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Que aprendamos a ter gratidão por aqueles que chegam, por aqueles que vão. Porque é o curso da vida…

Falamos sobre tantos assuntos, mas alguns parecem ser tabus.


Parecem nos causar assombro, falamos da vida, mas não da morte, sabemos da nossa finitude mas não paramos para pensar sobre ela.

A verdade é que vivemos no espaço, não no tempo, creio que o tempo não exista de fato. Ele é infinito, e alguns infinitos são maiores do que outros.

Parei para observar a vida um pouco de longe e me dei conta de que ela é tão sábia que imita a natureza: passa por estações… primaveras onde tudo são flores, verões que nos aquecem o corações, outonos que nos dão frondosos frutos das sementes que um dia plantamos, e os invernos frios que nos fazem por vezes ficar dentro de nossos casulos.

Assim como na natureza, nossa vida passa por dias de sol e grandes tempestades, e ao fim do dia, por vezes, um lindo arco-íris nos aguarda.


É como se a natureza sutilmente nos enviasse mensagens que, de tão sublimes, passam despercebidas.

Assim como na natureza, a vida é feita de chegadas e partidas, vidas que chegam e vidas que se transformam.

Sim, a morte nada mais é que uma transformação.


Se a semente não morre, não pode a árvore crescer e dar os frutos que a tantos alimentam. Se a lagarta não morre, não se transforma em borboleta que aos nossos olhos encanta. Os frutos que não são consumidos, transformam-se então em adubo para as árvores e assim ajudam a formar novos frutos, a missão foi cumprida, a vida encontrou uma forma de se fazer vida ainda que onde pareça ser o fim.

Não sabemos lidar com a finitude das coisas, seja de nossas vidas, seja dos ciclos pelos quais ela precisa passar. Falar em morte não é falar necessariamente da morte física, mas sim, dos encerramentos necessários.

É preciso encerrar uma estação para que outra chegue e cumpra seu papel, é preciso encerrar ciclos, é preciso deixar partir, é preciso morrer uma parte nossa, para que outra renasça. Se não houver um fim, um início nunca chegará.

Basta observarmos o crescimento do nosso corpo, a criança perde seus dentes para que os novos dentes que vão ficar por uma vida inteira possam chegar. Nossas células se renovam a cada dia, nosso cabelo que cresce. É tudo tão cíclico, tão simples, tão infinito

O nosso problema é que, às vezes, costumamos ver tudo longe demais, inclusive aqueles que amamos. Na nossa jornada por aqui, é comum ouvirmos dizer que quando alguém cumpre seu ciclo, vira estrela.

Então, eu me dou conta de que, quando falamos isso, colocamos quem amamos numa distância tão longa, que nos parece impossível alcançar, não nos damos conta de que quem amamos, faz morada em nosso coração, como pode, então, estar longe quem em nós habita?

Quando tivermos dúvidas, é só olharmos para nossos corpos, nossos filhos, os corações que pulsam e termos a certeza de que a grandeza da vida que recebemos não está em lamentarmos por quem se foi, mas sim, por agradecermos por terem feito nossas vidas, ainda que num breve instante, um lugar melhor para se estar.

Que aprendamos a ter gratidão por aqueles que chegam, por aqueles que vão. Por ciclos que começam e por ciclos que terminam. Porque esse é o curso da vida. Um infinito ir e vir, viver e morrer, começar e terminar, plantar e florescer. Cada coisa no seu tempo.





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