Comportamento

Representatividade! Menina de 7 anos pede a aplicativo educacional que inclua avatar com cabelos crespos

Sentindo-se triste pela falta de representatividade, ela decidiu escrever um e-mail com vários desenhos de cabelos afros que poderiam existir no aplicativo. Sua atitude surpreendeu.



Se antes a palavra “representatividade” era pouco usada em conversas, hoje em dia ela já sai da boca de crianças das mais tenras idades. Falar sobre raça se tornou mais comum, principalmente depois que o mundo inteiro consegue se conectar através da internet, fazendo com que pessoas de diferentes origens falem mais sobre os problemas que enfrentam.

Essa conectividade trouxe à tona inúmeros comportamentos considerados preconceituosos, coisas que podemos até enxergar com certa simplicidade, como a falta de modelos negras em uma passarela, o bullying contra pessoas gordas, entre outros, que impactam diretamente na qualidade de vida de crianças e adolescentes.

Com apenas 7 anos, Morgan Bugg, do Tennessee, nos Estados Unidos, sentiu muita tristeza ao perceber que não existia nem um avatar de cabelos crespos no aplicativo educacional que usa. A menina, que adora usar o cabelo o mais naturalmente possível, percebeu que o afro não fazia parte do conjunto de imagens que a plataforma disponibilizava.


O aplicativo educacional Freckle, que faz parte do currículo on-line da primeira série, pontua seus membros conforme eles usam a plataforma. A cada atividade concluída, o aluno ganha pontos que liberam alguns recursos, no caso de Morgan, seria a possibilidade de modelar um avatar de acordo com a própria aparência.

Direitos autorais: reprodução/arquivo pessoal.

Assim que atingiu seu objetivo, a menina ficou extremamente desapontada, quando percebeu que não existiam cabelos de pessoas negras disponíveis na loja virtual.

Segundo reportagem do The Washington Post, a professora Kelley Anne Joyner, percebendo que a aluna estava chateada, perguntou o que poderiam fazer para melhorar aquela situação.


A aluna do Edmondson Elementary School, em lágrimas, propôs fazer um pedido à Freckle para adicionar mais opções de penteados. A professora imediatamente concordou, e Morgan decidiu que, no e-mail que enviariam, ela anexaria alguns desenhos que fez mostrando outros estilos de cabelo, caso os membros da plataforma não soubessem como é o cabelo de uma menina negra.

Em uma folha verde, a menina desenhou estilos de cabelos que ela e suas irmãs costumam usar: tranças, cachos e, obviamente, um afro. A professora encaminhou o e-mail dizendo tudo o que havia acontecido e, no início, recebeu apenas uma resposta automática. A aluna ainda estava muito chateada, e perguntava com bastante frequência se eles já haviam respondido.

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Cerca de duas semanas depois, Kelley recebeu um e-mail. A mensagem dizia que eles tinham notícias fantásticas para ela e sua turma, e a equipe de produtos da empresa havia adicionado recentemente mais estilos de cabelos à loja virtual, com base diretamente nos comentários da aluna.


Morgan recebeu um e-mail especial, escrito por Ryan Blackwell, diretor da Renaissance, empresa que criou a Freckle, plataforma usada por mais de 900 mil professores nos Estados Unidos, segundo balanço recente da própria marca.

O diretor dizia que era a bravura e liderança da menina que alimentava a organização para impulsionar sua missão. Ele ainda escreveu que tinha a honra de amplificar sua voz, fazendo com que muitas outras meninas se identificassem com o conteúdo que ofereciam.

A observação de Morgan não fez com que a empresa se limitasse aos cabelos afro, a equipe decidiu expandir ainda mais as opções adicionando perucas, cadeiras de rodas, coberturas para a cabeça (para pessoas que não mostram os cabelos), além de várias tonalidades de pele.

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A turma estava em aula quando todos receberam a notificação de que o aplicativo havia sido atualizado, e a professora imediatamente disse para Morgan parar o que estava fazendo e abrir a plataforma. Quando viu, a menina se levantou, gritou e imediatamente começou a dançar de alegria, enquanto Kelley a acompanhava por chamada de vídeo.

A menina conta que se sentiu extremamente feliz quando viu que finalmente havia cabelos de crianças negras, além de muito orgulhosa, já que isso partiu de uma iniciativa sua. Durante a aula on-line, as duas compartilharam a novidade com mais 17 alunos, e todos comemoraram juntos aquela admirável conquista. A professora explica que Morgan mostrou a todos o que é possível, que crianças também são capazes de conseguir mudanças.

O diretor da escola, Tret Satterfield, ressalta que a atitude mostra a importância da representatividade, diversidade e inclusão. As crianças possuem diferentes origens, e é de suma importância celebrar essas diferenças.

Ele ainda revela que se emocionou com a atitude da professora que, ao invés de tentar resolver a situação sozinha, preferiu incluir a menina naquele problema, acompanhando todo o processo ao seu lado.


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Maya Bugg, mãe de Morgan, afirma que sua filha sempre vai se lembrar que teve a voz respeitada por sua professora. Ela se diz muito orgulhosa da atitude da menina, além de sentir muita gratidão pelo comportamento de Kelley.

As meninas negras que acessarem a plataforma agora poderão se sentir fortalecidas. Maya explica que todos precisam se enxergar para se afirmar, para se sentir vistos e valorizados, e que essas coisas são muito importantes para as crianças. Morgan, que aprendeu muito com essa jornada, disse que agora sabe que não precisa ser adulta para fazer as coisas acontecerem.

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