Pais e FilhosReflexão

Quero ter filho porque…

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Existe o momento certo para se ter um filho? Até que ponto essa decisão é de fato consciente?



Racionalmente, é fácil encontrar as condições ideais para o momento da chegada de uma criança. Primeiramente, as pessoas pensam na situação econômica, na estabilidade da relação e no fator idade. Pelo menos isso é o que dizemos, a princípio, se precisarmos dar uma resposta automática. Mas, como sabemos, nem sempre os filhos chegam nesse mundo sistematicamente planejado. O que então de fato influencia na decisão de ter um filho?

A motivação humana é algo estudado há algumas décadas e até hoje não se chegou a uma conclusão que abarque as diferentes variáveis que podem influenciá-la. O que se sabe é que cada corrente da ciência “puxa sardinha” para um lado. Umas atribuem uma grande importância ao inconsciente, outras ao comportamento social, algumas privilegiam o aspecto biológico. Ou seja, a variedade de aspectos a serem estudados é grande devido a sua complexidade.

Vamos então formular não mais respostas, mas questionamentos que precisam ser levados em conta quando o assunto é uma grande escolha como essa.


Alguém já parou para pensar que ninguém é roboticamente programado para desejar a mesma coisa durante toda a vida? E que dependendo da situação que estivermos vivendo, tenderemos a querer determinadas coisas? Mais ainda, que não necessariamente estamos em condições de fazer escolhas, mesmo quando no momento em que fazemos acreditamos que somos donos de nossa vontade?

Geralmente, nos damos conta de que iríamos nos arrepender quando o impulso passa. Aí temos aquela sensação de alívio por não termos feito algo. Ou seja, a ficha cai depois, quando não estamos mais embriagados por grandes cargas de neurotransmissores que muitas vezes nos cegam para alguns riscos. São eles que nos encorajam a tomar certas decisões. O que é bom, mas também perigoso. Seja uma tatuagem, a compra de um carro, a passagem de uma longa viagem, grandes aventuras e… Por que não a decisão de ter um filho, que é algo incomparavelmente importante? Precisamos compreender que assim como em todos os casos, a decisão de engravidar ou adotar uma criança, por mais bela que seja, carrega consigo uma série de motivos para acontecer. Há justificativas por trás de um desejo ocorrer no momento em que ocorre. Não é algo aleatório ou isolado.

Por isso, assim como não devemos fazer uma tatuagem para impressionar uma pessoa, ou tentar passar uma imagem que não é nossa, não deveríamos ter filhos pensando nos ganhos secundários que eles podem nos trazer. Seja um amor idealizado nunca correspondido, um status social, a realização do sonho de um terceiro (familiar ou parente), o preenchimento de uma rotina vazia que faça pensar que um bebê resolveria todos os problemas, ou até mesmo uma fantasia infantil da boneca que tínhamos quando crianças. Alguns casais, por exemplo, resolvem ter filhos quando estão em crise no casamento, pensando em salvar a relação, ou quando não estão satisfeitos com aspectos variados da vida e sentem a necessidade de algo novo. De fato, tudo isso faz parte do nosso imaginário, e não é preciso se autocondenar ou tentar controlar esses pensamentos. A questão que levanto é a necessidade de identificá-los, para não mergulharmos nesse novo mundo com olhos vendados, pois, de uma forma ou de outra, aquilo que estamos adiando ou disfarçando, aparecerá para resolvermos. Com filho ou sem filho. A realidade não possui nenhum compromisso com a fantasia, isto é, sem dúvida acontecerão coisas que não eram previstas.

O mundo das grávidas, dos bebês e etc. é sim como um sonho cor-de-rosa em alguns momentos. Porém, não é nada tão diferente de todas as outras situações da vida. No geral, nada é tão bom quanto parece, nem tão ruim. As coisas são o que elas são. O amor é sim força geradora e transformadora, mas também magoamos (principalmente) os que amamos. Assim também é entre pais e filhos. Os conflitos familiares geralmente surgem devido a frustrações de expectativas, arrependimentos e conflitos internos anteriores, os velhos desconhecidos.


Por isso, encarar essa decisão de forma realista é um ato de amor para com esse novo ser que chegará!

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