Espiritualidade

A realidade e a ‘’sua’’ realidade

Por que algumas pessoas têm medo de determinadas coisas e outras não? Por que eu sou sempre quem mais se preocupa com tudo? Como podem existir pessoas que conseguem não se abalar em certas situações que, para mim, parecem o fim do mundo? Por que a energia negativa dos outros me afeta tanto?



Eu sou fraco? Sou medroso? Sou exagerado? Sou anormal?

Na verdade, é algo bem mais profundo e significativo do que isso.

As coisas externas te afetam de acordo com o espaço que ocupam e o formato que elas têm dentro de você. Tudo o que acontece do lado de fora e te afeta só é percebido por você porque também existe do seu lado de dentro. Caso contrário, você seria incapaz de perceber a sua existência. O exterior que você vê é uma projeção, um reflexo do seu interior. Você só consegue ficar ciente de algo quando aquilo também está dentro de você – mesmo que não esteja aflorado naquele momento – e faz parte da sua memória. Você só nota e é atingido por algo quando existe alguma lembrança ou crença dentro de você que faz com que você identifique aquilo como real. E quanto mais determinada emoção, crença e lembrança estiver crescida e forte dentro de você, mais você irá se identificar com ela no mundo exterior – e vivenciará seus efeitos.


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Sabe quando uma pessoa não diz nem faz nada, mas você sabe que ela está irritada? Você só consegue perceber isso porque reconhece aquela irritação lá dentro de você. Você nota a existência da irritação da outra pessoa porque conhece essa emoção, já a experimentou, ela deixou a memória dela dentro de você. Caso contrário, você não seria capaz de notar, porque não saberia que essa emoção existe.

Se uma pessoa com raiva se aproximar de um bebê, o bebê não vai perceber que essa pessoa está com raiva, nem será afetado por ela. Ele não conhece a raiva, ele nunca vivenciou a raiva, ele não sabe da existência da raiva. Mas você percebe, até mesmo quando a outra pessoa tenta disfarçar. Porque você reconhece aquele sentimento, já que ele faz parte das suas memórias e está aí dentro de você. Então, mesmo que você não queira e mesmo que não esteja irritado, aquela raiva, de alguma forma, começa a fazer parte da sua experiência. A intensidade do quanto ela te afeta depende da força que aquele sentimento já tem dentro de você. Talvez te afete muito e te deixe também com raiva, ou talvez você apenas perceba que ela está ali e nada mais.

É por isso que, se você não quer absorver a energia negativa alheia, é muito mais eficiente trabalhar para limpar e purificar o que há dentro de você do que tentar mudar os outros.


O mesmo vale para sentimentos positivos. Se uma pessoa com energias positivas se aproxima de você, o quanto você vai ser contagiado por aquela energia boa depende do quanto de energia positiva há dentro de você. Se não houver alegria em seu interior, você não vai conseguir levar para a sua realidade a alegria da outra pessoa.

É desse mesmo jeito que funcionam aquelas coisas que nos deixam mal no dia a dia: preocupações, ansiedades, medos… Você só se preocupa, fica ansioso ou sente medo porque há algo dentro de você (um trauma, uma lembrança, uma crença, uma história que ouviu…) que faz disparar essa preocupação, ansiedade ou medo. Se você não tivesse algo que estimula essas sensações dentro de você, não seria possível que elas se tornassem reais.

Uma criança não tem medo de começar a tentar andar, apesar de toda a dificuldade que ela tem para conseguir. Seus pais sabem que é perigoso pois ela pode cair, mas ela não, afinal, nunca teve contato com aquele medo.

Você tem medos porque eles fazem parte de você, não porque aquilo de que você tem medo é realmente algo ameaçador ou perigoso. De alguma forma seus medos se tornaram parte de você: seus pais te falavam algo contra isso na infância, você sofreu um trauma ou acidente, ouviu alguma história ruim, absorveu uma crença limitante…


Se você passou a vida inteira ouvindo sua família dizer que pra ter algo na vida é preciso trabalhar duro, que não é fácil ter dinheiro e que quem não se mata de trabalhar é vagabundo, é assim que você vai sempre acreditar que sua vida tem que ser: dura, trabalhosa, pesada, difícil. Isso é a realidade para você. Você não vê a possibilidade de ser próspero trabalhando de forma leve e tranquila como algo real. Mas essa é a realidade de várias pessoas – não apenas as que “já nasceram ricas”, como as suas crenças podem estar fazendo você pensar enquanto lê isso.

Enquanto você está aí, lendo esse texto, é possível que outra pessoa também esteja lendo-o. Mas, apesar de as palavras serem as mesmas, essa leitura vai significar coisas diferentes para você e para ela. Você vai ler e se identificar mais com alguns trechos e menos com outros, e o que vai tirar da leitura depende das suas experiências, conhecimentos e valores construídos. A outra pessoa vai se identificar mais com outros exemplos, outras frases, porque aquilo que toca a outra pessoa não é o mesmo que toca você. Esse texto diz uma coisa para você e diz outra coisa para a outra pessoa. Você vai absorver a leitura de uma certa forma, e a outra pessoa de outra.

Entende por que existe a realidade e existe a SUA realidade?

O objetivo dessa reflexão é trazer para a consciência o fato de que TUDO o que você vê, lê, ouve e interpreta é a SUA realidade, e não a realidade pura. Trazer para a consciência o que é que faz você enxergar as coisas da forma que enxerga é um trabalho profundo de autoconhecimento. Alcançar esse entendimento pode te ajudar a ter muito mais clareza sobre suas emoções, reações e formas de pensar.


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Saber que você não vê o mundo como ele é, e sim como você é, te ensina a ser mais tolerante, aceitar e respeitar os outros – e também a tolerar, aceitar e respeitar a si mesmo. E também pode te orientar para que você perceba o que pode mudar em si mesmo para enxergar as coisas de uma forma mais positiva.

Se você quer melhorar o seu filtro interno para que a sua realidade tenha mais positividade, amor, coragem, paz e felicidade, experimente algumas ações que ajudam a ressignificar o que existe dentro de você:


  • Alimente sua mente com coisas positivas – pense em coisas boas, leia livros com mensagens motivadoras, veja filmes inspiradores, leia notícias positivas. Boa parte das suas memórias foram compostas por estímulos externos, então comece agora e usá-los a seu favor.
  • Faça um esforço para olhar para todas as pessoas com olhos de amor e de empatia. Coloque-se no lugar do outro e pense como gostaria de ser tratado; transmita energias de amor a todos, principalmente àqueles que menos fazem isso.
  • Tente com boa vontade enxergar o que os seus problemas podem te ensinar de positivo.
  • Obtenha novos estímulos, novas experiências e novas reflexões. Elas podem fazer você chegar a novas conclusões e modificar seus filtros para melhor.

  • Purifique sua mente: medite, fique em silêncio, faça limpezas internas, dê adeus àquilo que não te faz bem, livre-se de expectativas e coloque-se no momento presente.
  • Identifique suas crenças – ter consciência delas é o primeiro passo para libertar-se de suas limitações.
  • Pratique Ho’oponopono, a terapia havaiana de cura de memórias – se você não conhece, fique de olho que vou escrever um post bem completo sobre o assunto nas próximas semanas.

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