Comportamento

“Quero ser uma menina”: casal faz festa revelação de “segundo gênero” para filha

Assim que a família soube que a filha era trans, entendeu na mesma hora que precisaria de toda ajuda e apoio que conseguisse para que o processo fosse o mais tranquilo possível para ela.



O gênero e a sexualidade são categorizações diferentes para questões que cientistas, psicólogos, médicos e psiquiatras buscam compreender.

Assim que nascemos, um gênero nos é atribuído, normalmente relacionado à nossa genitália. Portanto, quando um indivíduo nasce com órgãos íntimos masculinos, a ele é atribuído e gênero masculino, e quando nasce com órgãos íntimos femininos, logo recebe o gênero feminino.

Assim que esse indivíduo recebe um gênero (muitas vezes acontece antes mesmo de nascer), espera-se que ele cumpra papéis que lhe são atribuídos. Caso o gênero seja feminino, os itens de consumo serão de menina e, com o passar dos anos, precisa incorporar atitudes e gostos de uma mulher, e vice-versa.


Acontece que nem sempre aquele gênero atribuído é o certo. Com a popularização das redes sociais, a despatologização da homossexualidade e das identidades trans pela Organização Mundial de Saúde (OMS), a quantidade de estudos sobre o assunto e relatos na internet aumentaram.

Existem duas formas de experienciar o gênero, de uma forma cis (indivíduos que recebem a generificação assim que nascem e concordam com ela), e de maneira trans (indivíduos que não concordam com o gênero que lhes foi atribuído e que transitam entre eles).

As pessoas transgênero buscam ocupar os espaços assim como quaisquer outras, e tem sido cada vez mais comum nos depararmos com seus relatos na internet ou na vida real. Julie Hindsley, mãe de duas crianças, percebeu que enfrentaria algo que não tinha nenhuma referência quando ouviu seu filho gritar no banheiro que queria ser uma menina, ele queria que ela o fizesse se transformar em uma garota.

Direitos autorais: reprodução/arquivo pessoal.


A maioria dos adultos trans relatam que, desde que se lembram, já tinham plena consciência de que ocupavam o “corpo errado”. Homens que nasceram mulheres e mulheres que nasceram homens, e isso é uma certeza tal qual o céu ser azul.

A mãe, no momento em que recebeu aquela revelação, saiu do banheiro e contou ao marido o que havia acabado de acontecer e, segundo relato para o site Love What Matters, ambos não sabiam o que dizer.

Julie não se lembra ao certo o que disse quando voltou ao banheiro, mas acredita que tenha comentado que não é um processo simples, mas que estava ali para ajudar e que poderiam começar deixando o cabelo crescer.

Nenhum pai ou mãe sabe lidar com essa situação, principalmente porque é um assunto considerado tabu, invisibilizado na nossa sociedade, que permite que a violência contra esses corpos seja alimentada diariamente.


Direitos autorais: reprodução/arquivo pessoal.

A criança mudou seu nome para Ella, e a mãe conta que desde que começou a se expressar já gostava de coisas de que as meninas cisgênero gostavam. Usava os sapatos da mãe, camisetas que viravam vestidos, toalhas enroladas na cabeça viravam cabelos longos. Quando ia brincar, só aceitava ser algum personagem feminino, e nas fotos os pais precisavam desenhar cabelos longos.

Julie começou a pesquisar o que poderia estar acontecendo, principalmente porque nossa sociedade é organizada de tal forma que qualquer pessoa que fuja do padrão cisnormativo seja considerada “desviante”, como se algo estivesse errado. No primeiro momento, a mãe acreditava que o filho poderia ser homossexual, mas sempre que pesquisava sobre o assunto, deparava-se com algumas narrativas transexuais.

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Sem querer se aprofundar no assunto, Julie tentava se convencer de que Ella sabia que era um menino, e que amigos e familiares tentavam empurrar alguns estereótipos de gênero em cima da criança, na esperança de que aquela fase fosse encerrada o quanto antes.

Mas a família toda precisaria lidar com a realidade, e era melhor aceitar o quanto antes. A mãe conta que voltou a se apaixonar pelo marido incontáveis vezes desde que abraçaram essa jornada juntos, e arrisca dizer que ele lida melhor com tudo isso do que ela.

É ele quem a abraça quando o choro não consegue ser contido, quem combate suas preocupações exacerbadas a respeito do futuro, quem a faz lembrar diariamente que só podemos ter controle sobre nós mesmos.

Direitos autorais: reprodução/arquivo pessoal.


Direitos autorais: reprodução/arquivo pessoal.

Quando o pai comprou a primeira boneca de Ella, os dois demonstraram a maior felicidade possível, quando ensinou ao filho mais velho a importância de proteger a irmã, quando indicou documentários sobre o assunto a amigos e familiares, quando pediu que todos passassem a chamar a menina pelo nome que havia escolhido e por pronomes femininos, quando decidiram fazer uma nova revelação de gênero para a filha.

Julie conta que, em todos esses pequenos momentos, ela se apaixona novamente pelo marido. Em alguns, porque ela não está pronta para lidar com aquela situação, e ele toma as rédeas; em outras, porque vê o impacto positivo que isso causa na vida da filha. O processo de transição nunca é fácil para ninguém e, para os pais, vem acompanhado do luto simbólico, como se aquele filho tivesse partido.

Direitos autorais: reprodução/arquivo pessoal.


Na nova revelação de gênero de Ella, Julie e seu marido quiseram deixar claro que a filha não é um erro, como muitos querem que ela pense. As imagens servem também como apoio aos pais que estão passando pelo mesmo processo neste exato momento, lembrando que as perguntas e incertezas sempre vão existir, nada pode ser feito em relação a isso. O que os pais querem não é apenas que os filhos sejam felizes? Então esse deve ser o guia, principalmente quando os momentos forem

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