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Queremos viver e não apenas sobreviver!

Porque viver não tem receita!

Somos de uma criação muito doida (e doída também, corretor automático. Dessa vez você acertou em cheio). Os garotinhos crescem ouvindo que “homem não chora”. Então, desde pequeninos, aprendem que devem prender o choro e aguentar a dor em silêncio contido. As meninas já nascem predestinadas à maternidade. E quando nasce o filho, a sociedade as culpa se o bebê chora, se faz manha, se faz birra. “A mãe deveria ter criado melhor”.



Quanta bobagem! Homem mesmo é aquele cara que chora vendo filme, beijando a amada, carregando o bebê pela primeira vez, dando amparo à cabeça do cachorrinho de estimação que está a partir para o céu. Mulher mesmo é aquela que decide se quer ser mãe ou se quer criar flores no jardim sem culpa nenhuma. E quando escolhe uma coisa ou outra, faz tudo com amor e não com manual de instrução, com bula, com receita. Porque viver não tem receita!

Mas como eu disse, somos de uma criação muito doida. Fomos ensinados que vale muito mais aquela pessoa que aguenta firme e forte os trancos e barrancos sem reclamar, sem desistir, sem chutar o balde. Aí, então, nos deparamos com uma massa imensa e triste que não sai do trabalho que odeia, que não termina o namoro fracassado, que não pede ajuda quando está se sentindo mal. É que gente que faz isso é tida como louca e como fraca.

Tem que ser casca grossa para aturar um chefe rude e déspota. Tem que ser duro na queda pra ficar no relacionamento que já acabou faz tempo. Tem que ser firme e forte pra estar no fundo do poço e não pedir ajuda pra sair. Fomos aprendendo que esses aí são os fortes, são os exemplos. São modelos a serem seguidos. São pessoas de sucesso. Aquele que faz o contrário é um coitado que não é forte o suficiente pra aguentar as barras da vida.

Cair, levantar, desistir, recomeçar, aprender e ensinar – tudo isso – é viver! Do contrário, a gente está apenas sobrevivendo…

Pois sim. Mas quem foi que disse que a vida tem que ser uma barra? Por que é tão louco assim o cara que largou o emprego que detestava para correr atrás de um sonho? Porque é tola a garota que terminou o namoro de anos quando percebeu que já não havia mais o feeling de antes? Por que o rapaz que vai ao psicólogo e toma remédios para se curar da depressão é um fraco?


Nós, acostumados a julgar, mal percebemos que criticamos tanto essas características no outro porque elas moram – silenciosamente – na gente também. Ser louco, tolo ou fraco não é para gente fracassada. É para seres humanos. Ser casca grossa, duro na queda e firme e forte é que não deveria ser pra gente de carne e osso. Deixa isso para os robôs, para as máquinas. Gente sorri, chora, pede colo, dá a mão, sente medo, raiva, dúvidas. Ama e odeia, quer e não quer. Gente não é forte o tempo todo. Gente sente arrepio, sente cócegas, sente frio e calor. Gente gosta e desgosta. E a gente, ora, a gente é gente! Não tem essa de que, pra ser bom, tem que ser um convicto inveterado. As melhores pessoas que conheço são livres, leves e soltas. As pessoas mais felizes que conheço diriam que casca grossa é tronco de árvore e não pessoa humana, feita de carne, osso e história.

Tudo bem, nos ensinaram a ser assim! Mas vamos trocar o disco, sintonizar um novo canal, virar a página. A gente faz essas atualizações todas com as máquinas, por que cargas d´água deixar de fazer com a gente mesmo? A gente pode e deve ser mais carne e menos osso, tá? Sabe aquele momento em que você para e diz pra si mesmo “eu não precisava estar passando por isso…”? Pois então, é isso! Você não precisava mesmo! Ser mártir de situações de infelicidade não lhe trará o troféu rumo ao céu. A autodestruição não lhe fará mais capaz, mais querido, mais inteligente. Talvez você se torne, no máximo, mais indiferente à dor dos outros já que a sua própria dor não te comove. E dá até um medo bem desesperador de que daqui a algum tempo, as telas dos tablets e celulares sejam mais sensíveis que os seres humanos.


É que quando aprendemos que temos que ser duros e frios diante de nossas dores e sentimentos de dúvida, começamos a achar que barbaridades de todo tipo são coisa banal, coisa que passa toda noite no Jornal Nacional. Mas, gente, não é normal, não!! Normal é sair à noitinha e tomar um sorvete de casquinha. Guerras, estupros, suicídios e assassinatos são barbáries, são crimes. São coisas de gente que foi criada como se fosse pedra e atirou a rudeza para acertar o coração mole de quem vinha passando.

A moral dessa história é que cair, levantar, desistir, recomeçar, aprender e ensinar – tudo isso – é viver! Do contrário, a gente está apenas sobrevivendo…

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Texto escrito com exclusividade para o site O Segredo. É proibida a divulgação deste material em páginas comerciais, seja em forma de texto, vídeo ou imagem, mesmo com os devidos créditos.




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