RESILIÊNCIA: SERENIDADE EM MEIO AO CAOS…

Resiliência: condição indispensável para se blindar do “mundo exterior” a fim de lhe trazer serenidade em meio ao “caos” da vida moderna

Resiliência. Palavra da moda e tão comentada no mundo dos negócios, RH, livros de autoajuda e rodas de conversas. Mas, não é só a palavra da moda. Parte da sociedade moderna, em nome da evolução tecnológica e conectividade, precisou recorrer a estudos milenares para conseguir se identificar e se posicionar no meio desta revolução digital de forma a ter, de fato, plenitude com qualidade de vida. A resiliência traz o foco para o ser humano e sua interação com o meio de forma serena, permitindo que mesmo em sob pressão se consiga controlar o estresse e não entrar em um estado de ansiedade ou depressão.

Em um mundo conectado onde as pessoas estão sendo “bombardeadas” por informações de todos os cantos, onde estamos praticamente 24 horas por dia conectados nas redes sociais, falando com amigos, clientes e nos comunicando com pessoas do mundo inteiro, é natural e aceitável entender que o stress seja comum, mas não podemos achar que isso seja normal. Esse excesso de estímulos pode levar a um distúrbio conhecido como SPA (Síndrome do pensamento acelerado), assim como TAG (Transtorno de Ansiedade Generalizada) ou mesmo depressão.


SPA, TAG e depressão

O SPA não é considerado pelos especialistas como necessariamente uma doença, mas sim um sintoma vinculado a uma ansiedade excessiva, pode ser desencadeada inclusive pelo TAG. A base da síndrome é a necessidade de se manter conectado e há inclusive casos de abstinência por estar longe do smartphone. Com esse mundo frenético de informações e estímulos é natural que o cérebro não consiga “relaxar”, e ficar de forma intensa e acelerada pensando em tudo ao mesmo tempo, não conseguindo manter o foco em nada e tentando realizar tudo simultaneamente.

A ideia de que nosso cérebro é multitarefa não passa de um mito (apenas 2,5% da população pode ter essa capacidade conforme estudo da Universidade de Utah nos USA). A neurociência já provou que não somos capazes de manter o foco em duas tarefas simultâneas, se ambas exigirem atenção. Andar e falar ao celular não é necessariamente ser multitarefa, já que são habilidades que não exigem foco nas duas atividades, porém tentar escrever um artigo e ao mesmo tempo responder um e-mail, fatalmente, vai comprometer o foco de atenção e nenhuma das duas tarefas serão executadas plenamente.

A verdade é que tentando acumular e executar tudo ao mesmo tempo em nome da performance, o resultado será o estresse, TAG, SPA, depressão e todas as derivantes desse mundo frenético por informação e alto desempenho. Certamente o resultado não será o melhor e nem mesmo vai ter espaço para criatividade, já que está provado que a criatividade não é alcançada em ambientes ou pessoas estressadas. Dr. Rick Hanson, PhD, neuropsicólogo com sede na Califórnia e autor de”O Cérebro de Buda – Neurociência Prática Para a Felicidade” cita que a neurociência está nos mostrando que as consequências cumulativas de estresse podem ser um problema direto no lado da inovação e criatividade.

A depressão ou transtornos ligados ao estresse é a segunda causa no mundo de afastamento do trabalho – a OMS (Organização Mundial da Saúde) indica que na próxima década essas doenças serão a causa número um de afastamento do trabalho. O prejuízo para o sistema de auxílio público vai ser na casa de bilhões de dólares, assim como prejuízo para as empresas.

As empresas, atentas a esses números e preocupadas com a saúde dos colaboradores, têm adotado práticas de meditação (vide Google Inc., Microsoft e outras), ferramentas para não permitirem que os funcionários trabalhem depois do expediente e têm cobrado cada vez mais habilidades como resiliência e inteligência emocional como pré-requisito para fazer parte do quadro de funcionários. Inclusive, um engenheiro do Google, o chinês Chade-Meng Tan (que recentemente deixou o Google para projetos pessoais), escreveu um livro sobre a adoção de meditação dentro da multinacional e no ambiente de trabalho. Foi ele mesmo o responsável por levar essa prática para dentro da gigante de tecnologia. A propósito, recomendo o livro, que é excelente por sinal, lançado no Brasil com o título de: “Busque Dentro de Você” e comece as práticas e exercícios de meditação.

A resiliência é uma habilidade. Se não for pré-requisito, é, no mínimo, necessária para conseguir conciliar a enorme agenda e exigências da vida moderna. Ser forte (do ponto vista emocional) ou ser resiliente emocionalmente é ter a capacidade de blindar-se do chamado “mundo exterior” a fim de ter serenidade em meio ao “caos” da vida moderna. Resiliência significa voltar ao estado normal, e é um termo oriundo do latim resiliens. Resiliência possui diversos significados para a área da psicologia, administração, ecologia e física. É a capacidade de se recompor, principalmente após alguma situação crítica e fora do comum.

Essa capacidade de se voltar ao “estado natural” é superar as adversidades, exigências da vida moderna de forma a não deixar que o “lixo” social e excesso de exigências e informações afetem o seu estado emocional e desempenho.

Ter resiliência é uma condição indispensável para se conseguir melhor desempenho a todos os desafios impostos pela vida, não somente no mundo profissional, mas todos os campos da vida, e não é um modismo atual, mas sim o resgate de uma prática comum já conhecida no oriente há milênios.


Como alcançar a resiliência

A boa notícia é que resiliência se aprende e não é uma “dádiva” herdada no traço genético, apesar de estudos mostrarem que, do ponto de vista da biologia, cada ser humano é dotado de um potencial genético que o faz ser mais resistente que outros; algumas pessoas são naturalmente mais predispostas à resiliência que outras pessoas.

Mas, independentemente do seu DNA, a resiliência pode ser aprendida e praticada de forma que os indivíduos consigam “surfar” na sociedade e seus desafios de forma serena e sem absorver todo o estresse imposto pela a frenesia moderna.

A base da resiliência está em desenvolver da consciência no momento presente; e estar presente significa não viver do passado ou criando expectativas de satisfação e realização no futuro, mas sim se posicionar no agora, nesse instante.

Esse sentido de presença ou tomar consciência é uma prática milenar e muito difundida pelo Budismo e meditação. Estar presente é nada mais que não deixar se guiar pela identificação da mente com relação às expectativas do futuro ou frustrações do passado. Tampouco se identificar com o Ego, que é uma fantasia criado pela mente. Essa prática de presença é permanente e precisa partir de um desejo genuíno em não ficar indo de encontro com a ideia que só será feliz quando ficar rico ou quando comprar uma casa.

Estar presente significa então não fazer planos para o futuro? Nada disso. Uma coisa não tem a ver com a outra! Fazer planos e construir projetos são necessários, assim como um meio para se alcançar eles – o que não significa que o fim seja a felicidade em si, pois a realização de cada etapa e o caminho que é a realização plena e não o fim do projeto. Ninguém pode viver em serenidade esperando um futuro que não existe. A humanidade nunca vai alcançar a paz se todas as expectativas forem guiadas para o futuro somente, sendo que só temos o eterno presente, o “agora”.

Um grande causador de ansiedade é quando tentamos controlar todas as situações de nossa vida. Isto é como querer controlar o clima; é simplesmente impossível! E este é um ponto da resiliência, que é a aceitação de que não temos o controle de todas as variantes da vida.  Aceitar isso lhe traz para a realidade e serenidade de que não somos responsáveis por tudo e por todos, mas precisamos aceitar as coisas como elas são, o que não significa aceitar a sua realidade como ela é, mas apenas tomar a consciência de que o controle das situações da vida é limitado.

Você pode decidir concluir uma faculdade e escolher sua carreira profissional e criar os meios para alcançar isso, mas você não pode controlar os imprevistos que vão surgir no meio do processo. Você não pode escolher ou controlar quando um parente ou amigo se acidenta, são eventos que não estão sob o controle de ninguém. Se você não tem controle de tudo e todos porque sofrer com isso?

Aprender que a vida não é uma linha sempre reta e nem uma curva interminável, coisas negativas e positivas vão acontecer a todo momento e durante toda a vida, a forma de aceitar e extrair o melhor de cada etapa é que vai lhe conduzir à maturidade e sabedoria. Assim como a felicidade não está em nenhuma esquina do mundo ou tem uma fórmula pronta, simplesmente você precisa decidir estar consciente e que a felicidade é um estado de espírito e não algo externo a você.

Portanto, sonhe, planeje, realize e faça acontecer! Cada etapa e cada dia é único e faz dele como se fosse o último, porque você nunca mais vai ter outro momento como o presente; este momento é único. Não existe passado ou futuro, somente o eterno presente. Viva neste momento presente.

Se entender isso, você terá alcançado a resiliência plenamente.

Clerio Almeida



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