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Renove seu fôlego de vida!

Começarei esse texto com a seguinte pergunta bem conhecida: “ Você vive para trabalhar ou trabalha para viver?”

Esta pergunta a mim instiga, há um bom tempo e, com isso, fez-me refletir sobre minhas escolhas e prioridades. Eu trabalho desde os 17 anos e desde então, para mim, a independência financeira sempre foi fundamental, ou seja, sempre fui em busca do que quis e nunca suportei ficar parada.


Na minha concepção, trabalhar bastante, sem parar, era garantia de uma vida confortável, boa e em paz, pois eu teria recursos suficientes para bancar minhas contas e ajudar em casa.

O engano se dá “no trabalhar bastante(quantidade) ao invés de trabalhar bastante (com qualidade e prazer)”.

Eu vivi, por muito tempo sem ter o discernimento de que devemos viver e não apenas existir e é isso que assola a sociedade, pelo menos nesses dias atuais em que a aparência tornou-se status primordial – e quando digo aparência digo o padrão estético e cruel que se tornou regra covarde para ser aceito.

Hoje, sou formada e professora que no ano passado, à beira de um piripaque por estar se desgastando de segunda a sexta dando aulas, e ficando mais doente ainda, só de ver tantos colegas de profissão ficando também doentes e depressivos. Foi então que resolvi agir e disse em alto e bom som para mim mesma:”CHEGA!” “EU PRECISO VIVER!”


E por essa decisão, comecei a determinar outros caminhos que precisamos; o renovar de nosso respirar, o renovar de nosso fôlego. Como sempre fui amante da natureza, eu reaprendi a enxergá-la e a senti-la. Comecei a prestar mais a atenção em mim, também em meu sistema respiratório e a sentir o movimento do ar nas narinas e pulmões.

Voltei a ouvir músicas que sempre mexeram com meus brios e que estavam esquecidas em casa, em algum canto, voltei a escrever poesias e voltei ao teatro; poesias e teatro são paixões de sempre, mas por conta de minha ambição turva, engavetei poesias e deixei o teatro guardado sob poeiras de meus sonhos. Esclarecendo, caro leitor, que não estou querendo dizer que não se deve  trabalhar. Sim! Devemos trabalhar, mas com prazer.

Quando há fardo, isso já é o  início de que apenas estamos existindo. Não estou querendo dizer que ambições são negativas, claro que não! Ambição quando bem centralizada, impulsiona para o melhor e não lhe permite desistir daquele sonho bom.


Não espere ter um ataque cardíaco, uma perda na família para decidir começar viver. Aliás ,já estamos vivendo desde o ventre, quando Deus nos abençoou com o dom da vida e, cabe a nós saber viver e não apenas ser um número de R.G. ou inscrição de conta de banco. Números não podem nos definir e sim essência e a nossa vontade pueril de viver.

As pessoas que sabem viver têm, o tempo todo, seu brilho natural e intenso, e demonstram não só resiliência, mas também amor, solidariedade, em tudo são  simples porque valorizam coisas mais relevantes na vida e não esquecem nunca daqueles que amam. As que apenas querem existir acham que reclamar é desabafar e que isso soluciona suas questões. Não têm forças para encarar problemas, não sabem lidar com maturidade e se comportam, o tempo todo, como vítimas do mundo, fazendo assim a sua zona de conforto. É melhor ser “a vítima” do que arcar com as consequências e não querem saber sobre como renovar o fôlego de vida.

Eu digo, com absoluta certeza, que não sabem o que estão perdendo e quanto é bom agraciar o nascer e o pôr-do-sol, dançar até cansar, brincar com seus cachorros e se sentir grato à Deus por estar respirando. Reveja sua maneira de olhar ao seu redor e para si mesmo.

Contudo, volto a perguntar, para que todos nós sempre reflitamos: “Você vive para trabalhar ou trabalha para viver?” Ou para ser mais objetivo: “ Você vive ou apenas existe?”

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Direitos autorais da imagem de capa: sifotography / 123RF Imagens





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