Reflexão

“Redes sociais não são laços sociais: rede é desconectável, mas os laços são eternos” — Zygmunt Bauman

capaRedes sociais nao sao lacos sociais rede e desconectavel mas os lacos sao eternos Zygmunt Bauman
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As relações atualmente estão superficiais por conta do avanço da internet.

O avanço das tecnologias proporcionou várias melhorias para a humanidade em vários âmbitos, como na medicina, nos estudos e na forma de se relacionar. Analisando todas as gerações, desde os primórdios até atualmente, podemos ter a certeza que a necessidade do ser humano é de se comunicar e viver em sociedade.

Os meios de comunicação contribuíram muito para o desenvolvimento da raça humana, ajudando no modo de se relacionar com pessoas que antes não teríamos a chance de conhecer, tudo isso graças à famosa ferramenta chamada internet.

O Brasil é o terceiro país que mais usa redes sociais. Segundo pesquisa do site Cupom Válido, diariamente mais de 150 milhões de brasileiros estão conectados, atualizando-se sobre notícias, conversando com contatos, conhecendo pessoas ou mesmo trabalhando de forma remota, benefício das novas relações de consumo.

Na década de 1960, o filósofo canadense Marshall Mcluhan criou o conceito de aldeia global. O autor dizia que o avanço das tecnologias de informação e comunicação facilitava as trocas culturais entre povos de diferentes regiões, ele acreditava que por conta do encurtamento das barreiras geográficas proporcionadas pela internet, o planeta seria semelhante a aldeias, onde todos seriam conectados e não iriam mais ser divididos por regiões, e sim por interesses e opiniões.

As redes sociais deixaram de ser apenas uma utilidade e agora consideramos como uma necessidade, afinal quem não é visto não é lembrado, quem não é adepto do mundo virtual é considerado como ultrapassado, fora de moda. A geração Z é composta por aqueles que nasceram na transição de um século para o outro, eles estão inseridos no meio digital de forma massiva e são os principais causadores dos laços interpessoais superficiais, rasos.

Zygmunt Bauman, um sociólogo polonês mundialmente conhecido, autor de várias obras, costumava estudar o consumismo e as relações líquidas que vivemos atualmente. O estudioso reflete sobre pessoas distantes umas das outras conversarem com mais frequência que moradores do mesmo teto, e reforça que a internet intensificou a relação em que “tudo passa”, em que ninguém está pronto ou sente vontade de construir uma relação sólida e duradoura; os sentimentos são superficiais e frios. Segundo sua crítica, podemos conhecer uma pessoa hoje, usá-la e depois descartá-la como um copo que não tem mais nenhuma serventia.

Em uma conferência organizada pelo canal Fronteiras do Pensamento, no Youtube, o professor discorre sobre a facilidade de fazer amigos, mas critica a tranquilidade em desfazer uma amizade. “Você necessita apenas apertar um botão para não querer mais trocar interações com uma pessoa, não é como se fosse frente a frente, em que precisa olhar no olho do seu amigo e dizer coisas que podem ser traumáticas para ambos”, reforça.

Infelizmente os jovens se preocupam com a quantidade de seguidores e amigos nas redes sociais e se esquecem do mundo real, onde nada é perfeito e você precisa de laços afetivos para ajudá-lo nos bons e nos maus momentos. Quando encontramos alguém que nos entenda, a conexão é eterna pois, apesar dos problemas no meio do caminho, vocês sempre se lembrarão um do outro. Amigo virou apenas uma palavra; o sentimento hoje não tem o mesmo significado dos tempos dos nossos avós.

Não podemos desmerecer os benefícios da era digital, como exemplo, dar voz aos menos favorecidos e o poder de nos transportar para qualquer lugar do mundo, mas devemos medir nossas atitudes, analisar como lidamos com a internet e saber aproveitar as conexões no mundo offline, afinal ainda existem pessoas atrás das telas; relacionamentos verdadeiros valem muito mais que um like.

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