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Que amor é esse?

E de repente ele está lá. O amor dos contos de fadas.

Um alguém tão compreensivo, aquela pessoa que escuta com paciência toda sua história e demonstra grande empatia em sua dor, seus momentos difíceis, seus desafetos e abandonos.


Você não entende como demorou tanto para encontrar alguém assim, aos poucos vai se entregando a um certo “encantamento” pelo ser que aparece perfeito. Um olhar fixo em cada palavra sua, uma vontade enorme de estar ao seu lado a todo tempo. Ninguém mais é tão importante, afinal esse novo alguém parece suprir todos os seus desejos e anseios.

A sensação é de um lugar seguro, alguém que, enfim, você pode confiar. E então, você não precisa de mais ninguém, já encontrou o ser altruísta, cuidadoso, ardente, protetor, paciente que sempre buscou.

Cada dia mais essa pessoa faz parte de sua vida. Aquele espaço onde o ser humano se sente só, aquele vazio parece não ter mais lugar.


Então, de repente você começa a sentir um certo cansaço, um esgotamento mental, uma fadiga excessiva, uma vontade meio esquecida de ficar só e ouvir aquela música, ou simplesmente de ter aquela conversa gostosa com um amigo antigo.

E agora, onde estão todos? Como eu pude me desconectar de tal forma do resto do mundo? Quem mesmo são meus amigos? Quem sou eu? Quem eu era antes de você?

Você não consegue entender como isso foi acontecer. Como em uma teia de aranha, tudo parece estranho, você não sabe mais quem são seus amigos, o que fazia para se divertir. Mas, não adianta tentar fugir, pois você está preso.


Um cativeiro psicológico. Aprisionado em um emaranhado de manipulações. Sua missão é servir, servir e atender todos os desejos de seu amor.

Que amor é esse?

Agora você não tem mais o direito de fazer suas próprias escolhas, de encontrar seus velhos amigos, de dançar até o dia amanhecer. Você não precisa de nada disso e não ouse desobedecer seu amor perfeito e suas exigências insaciáveis.

Sua identidade foi roubada, sua alegria foi sucumbindo aos poucos. Sua vida não é mais sua.

É preciso abrir os olhos, está na hora de acordar.

Você não precisa ser o escravo que veio ao mundo para servir a demanda sem fim de seu manipulador psicológico, de seu narcisista perverso.

Saia logo daí, antes que seja tarde demais.

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Direitos autorais da imagem de capa: fesenko / 123RF Imagens





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