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Quilo do pão francês aumenta em padarias e donos colecionam reclamações de clientes

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Pao frances

Os donos de padarias de São Paulo estão colecionando reclamações dos fregueses após a alta do preço do pão francês. Em alguns estabelecimentos da cidade, o quilo do pãozinho já chega a custar quase R$ 20.

Nathalie da Silva, que atende os clientes em um estabelecimento na Cidade Tiradentes, na Zona Leste da capital, viu as reclamações, já frequentes desde o início da pandemia, se intensificarem agora.

“Às vezes o cliente chega, vê que três pãezinhos dá R$ 2 e comenta que está muito caro. Já teve cliente que até pediu, e aí, na hora que eu falei o valor, a pessoa desistiu e foi embora”, contou a gerente comercial da Padaria Nova Vitória.

O preço do trigo vem subindo desde o ano passado, mas acelerou em meio à guerra na Ucrânia, um dos maiores produtores do grão. Desde o início das tensões em fevereiro, o preço do quilo do pão francês nos estabelecimentos da cidade, aumentou entre 2% e 4,5%, segundo o Sampapão, grupo que integra o Sindicato dos Indústrias de Panificação de São Paulo.

De acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o aumento da farinha de trigo nos últimos 12 meses foi de 16,26%. Já o preço do pãozinho aumentou 7,20% no mesmo período na capital.

Em dezessete padarias nas zonas Norte, Leste e Oeste da capital paulista. A reportagem verificou que sete padarias aumentaram o valor do pão francês de fevereiro a março. Todas disseram que a alta no preço do trigo foi o principal motivo do reajuste. Uma ressaltou a alta do dólar.

Outras três padarias, que desde o início de 2022 cobram o mesmo valor no pãozinho, disseram que devem aumentar o preço nos próximos meses. Duas delas ressaltaram que já compraram a farinha por um preço mais caro em março, mas ainda não repassaram os custos aos clientes.

Além da guerra, o Sampão também ressaltou o impacto do aumento do preço do combustível, da energia elétrica, do aluguel que incide em todos os custos dos produtos.

Apesar da alta, o presidente da associação destacou o esforço das padarias para não repassar os aumentos dos valores aos consumidores.

“Todas as panificadoras de São Paulo estão fazendo o impossível para não aumentar os preços visto a situação econômica do brasileiro”, destacou Rui Gonçalves, presidente do Sampapão.

Aumento desigual

Desde o final de fevereiro, o valor do quilo do pão francês subiu de R$ 11,90 para R$ 13,90 na padaria em que a Nathalie trabalha, no extremo da Zona Leste da capital.

O reajuste foi quase 16% maior do que o encontrado pela reportagem em uma padaria em Pinheiros, bairro de classe média alta na Zona Oeste.

A gerente comercial da padaria em Cidade Tiradentes disse que o produto pode ficar ainda mais caro nos próximos dias.

“Reajustamos por conta do aumento do valor da farinha de trigo e pode ser que seja necessário reajustar novamente amanhã ou depois, se aumentar mais a farinha”, disse Nathalie.
Segundo Nathalie, o aumento desagradou a clientela.

A reclamação é sempre a mesma, eles dizem:

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“Eles [clientes] reclamam muito, mas nós falamos que não temos o que fazer porque se nós não acompanharmos [os reajustes], acabamos no prejuízo”, disse.

“O dólar e a guerra, é o que eles falam”

A padaria do Júnior Paixão, na Barra Funda, Zona Oeste, subiu o preço do quilo do pão francês na última segunda-feira (21) de R$ 17 para R$ 19,30.

Outro produto que também leva farinha de trigo sofreu reajuste na padaria dele: o pão na chapa.

“Aumentaram o preço da farinha e eu já estou pagando mais caro. O dólar e a guerra, é o que eles [fornecedores] falam“, disse Júnior.

Dificuldades para substituir

O senhor João Roberto, de 65 anos, costuma sempre comprar o pão francês em uma padaria na região da Brasilândia, na Zona Norte da capital. Ele acredita que, apesar do aumento, ainda não vai substituir o produto.

“O pão ainda não dá para substituir, se não a gente vai precisar começar a fazer pão em casa”, comentou.

“Não tem como reclamar do aumento, está aumentando tudo. O valor do combustível, por exemplo, está horrível. Então, você precisa segurar e apertar, porque parece que não tem outro jeito”, disse.

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