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Quem é você no espelho? (Texto inspirado no vídeo Rihanna – Love On The Brain)

Quem é você no espelho?

Ontem apareceu na minha linha do tempo o clipe de uma música: Uma mulher à espera de alguém para um encontro marcado em alguma rede social. Os dois não se conhecem pessoalmente. Normal, acontecimento do cotidiano nos dias e relacionamentos atuais.


No local do encontro, percebemos a sociedade que nasce em meio aos vazios da busca por aceitação e padrões quase que impostos por todo o tipo de segmento. Tudo nos empurra a sermos iguais a todos. Sociedade padronizada em busca de felicidade.

Ela, sozinha, espera por sua companhia. Parece não estar bem consigo mesma. Parece não se reconhecer na pessoa que está ali.

Desconfortável, tímida, medrosa, inerte. Uma personagem, talvez criada por uma mente insegura consigo própria. Outra pessoa. Uma figura caricata de si, com vontade de agradar, parecer bonita, mostrar-se “consumível”, tentando causar boa impressão, pois acredita que não há mais tempo para uma segunda oportunidade. Hoje em dia é considerado ridículo perder. Consideramos inaceitável não ser aceito.

Mas tudo que ela quer é AMAR e ser AMADA.

E é muito complexo esse mundo das relações humanas, sobretudo as de natureza sentimental. São muitos os que estão à procura não de uma outra pessoa, mas de um produto, de qualquer coisa que possam exibir, mesmo sem nada a ver com sentimentos e afinidades, muitas vezes, preocupam-se  mais com aparências e posses do que com o afeto. É esse comportamento em massa que estimula outros a desejarem ser quem não são. Isso os motiva a correr atrás de uma imagem distorcida de sua verdadeira pessoa, não se aceitarem mais. Começam a se descobrir descartáveis e rejeitáveis.


A imagem desvirtuada no espelho, a imagem distorcida no reflexo, isso é o que veem: Seus próprios pensamentos, traços indesejáveis de aparência e personalidade, que a sociedade apodrecida pelo consumo das relações passageiras, não mais quer aceitar.

O grande problema é o temor da solidão. Nós nos sentimos pressionados pela coletividade para tornarmos mínimo o nosso tempo sozinho. Cobram-nos ter centenas de amigos, redes sociais abarrotadas, fotos, festas, bens, beleza, corpo invejável e com isso acabamos com medo de ser rejeitados, acabamos por temer a solidão. Passamos a achar que nos conhecer melhor é perda de tempo, desaprendemos a nos amar.

O mundo está girando numa velocidade desmedida, as esperas, as renúncias, o autoconhecimento parece não caber mais em nossa rotina. As marcas do tempo vêm carimbar isso.

O espelho muitas vezes assusta e nos mostra o que não queremos ver, mostra a realidade, mas é ela a quem devemos ter respeito, domínio e aceitar.

Mas “por que sou como sou?”, “por que não poderia ter nascido diferente?” Quem nunca se questionou a ponto de colocar em dúvidas sua própria autoestima? Às vezes, esse mundo lá fora, egoísta, exigente e perfeitinho está bem dentro de nós. E o contrário, igualmente, é um fato. A falta de autoafirmação traz problemas ao longo do tempo. Aceitar sua aparência, seu emprego, suas condições financeiras não é obrigatório, existem mil e uma maneiras de mudá-las. O que não se pode é viver triste por tê-las. Aceite ou mude. A felicidade estará em uma dessas caixas. Se a caixa da mudança estiver difícil de abrir, comece pela caixa da aceitação, é lá que os primeiros vestígios de felicidade começarão a se tornar realidades, lá estão os primeiros passos para um “novo eu”.


Voltando ao clipe, foi isso que nossa personagem fez. Ao ver tantos “casais” tão diferentes, tão distantes, tão ligados apenas por imposições sociais, ali, coexistindo, ali tão próximos e tão afastados, decide ser ela mesma, decide tirar toda aquela carga de mentiras que pôs sobre ela, resolveu abrir a caixinha da aceitação e tentar ser feliz do jeito que ela é.

E foi assim que começou sua história, redescobrindo-se, aceitando-se, amando-se como ela é no espelho, mostrando ao mundo que para ser linda e desejada, só precisa ser ela mesma.

Sempre vamos encontrar alguém depois de encontrarmos a nós mesmos. O amor verdadeiro nasce no coração e não nos olhos. Estar só é uma bela opção, sem dúvidas, mas sofrer e ser infeliz em consequência disso é que não é!

Ser feliz é que é prioridade!


Direitos autorais da imagem de capa licenciada para o site O Segredo: antgor90 / 123RF Imagens





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