Religiões e seus propósitos

Desde a era primata o homem busca conhecer a sua origem e as explicações para os mistérios da natureza.



Desde o dia em que o homem começou a se desenvolver, tornou-se usual a observação dos fenômenos naturais, para que houvesse a compreensão das fases da lua, dos ciclos das estações, das chuvas, dos elementos e também das próprias manifestações humanas como as emoções, os pensamentos, os sentimentos, o intelecto e o espírito.

Parte 1

Parte 2


Numa era longínqua onde a compreensão acerca da vida era parca e carente de recursos que levassem a boas soluções, começaram a surgir as primeiras experiências e rituais.

O elemento principal e comum a todas as culturas sempre foi a fé e o sentimento de esperança que os povos depositavam nessa ritualística. Longe de compreender que era a energia da fé e da esperança que solucionava as questões das tribos e povos – e não os rituais e elementos – o homem passou a cultuar esses rituais e a aceitá-los como verdade absoluta.

Vamos simular uma situação do passado que nos leve a uma reflexão crítica sobre a questão do propósito das religiões.

Imaginemos uma região separada por alguma fronteira natural, como uma cadeia de montanhas. Uma tribo mora no topo das montanhas onde há muito gelo e a outra tribo vive na região desértica, no vale. Para quem vive no topo das montanhas e é castigado pela neve e pelo frio exacerbado, o sol é seu deus. Para quem vive na região desértica e sofre com o excesso de sol, quando a lua surge no céu há um alívio, pois a noite se aproxima e o sofrimento é menor. Para esse povo, a lua é sua deusa. E assim os elementos de idolatria foram surgindo e as guerras e discussões em torno disso também, para se chegar a conclusão de quem era o “melhor deus”.


Na pré-história, Deus era simplesmente uma questão de ponto de vista, de acordo com os desafios que os povos enfrentavam naquela época. Como a natureza se mostra para nós em ciclos perfeitos, o homem pré-histórico ao praticar um ritual que dava certo, ou seja, manifestava o objetivo de curar, ou de trazer chuva por exemplo, começava a repetir este ritual, criando uma tradição que, adotando um conjunto de práticas, torna-se uma religião.

As primeiras religiões que surgiram são chamadas de panteístas, pois direcionavam seu foco de atuação à adoração dos elementos naturais. Na civilização egípcia temos provas históricas da adoração do Deus Rá (Sol) e de tantos outros deuses ligados aos elementos da natureza.

Do politeísmo ao monoteísmo as religiões foram crescendo pela Terra, se disseminando e gerando discórdia quanto aos seus ensinamentos, isso tudo porque as estruturas religiosas foram criadas pelo homem, não pelos Grandes Mestres, que já pisaram neste planeta trazendo suas mensagens de amor. A aplicação de rituais religiosos está vinculada a elementos sociais, climáticos, costumes locais e qualquer religião precisa evoluir à medida em que a alma humana evolui e adquire novos conhecimentos.

Buddha não fundou uma Ordem Budista, Jesus não fundou uma Ordem Cristã e muito menos Maomé fundou uma Ordem Islâmica, mas seus discípulos, observando tanta iluminação em um ser, e sentindo a dor da perda, como forma de homenageá-lo, fundam as religiões que possuem uma intenção pura de seguir os passos do Mestre. E até a segunda ou terceira geração de seguidores, tudo costuma andar bem, mas o ego humano contaminado e questionador acaba por causar rupturas dentro das ordens religiosas.

E assim, após os cismas, vão surgindo novas religiões, que também possuem o papel de ditar regras filosóficas, morais, de comportamento, de conduta e a ética que o seguidor deve obedecer.

Mas o ser humano não é dotado de consciência e discernimento para saber o que é certo e errado? Isto não é natural em cada um de nós? Ao menos deveria ser!!!

E os questionamentos surgem pois a verdade não é estática, ela se movimenta o tempo todo. O grande filósofo Georg Hegel (1770-1831) afirmava que “A realidade é um processo histórico”, pois aquilo que interpretamos como real, muda de acordo com os fatos históricos e com as novas descobertas científicas e com a própria evolução do pensamento humano.

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Nesse momento de refletir sobre a movimentação da verdade, lembro de uma história que meu pai sempre me contava… Ele dizia que nos anos de 1950 foi até um armazém bem no interior do Rio Grande do Sul, fazer compras para a minha avó. Nesse armazém estava um rapaz que havia viajado para longe e dizia ter visto uma caixa parecida com um rádio onde a voz saía normalmente em uma narração de corrida de cavalos e que ao mesmo tempo os cavalos apareciam correndo dentro da caixa! Meu pai disse que o rapaz quase foi surrado pelos frequentadores do local, pois julgaram que ele estava mentindo, como se fosse heresia falar que tinha assistido na tal caixa (TV), os cavalos que apareciam correndo. Para aquela época, uma realidade impossível, mas nos dias atuais um aparelho de TV é algo corriqueiro, totalmente comum e faz parte da nossa realidade.

Se nossa civilização tivesse um código de ética simples, e seguido por todos, as religiões seriam dispensáveis, pois cada um de nós seguiria a religião da orientação interior, do coração, da justiça e do bem, claro, se tivéssemos o esclarecimento interior necessário, a honra e o equilíbrio suficiente para cumprir espiritualmente esse código.

Mas então porque as religiões são necessárias? Qual é o propósito das religiões no mundo?

Bem, primeiramente precisamos observar que nem todas as pessoas que estão aqui na Terra encontram-se em um mesmo patamar evolutivo. Todos nós de forma geral, estamos aqui vivendo uma experiência material para curar nossas emoções inferiores e evoluirmos enquanto espécie pensante, mas entre nós existem diferenças gritantes. Enquanto alguns estão atingindo um grau de santidade, outros estão dormindo profundamente no sono da ignorância e ainda cometem atrocidades terríveis contra seus semelhantes.

E estamos todos aqui, juntos… Alguns precisando de liberdade, de apenas seguir seu coração, pois reconhecem Deus em todas as formas de vida e outros precisando literalmente, de uma religião com um líder que lhes imponha um freio moral, pois sozinhos não possuem condições de discernir eticamente o certo do errado.

Portanto, mesmo que você já tenha discernimento, seja um amante da liberdade e prefira não ter uma religião, é seu dever respeitar o direito alheio de seguir um caminho religioso, pois nem todos estão prontos para seguir um caminho espiritualmente livre e sem intermediários. Assim como você tem a opção de não seguir nenhuma religião, as outras pessoas possuem igualmente o direito de optar por um caminho religioso.

Como dizia Simone de Beauvoir: “Quem deseja a liberdade para si, a deseja também para os outros.”

Portanto, precisamos compreender que a religião possui uma função social de levar esperança e alento às grandes massas que sofrem diariamente as maiores atrocidades e sofrimentos. Se estas massas não frequentassem uma religião, provavelmente, diante do desespero não teriam fé e seu padrão moral seria abalado, levando-os a assaltar, matar, roubar e cometer todo tipo de crime; e provavelmente grande parte dessa população religiosa se converteria em população carcerária.

No Plano Espiritual, os seres iluminados vêem as religiões como necessárias para o momento espiritual que a humanidade atravessa e cada uma delas tem uma função bem específica aqui na Terra, que são:

Católica – tem a função de nos trazer as iniciações dos sacramentos, como batismo, crisma, eucaristia, casamento, etc…) que possuem a função de ancorar o Cristo, o Espírito Santo em nossas vidas.

Evangélica – tem o propósito de disseminar a palavra do Cristo, a doutrina cristã e mensagem do Evangelho.

Hindu – tem o propósito de nos trazer reforma íntima e libertação do ego.

Budismo – sua função é trazer o conforto das energias espirituais mais puras que existem através da meditação.

Islamismo – sua função é trazer respeito e total submissão aos planos de Deus.

Espiritismo – seu propósito é nos mostrar a ligação da vida espiritual com a vida material.

Umbanda – tem a função de proteger o espírito encarnado. Os espíritos ligados a umbanda agem em nossa proteção física, mental, espiritual, como guardiões.

No Plano Superior não há separação e todos os espíritos se ajudam, cada um na sua função, ou seja, você pode rezar pedindo proteção a Saint Germain ou Jesus, quem virá lhe proteger será um espírito da Umbanda. Se você rezar para Buddha pedindo para se libertar do ego, provavelmente um espírito hindu virá lhe auxiliar, independente de você seguir o Judaísmo, o Islamismo ou o Cristianismo.

No Plano Espiritual não existem preconceitos, isso é uma coisa aqui da Terra, que nós seres humanos sentimos, pois julgamos as escolhas dos nossos semelhantes, muitas vezes sem prestar atenção nas nossas próprias decisões.

Se você sente vontade de frequentar uma religião, vá até lá, experimente, converse com frequentadores, e principalmente, sinta com seu coração se esse é o melhor caminho para você.

Se puder, prefira ler sobre as religiões, estude cada uma delas, extraia as lindas mensagens que cada uma traz e aplique-as em sua vida.

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Se estudarmos a fundo as doutrinas religiosas presentes aqui na Terra, perceberemos que elas falam da mesma lei universal e diretriz que rege todas as coisas, alterando-se apenas nos rituais e tradições que foram criadas pelos homens. Veja abaixo trechos extraídos das escrituras das principais religiões do mundo:

CRISTIANISMO

“Tudo quanto queres que os outros façam para ti faze-o também para eles…”

CONFUCIONISMO

“Não faças aos outros aquilo que não queres que eles te façam.”

BUDISMO

“De cinco maneiras um verdadeiro líder deve tratar seus amigos e dependentes: com generosidade, cortesia, benevolência, dando o que deles espera receber e sendo tão fiel quanto a sua própria palavra.”

HINDUÍSMO

“Não faças aos outros aquilo que, se a ti fosse feito, causarte-ía dor.”

ISLAMISMO

“Ninguém pode ser um crente até que ame seu irmão como a si mesmo.”

SIKHISMO

“Julga aos outros como a ti mesmo julgas. Então participarás do Céu.”

JAINISMO

“Na felicidade e na infelicidade, na alegria e na dor, precisamos olhar todas as criaturas assim como olhamos a nós mesmos.”

ZOROASTRISMO

“A Natureza só é amiga quando não fazemos aos outros nada que não seja bom para nós mesmos.”

TAOÍSMO

“Considera o lucro do teu vizinho como teu próprio e o seu prejuízo como se também fosse teu.”

JUDAÍSMO

“Não faças ao teu semelhante aquilo que para ti mesmo é doloroso.”

Lembre-se sempre, o amor e a fé estão dentro de você e independem de religiões, pois são os elementos essenciais, como uma cola universal que reuniram as partículas de tudo o que existe.

A verdade essencial mora dentro de você, onde residem todos os elementos universais, inclusive uma mente poderosa e iluminada, que conectada à mente de Deus, pode construir um elevado grau de iluminação e ascensão que independe de religião. Mas se você optar por um caminho religioso, esteja com seu coração imbuído de fé e amor e faça ao seu próximo somente aquilo que você gostaria que lhe fizessem.

Muita Luz!

Fonte: Escrito por Patrícia Cândido via Mestres Espirituais

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