Comportamento

“Quebramos estigmas em papéis gays”: Jake Gyllenhaal sobre atuação em “O segredo de Brokeback Mountain”

Capa Quebramos estigmas em papeis gays Jake Gyllenhaal sobre atuacao em O Segredo de Brokeback Mountain

O ator fala sobre ter interpretado um homossexual enrustido em uma época em que a pauta sobre orientações sexuais não era tão difundida.



“O segredo de Brokeback Mountain” foi um filme inovador que levou a indicações ao Oscar por ambas as estrelas, Heath Ledger e Jake Gyllenhaal. O segundo ator, também conhecido por trabalhos como “Donnie Darko” e “O abutre”, recordou em uma entrevista sobre os impactos deste trabalho em sua carreira.

No entanto, Gyllenhaal, que foi indicado como melhor ator coadjuvante no Oscar de 2006, falou recentemente sobre o “estigma” associado a assumir e interpretar um papel gay em um filme sobre dois cowboys que embarcam em um relacionamento complexo e emocional durante várias e várias décadas.

Em uma entrevista ao The Sunday Times, Gyllenhaal foi questionado se as pessoas teriam “uma reação diferente” a dois homens heterossexuais assumindo os papéis em “O segredo de Brokeback Mountain” hoje do que em 2005.


Jake diz que não sabe avaliar essa suposição, mas que talvez a recepção nos tempos atuais seria outra. O ator disse que parte da polêmica na época ficava por conta do fato de tanto ele quanto seu falecido parceiro de cena, Heath Ledger – conhecido pelo icônico Coringa da saga “O cavaleiro das trevas” – eram homens heterossexuais. Ele sentia que havia um estigma sobre interpretar papéis como aqueles e foi muito importante para ambos os artistas quebrar esse tabu.

2 Quebramos estigmas em papeis gays Jake Gyllenhaal sobre atuacao em O Segredo de Brokeback Mountain

Direitos autorais: Reprodução / Focus Films.

Gyllenhaal acredita que seu trabalho e o do parceiro no filme abriram caminhos para que atores de diversas vivências pudessem interpretar papéis diversos, que não deveriam ser limitados a um número seleto de pessoas

“O Segredo de Brokeback Mountain” foi um dos poucos exemplos em que atores heterossexuais assumiram papéis gays convencionais, e se tornou indiscutivelmente o filme de maior sucesso de seu tipo, com oito indicações ao Oscar e três vitórias, incluindo melhor diretor por Ang Lee, responsável pelo longa.


O filme foi um marco para o cinema focado nas pluralidades de identificações de gênero e sexualidade e ainda tem um impacto cultural até hoje, anos depois de sua estreia, e influencia muitos cineastas LGBTQIA+.

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Direitos autorais: Reprodução / Focus Films.

No entanto, nos últimos anos, as reações do público quanto a atores heterossexuais assumindo papéis de personagens LGBTQIA+ mudou, uma vez que, com a ascensão da discussão de pautas sociais como esta nas redes sociais e a mídia, ocorreu um receio de que atores heterossexuais estivessem assumindo papéis de atores LGBTs, que poderiam ser mais adequados para os papéis, pois além da habilidade, teriam uma vivência próxima do que é representado em seu papel.

Recentemente, o escritor e produtor Russell T. Davies, criador de uma série aclamada e específica sobre o público LGBTQIA+, intitulada “É um pecado”, da HBO, disse que era contra artistas héteros desempenharem papéis queer. Ele argumentou para a Radio Times que a autenticidade que se ganha escalando pessoas LGBT para interpretar membros dessa comunidade na ficção tem resultado em ótimas produções.


No entanto, várias estrelas queer, incluindo a da série “É um pecado”, Neil Patrick Harris, argumentaram que atores heterossexuais deveriam ter permissão para interpretar personagens queer, desde que o fizessem com respeito. Muitos atores experientes foram elogiados por suas atuações como personagens queer e ganharam vários prêmios por isso, como o próprio caso de Gyllenhaal e Ledger em “O segredo de Brokeback Mountain”.

Recentemente, o ator Ewan McGregor ganhou um Emmy, o principal prêmio da televisão estadunidense, por interpretar o estilista gay Roy Halston em “Halston” do Netflix.

McGregor, que é hetero, falou sobre assumir o papel em uma entrevista ao The Hollywood Reporter, no qual disse que se a história fosse focada apenas na sexualidade de seu personagem, talvez o certo seria que um ator gay o interpretasse. Porém, ele avalia que no caso desta obra, o fato de Halston ser membro da comunidade LGBTQIA+ era apenas uma parte de quem era.


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