais vazia a carroça, mais barulho ela faz… [reflexão e vídeo]

3min. de leitura

Uma das grandes preocupações de nosso pai, quando éramos pequenos,



consistia em fazer-nos compreender o quanto a cortesia é importante na vida.

Por várias vezes percebi o quanto lhe desagradava o hábito que têm certas pessoas de interromper a conversa quando alguém estava falando. Eu, especialmente, incidia muitas vezes nesse erro.

Embora visivelmente aborrecido, ele, entretanto, nunca ralhou comigo por causa disso, o que me surpreendia bastante.


Certa manhã, bem cedo, ele me convidou para ir ao bosque a fim de ouvir o cantar dos pássaros.

Atendi com grande alegria e lá fomos nós, umedecendo nossos calçados com orvalho da relva.

Ele se deteve em uma clareira e, depois de um pequeno silêncio, me perguntou:


Você está ouvindo alguma coisa além do canto dos pássaros?

Apurei o ouvido alguns segundos e respondi:

Estou ouvindo o barulho de uma carroça que deve estar descendo pela estrada.

Isso mesmo… disse ele. É uma carroça vazia…

De onde estávamos não era possível ver a estrada e eu perguntei admirado:

Como pode o senhor saber que está vazia?

– Ora, é muito fácil saber que é uma carroça vazia. Sabe por quê?

Não! Respondi intrigado.

Meu pai pôs-me a mão no ombro e olhou bem no fundo dos meus olhos, explicando:

Por causa do barulho que faz. Quanto mais vazia a carroça, maior é o barulho que faz.

Não disse mais nada, porém deu-me muito em que pensar.

Tornei-me adulto e, ainda hoje, quando vejo uma pessoa tagarela e inoportuna, interrompendo intempestivamente a conversa de todo o mundo, ou quando eu mesmo, por distração, vejo-me prestes a fazer o mesmo, imediatamente tenho a impressão de esta ouvindo a voz de meu pai soando na clareira do bosque e me ensinando:

– Quanto mais vazia a carroça, maior é o barulho que faz!

Por: Wallace Leal Rodrigues

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* Matéria atualizada em 24/12/2013 às 5:22






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