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QUEM SOMOS NÓS NESTA ERA DE REDES SOCIAIS VIRTUAIS?

Fico impressionada com o poder que as redes sociais têm sobre o nosso dia-a-dia. É como se fosse um espaço em que todos somos jornalistas, todos somos filósofos, todos somos fotógrafos, todos somos bonitos e donos da verdade e tudo isso é mostrado para o planeta, praticamente sem custos, com direito a tradução imediata.


As vezes fico com vontade de fazer uma pesquisa sobre o tema. Creio que política, religião, economia e até mesmo família e a forma de nos relacionarmos não serão mais os mesmos depois desta era. Todos estamos sendo empurrados para essa avalanche de informações que o nosso cerébro não consegue processar. É tudo muito louco e estressante! Percebo o comportamento de alguns que estão no facebook mas não postam nada e nem curtem nada. Outros, que só postam e não curtem. Outros, que só curtem e não postam. Outros que fazem tudo: postam, curtem, comentam, compartilham, batem papo.

Alguns fazem a propaganda de seus negócios, outros, de seus candidatos, outros, de seu esporte preferido e outros de sua crença. Alguns adoram publicar desgraças e outros amam compartilhar esperança. Há ainda aqueles que nunca dizem quem realmente são, bem como outros que se mostram demais. Há os que acreditam na sua lista de amigos ao ponto de expressar sua depressão e arriscar serem julgados ou ajudados.

Outros, demonstram sua alegria sem medo de serem invejados. Outros, expõem seus corpos de forma narsicista. Outros, vêem tudo isso e tiram suas conclusões em silêncio. Outros já cansaram de tudo que perderam até a própria senha. Uns selecionam bem os amigos e, mesmo assim, ainda não confiam em todos. Outros, aceitam todos indiscriminadamente sem precisar confiar em nenhum pois nada postam que os comprometa.


Mas que mundo maluco esse!!!Uns se perdem e outros se acham! Interessante que essas faces são um retrato falado da nossa raça cibernética em que estamos tão próximos e ao mesmo tempo tão distantes uns dos outros. Conhecemos o mundo inteiro e não conhecemos a nós mesmos.

Eu vejo verdades, vejo hipocrisias e falsidades, vejo ingenuidades, vejo troca de status como se troca de roupa. Vejo incoerência, malícia, vejo ironia, vejo também protestos e muita idolatria. Eu vejo Deus, vejo ações, reações, motivações, julgamentos, lições de moral, isenções, calúnias, enganos, armações.Vejo vingança, nas entrelinhas, indiretas. Vejo ação social, correntes e ajudas. Vejo o que não temos mais tempo de ver pessoalmente mas que está dentro de cada um de nós.


Mesmo aqueles que tentam mostrar quem não são, acabam dizendo quem são. Aqueles que dizem quem realmente são, pagam o preço de serem vistos como nunca foram. Parece filosófico, mas é meio louco tudo isso. E se queremos nos relacionar com todos, temos que engolir cada deficiência e acreditar que essa ferramenta ainda pode fazer algo bom e durável numa sociedade anônima mesmo com tantos nomes e sobrenomes nas telas. Se não queremos, podemos cortá-las da lista, mas elas continuarão existindo e incomodando os corações, mesmo que invisíveis aos olhos. Cada novo amigo que chega e cada ex-amigo que sai é uma possibilidade de sermos curados ou feridos diante dos nossos olhos nas telas de nossos celulares ou computadores.

O amor estendeu a sua mão para nos alcançar, mas o ódio e a maldade estão na mesma distância de nós. Que saibamos viver esse tempo sem perder a sanidade, a razão, o coração, sem perder a humanidade e com a intenção de evoluir e não regredir, de amenizar as dores, não acentuá-las, de sermos melhores, não piores. De respeitarmos as diferenças e cada decepção seja um momento de sair dessa dimensão e entrar em oração.

Que os bons relacionamentos sejam mantidos. Que os relacionamentos doentios sejam abandonados. Que aprendamos a viver no nosso mundo virtual, já que no mundo real quase não há mais habitantes!

Adriana Garcia.

 





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