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Quem manda aqui sou eu

QUEMMANDAAQUISOUEU2

Ele chega em casa cansado, volta com o transporte da escola e o trânsito na capital é sempre um caos.



Eu o pego no portão, subimos, deixo que ele se restabeleça, vá ao banheiro, lave as mãos, o rosto e depois tome um pouco de água.

Então lhe digo:

-Vamos fazer a lição de casa agora, depois você toma banho e come alguma coisa.


Ele janta na escola então não tenho muita preocupação com a alimentação, porém, como percebem tento seguir uma rotina – crianças precisam muito de rotina para que possam se desenvolver de forma organizada.

Sento-me com ele á mesa que é específica para que ele realize as tarefas, na qual estão todos os materiais que ele possa precisar. A tarefa consiste em contar os elementos e escrever o numeral referente à quantidade correta em um quadrado, em seguida ele deve pintar cada elemento. São figuras como flores, carros, árvores, pirulitos.

Ele não gosta de pintar desenhos com lápis de cor, prefere pintar com guache em folhas em branco.

-Eu não quero pintar mamãe. Eu já fiz a tarefa, mas não gosto de pintar estes desenhos.


Então ele se levanta e vai em direção aos instrumentos musicais que também estão no quarto querendo que eu lhe dê as aulas de música que costumo dar sempre depois da tarefa de casa, tentando sorrateiramente se livrar de sua obrigação escolar.

-Arthur, você tem que pintar as figuras, faz parte da tarefa, é uma ordem.

-Você é chata! Eu quero tocar piano!

Minha vontade é dizer um monte de coisas do tipo: “sabe quando eu falava assim com a minha mãe? E bla bla bla”


Todavia sou abençoada pelo anjo do bom senso naquele momento e então faço silêncio e o encaro até que ele baixe os olhos. É uma forma de vencer a batalha.

Mas ele é teimoso.

-Eu já vou fazer cinco anos e já posso tomar decisões.

-Arthur pinte os desenhos! Agora.


QUEMMANDAAQUISOUEU2

Foram quase meia hora naquela pequena batalha na qual eu aumentei o tom de voz e perdi as estribeiras – confesso – até que ele finalmente se deu por vencido, pintou os desenhos e então nos sentamos ao piano.

Não! Definitivamente uma criança de cinco anos não está pronta para tomar decisões e, se fosse assim, ela poderia estar morando sozinha e buscando seu próprio sustento. Humanos precisam dos pais até a idade adulta, não são como as outras espécies que podem deixar os pais assim que aprendem a andar!

Não é nada fácil educar um filho e se dedicar a vencer as pequenas batalhas diárias para que ele entenda que a regra do jogo na vida consiste em cumprir as obrigações, mesmo que elas não sejam tão agradáveis. Muitos pais desistem alegando não terem paciência, nem tampouco tempo e se apegam ao falso conceito de que crianças de cinco, dez ou doze anos podem escolher se vão ou não fazer a tarefa de casa, se vão ou não tomar banho, se vão ou não comer ou a que horas querem dormir. Vejo crianças escolhendo aonde a família vai se sentar no restaurante. Vejo crianças que se negam a escrever simplesmente porque não gostam.  Vejo crianças escolhendo livremente o que vão assistir na TV cujos pais acreditam que tudo isso é independência, quando na realidade se trata de comodismo deles.


As crianças podem sim escolher, podemos barganhar com elas uma roupa que desejam vestir, o que preferem comer dentro das possibilidades disponíveis no momento, o horário no qual vão realizar a tarefa, mas tudo dentro de uma rotina estabelecida pelos pais e flexibilizada dentro das condições deles.

A liberdade em demasia é sempre interpretada pela criança como falta de afeto e pode gerar sérias consequências tais como a tirania infantil, a baixa autoestima e a total intolerância ao cumprimento de regras na fase adulta.

Vejo alguns exageros tais como crianças sendo endeusada por seus pais nas festas infantis, tal qual elas fossem realeza. Vejo pais completamente coniventes com as escolhas dos filhos por não cumprirem as regras e os compromissos como se a vida fosse apenas fazer o que se gosta. Vejo famílias abandonando suas crianças entre rios de brinquedos para levarem suas próprias vidas também fazendo apenas o que gostam.

Não funciona assim queridos leitores. Educar um filho é uma obrigação dos pais, talvez em alguns momentos tão desgastante quanto é pintar para o meu Arthur que prefere a música, mas é uma obrigação e o não cumprimento dela traz catastróficas consequências. Antes de culparem quem quer que seja pelo desempenho e pelo comportamento de seus filhos em qualquer ambiente ou circunstância que seja, reveja as suas ações e modifique-as enquanto é tempo.


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