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Reciprocidade e indiferença…

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É recíproco. Ou foi, pelo menos por um tempo. Primeiro trocamos sorrisos, poucas palavras e nossos telefones; depois algumas mensagens, por fim nossos sentimentos. É, foi recíproco.



Foi recíproco, quando meia palavra já nos completava, quando nos entendíamos com um sorriso ou troca de olhares, quando com uma única música transformávamos a cozinha em um salão de dança, enquanto eu rodopiava pelo corredor até chegar no quarto e cair em sua cama e você me entrelaçava nos seus braços, quando trocávamos abraços e beijos.

Era incrível como tudo encaixava igual pecinhas de um quebra-cabeça, uma sintonia que até hoje não sei de onde surgiu.

Foi recíproco até a música acabar e a luzes se acenderem. Foi recíproco até o momento que a indiferença tomou conta de tudo, repentinamente, sem mais nem menos e ao invés de trocar carinhos, passamos a trocar só o necessário, talvez algo como um “oi, tudo bem?”, só para manter as aparências.


A indiferença seria talvez um dos sentimentos mais frios que podem surgir dentro de alguém e algumas vezes, infelizmente, acaba sendo inevitável. É quando tudo cai na rotina, é quando não importa mais, é quando não se faz mais questão, é quando os esforços se tornam desnecessários. É quando os sentimentos são simplesmente apagados, como se fossem palavras. O ódio é pesado e chega a nos fazer mal, mas a indiferença é devastadora!

Não me arrisco a dizer e posso até mesmo afirmar que a indiferença seria o oposto do amor, e não o amor do ódio, como nos propõem o senso comum.

É o primeiro passo para mostrar que as coisas estão esfriando, é um recuo, um passo para trás, talvez uma medida de segurança para não se envolver tanto. É uma distância abstrata, com quilômetros infinitos e com um destino indefinido e inalcançável!

A indiferença nos corrói aos poucos, é quando silenciamos a relação e os sentimentos, é quando colocamos no modo “não perturbe” e ignoramos as notificações. Muitas vezes, chega de uma forma que nem percebemos e quando nos damos conta, já estamos lá, implorando por amor e carinho, mas se era recíproco não deveríamos estar implorando, certo?


Sinônimo de amor seria reciprocidade, mas não é só o amor que pode ser recíproco. Aliás qualquer sentimento pode ser recíproco, se tivermos uma outra parte que corresponda; mas com certeza é mais difícil nutrir uma reciprocidade, digamos que saudável, como o amor, afinal depende de esforços mútuos.

Mas se quisermos, até a indiferença pode ser recíproca e por mim seria, mas eu gosto de você, gosto o suficiente para não deixar que a indiferença tome conta dos meus sentimentos e crie as tais distâncias inestimáveis entre nós.

Fingir que não me importo é mais fácil e menos doloroso do que enfrentar a realidade.

Vai ser mais fácil até o ponto em que eu me der conta que saboto meus próprios sentimentos para tentar esquecê-lo, mas ao mesmo tempo percebo que falho cada vez que meu coração palpita mais forte e minhas bochechas coram só de ouvir seu nome.



Direitos autorais da imagem de capa licenciada para o site O Segredo: olga_sweet / 123RF Imagens


Existem pedaços de Deus em tudo que fazemos. Deus é plantio, não só a colheita

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