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Que se dane meu jeito inseguro!

“Desculpe o auê, eu não queria magoar você, foi ciúmes sim, fiz greve de fome, guerrilhas, motins, perdi a cabeça, esqueça”. Essa música já foi tema da minha vida, quando eu tinha quatorze anos e terminei um namoro por causa de ciúmes, ela virou a trilha sonora do meu rompimento, do namoro e depois que reatamos, percebemos que no amor não cabia essa palavra traiçoeira: o ciúme.



Costumo dizer que o problema não é o ciúme, mas uma série de sentimentos que existem por trás dele: medo, insegurança, possessividade, controle, carência e tantas outras neuroses que podem ser camufladas por esse sentimento. Parece que o ciúme é crime de menor potencial ofensivo, ele merece ser despenalizado, merece ser perdoado, afinal quem não sente ciúmes do ser amado?!

Acho que o ciúme devia ser considerado crime de perigo concreto, só deveria aflorar quando houvesse razões suficientes para o alarme. Porém, a insegurança é a mãe da ficção, roteirista do delírio e escreve cenas e mais cenas de ciúmes por um perigo meramente abstrato, paranoico ou esquizoide. Uma criação da mente onde o final é a comprovação derradeira de que o inseguro tinha razão: há o risco de uma iminente traição.

Lembro-me do texto de Artur da Távola – Coisas que a vida ensina depois dos 40 – onde ele diz, brilhantemente: ciúmes não torna ninguém fiel a você. O ciúme é uma prisão, onde o encarcerado não é o objeto do ciúme e sim, aquele que tem a ilusão de estar no controle do ser amado, guiando passos, controlando celular, vasculhando bolsas, checando extratos de cartão de crédito. O ciumento quer dominar até seu pensamento.


Nada mais controlador que ouvir: “no que você tá pensando? Depois, investiga seus olhares, desconfia do seu cansaço, acha que seu vigor e energia foi gasto com outra pessoa. Qualquer gesto em falso, pode desencadear uma crise, uma histeria cujo abcesso vem do ventre.

O ciúme é uma falta existencial, um medo do abandono de si mesmo, como se ao perder o outro, nos perdêssemos também. Na verdade, só se perde no abandono do outro aquele que não possui a si mesmo, não é dono da sua própria inteireza, não se apoderou de sua própria completude e jamais compreenderá o que é amar com saúde!

Na ausência da saúde, o amor vai se esvaindo! A insegurança é como câncer, se alastra, dá metástase, compromete os órgãos vitais, deixamos de respirar e sem ar, paramos de bombear o coração, por fim, morremos. Se estivermos mortos como amaremos?


“Que se dane meu jeito inseguro, nosso amor vale tanto”. Se o amor realmente vale tanto, e se por esse amor, você seria capaz de roubar os anéis de saturno, dispa-se da sua insegurança, procure um analista, faça meditação transcendental, encontre seu eixo, seu amor próprio e a razão da sua própria existência. Sem isso, não existirá ninguém no mundo capaz de preencher seu vazio, aplacar sua carência.

Gente assim não ama, apenas experimenta a co-dependência. Melhor se mandar mesmo e procurar a saída…de emergência!

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Texto escrito com exclusividade para o site O Segredo. É proibida a divulgação deste material em páginas comerciais, seja em forma de texto, vídeo ou imagem, mesmo com os devidos créditos.




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