ColunistasReflexão

Que o amanhã seja doce…

Bem propício para essa época é pensar no amanhã e bem ao estilo Gonzaguinha, nessas alturas todos em coral responderiam: – Responda quem puder! Só que ninguém ousa desejar ou imaginar o que será do amanhã! Sabemos sim, nosso amanhã perdeu definitivamente o milésimo de romantismo, que ainda insistíamos em acalentar. É, cortou a nossa onda e nem adianta pular sete ou mil. Rasgaram nossa lista de metas e objetivos bem na nossa cara.



E, aliás, cadê as caras pintadas? Deram beijinho no ombro, câmbio, chamando…chamando…Ninguém na escuta! Nós nos tornamos estranhos em nossa própria morada?

Talvez fosse interessante questionar sobre isso ou na nossa forma torta de organização social e dessa vez sem dar “jeitinho” em nada, caindo bem na real. Sem fogos de artifícios, roupa branca ou outras crendices. Crenças! Vamos repensar.
Desapegar das tradições, superstições, para faxinar de vez a preguiça de mudar. Dá trabalho arrumar, com certeza! Quem quer mexer nas gavetas?!! Agora é a hora de dissipar a poeira, limpar a sujeira escondida por tudo quanto é canto. O meu, o seu, o nosso! Pensemos do micro ao macro!


Uma boa lição é quando estamos em viagem. Observamos mais, falamos menos e estamos sempre atentos a qualquer movimento. O escritor João Ubaldo Ribeiro simplifica o que significa ser um “estranho” em outra terra, em seu livro Um Brasileiro em Berlim e argumenta na frase: “Ele não sabe o que quer dizer amanhã…”, ou seja, ficamos diferentes e nos sentimos esquisitos longe daquela terra em que nascemos e ilusão ou não, temos a esperança de saber onde estamos pisando. Começa demonstrando isso, por exemplo, irritando-se com a quantidade “exasperante” de preposições na língua alemã.

Ao menos, no Brasil, essas passam desapercebidas ou despercebidas? Vejam como no português essas duas palavras que parecem ser sinônimos não o são: a primeira é desprovida e a segunda distraída! E o modo de um e outro País encarar a vida?

Como podem os alemães ter tanta certeza de tudo, enquanto os brasileiros não sabem o que farão na próxima meia-hora? Talvez seja aquela facilidade filosófica continua João Ubaldo, na sua reflexão, de tudo se resumir nisso: o “devenir” humano e a tal “imanência do ser”, que aquele povo gosta de intelectualizar “mentindo” a respeito das leituras universitárias. Batalhas à parte, seu conselho e recado fica bem claro: When in Roma do as the Romans do (Quando em Roma faça como os romanos fazem) e avança dizendo ser uma atitude que cabe para todas as línguas.


Respeito à cultura alheia! A verdadeira empatia de tentar colocar-se no lugar do outro, no corpo do outro e ler a mente desse outro que não sou exclusivamente “Eu”. Seguro em terra firme e no aconchego do “meu” conforto. O que é “amanhã” em português está longe de ser o “amanhã” berlinense, italiano, africano, americano, coreano, libanês, palestino, israelense, português, mexicano, angolano ou onde seja a Conchinchina escolhida para ser ou estar. Pois, no Brasil, esse amanhã pode nunca chegar ou vir a acontecer, porque estamos muito ocupados vivendo o hoje. E como questiona Ubaldo: – Como alguém pode marcar alguma coisa com tanta precisão e antecedência, esses alemães são uns loucos!

E tá aí mais uma antiga lenda que deve rolar ladeira abaixo, “quem viaja ou viajou e ficou por um tempo grande em outra cultura sente sempre e ininterruptamente, aquela saudade do Brasil”. Acho mesmo, é que a intraduzível saudade em outra língua, ficará nas saudades por um bom tempo de todos nós brasileiros e que o amanhã, mesmo assim, seja doce! São meus votos para 2017!!!

Viver um relacionamento a dois é como voar no céu de brigadeiro…

Artigo Anterior

4 coisas surpreendentes que acontecem quando você encontra sua alma gêmea!

Próximo artigo

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site.