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Quem é o motorista branco que viralizou ao expulsar passageira por racismo

Foto: Reprodução
Quem é o motorista branco que viralizou ao expulsar passageira por racismo

James W. Bode, o motorista de aplicativo da Pensilvânia (EUA) que expulsou uma passageira do carro após ela fazer um comentário racista antes da corrida, já havia defendido que pessoas se sentissem “horríveis e envergonhadas pela forma como tratam os outros” nas redes sociais.

O motorista ganhou destaque após publicar o vídeo da corrida em que uma mulher “comemora” ter pego um funcionário branco — como ela — e o chama de “um cara normal, que fala inglês”, mostrando racismo não só contra negros, mas contra imigrantes que falam outras línguas nos EUA.

No Facebook, James W. Bode agradeceu o apoio das pessoas após a repercussão do caso. “Para todos que estão estendendo a mão e mostrando apoio, obrigado. Eu aprecio isso, de verdade. Mas é assim que deve ser em todos os lugares, sempre. Eu não deveria ser ‘o cara’ que fez ou disse isso… Todos nós deveríamos ser essa pessoa. Fale se estiver desconfortável com isso, porque isso deixará os racistas desconfortáveis.”

Bode é natural de Northampton, na Pensilvânia, e estudou Comunicação Gráfica na Universidade Millersville da Pensilvânia.

Ele é pai de um menino de 7 anos e trabalha com aplicativos de transporte desde 2019.

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James W. Bode, motorista de aplicativo branco que expulsou mulher com falas racistas – Direitos autorais: Reprodução/ Facebook

Ele comentou nas redes sociais que começou com a Uber, em novembro daquele ano. Em uma publicação, Bode chegou a mostrar os valores que recebeu por meio do aplicativo.

“Nas últimas semanas, tenho feito Uber para manter minha renda estável. Eu sei que as viagens podem ser caras para os passageiros, especialmente nessa época do ano [inverno nos EUA], mas eu queria ressaltar, para quem não sabe, que o Uber fica com a maior parte do que você paga”, escreveu ele.

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Direitos autorais: Reprodução/ Facebook

Em março deste ano, ele pediu informações para os amigos sobre possibilidades de empregos remotos. “Procurando um horário estruturado sem precisar sair de casa. Posso atender/fazer chamadas telefônicas e tenho meu próprio computador. [Estou] apenas procurando começar algo novo”, escreveu ele.

Posições políticas

Em 2017, durante o fim do primeiro ano de mandando do ex-presidente dos Estados Unidos, o republicano Donald Trump, Bode contestou a atuação do político no país.

“Estou curioso: o que Trump fez realmente de bom desde que assumiu o cargo? Eu realmente gostaria de evitar uma discussão política, se isso ainda for possível, mas sério… Alguém pode dizer alguma coisa que ele fez para melhorar a vida de todos ao invés de agradar apenas alguns? Como uma coisa genuinamente, de bom coração, não prejudicial. Nomeou um parque em homenagem a um herói caído, limpou um gueto em uma área empobrecida, algum tipo de avanço na ciência, algo na área de educação, etc.”

“Parece que a maioria das pessoas que gosta do que ele fez até agora apenas apoia porque irrita a maioria das pessoas que têm opiniões opostas. O que ele representa? Que bem ele quer trazer? Existe alguma coisa em sua agenda que ele possa fazer acontecer sem cortar alguém no processo?”, escreveu ele, que ainda pediu para que as pessoas não “vomitassem ódio” nos comentários da publicação.

Em agosto de 2020, após a explosão dos movimentos antirracistas nos Estados Unidos, decorrentes do assassinato de George Floyd em maio daquele ano, Bode escreveu um texto criticando atitudes racistas e afirmando que apoiava “fazer pessoas se sentirem horríveis e envergonhadas pela forma como tratam os outros.”

“Parece que recentemente, com tudo dando tão errado no mundo, as pessoas estão começando a se unir e encontrar sua voz e realmente poder falar livremente sobre como se sentem em relação a grandes questões”, escreveu ele. “Isso realmente me mostrou que muitos de vocês são um bando de racistas, cheios de ódio. É hilário que a maioria de vocês afirme trabalhar duro, ser cristão e a quantidade de porcaria que compartilham e dizem só prova que há tanto ódio em seu coração.”

Expulsão de passageira

O incidente que viralizou nas redes sociais ocorreu na noite de sexta-feira (13). No vídeo, a mulher, identificada como Jackie Harford, ficou surpresa com a aparência do motorista antes de entrar no carro com o companheiro e, ao vê-lo no volante, diz: “Uau, você é tipo um cara branco. Você é um cara branco!”.

No início, Bode parece não acreditar no teor da declaração e pede para Jackie repeti-la. E ela responde: “Você é tipo um cara normal. Você fala inglês”. Assim que percebe que o motorista se ofendeu, Jackie começa a se desculpar e a dar leves tapas em seu ombro, com o propósito de contornar a situação. Contudo, o motorista repudia o comportamento da cliente e pede para se retirar do veículo. “Não, você pode sair do carro”.

Ele ainda acrescenta: “Isso é completamente inadequado. Se alguém que não fosse branco estivesse sentado neste banco, qual seria a diferença?”.

O casal lançou xingamentos e ameaças ao motorista, que aproveitou para gravar as agressividades. Em um dos trechos do vídeo, o homem diz: “Eu poderia lhe dar um soco na cara”. “Isso é agressão”, rebateu Bode, antes de chamá-los de racistas.

Mesmo assim, Jackie e o companheiro continuaram atacando o motorista, chegando a chamá-lo de “amador de negros”, dando uma conotação pejorativa à fala. “Cai fora daqui”, gritou. “Estou chamando a polícia para você cara, está tudo na câmera”.

Jackie Harford e o marido são proprietários do bar de motoqueiros Fossil’s Last Stand em Catasauqua. No momento em que James W.Bode é informado disso, ele os ameaça com a divulgação do vídeo. “Isso é ótimo, todo mundo vai saber.”


Se você presenciar um episódio de violência contra crianças ou adolescentes, denuncie o quanto antes através do número 100, que está disponível todos os dias, em qualquer horário, seja através de ligação ou dos aplicativos WhatsApp e Telegram.

O mesmo número também atende denúncias sobre pessoas idosas, pessoas com deficiência, pessoas em restrição de liberdade, população LGBT e população em situação de rua. Além de denúncias de discriminação étnica ou racial e violência contra ciganos, quilombolas, indígenas e outras comunidades tradicionais.

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