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“Retire a sua felicidade do palco, ela não sobrevive lá!”

Muito pior que a exibição física, um dos grandes problemas do narcisismo é a ausência de empatia. Portanto, narcisismo vai muito além das aparências.


O escritor e psicólogo Rosandro Klinjey disse em uma de suas palestras que o motivo do Instagram ter inibido a contagem de curtidas é porque vários estudos mostraram a relação da quantidade de curtidas com transtornos psicológicos. E que em dez anos para cá, com o advento do Instagram comparando nossos bastidores com o palco editado das pessoas, nós tivemos um aumento de 43% do narcisismo no planeta e uma diminuição de 43% da empatia, que é a capacidade de se colocar no lugar de outro e imaginar como o outro se sente com relação ao que estamos fazendo.

Muito pior que a exibição física, um dos grandes problemas do narcisismo é a ausência de empatia. Portanto, narcisismo vai muito além das aparências.

Costumamos ouvir que “Narciso acha feio o que não é espelho”, e não nos damos conta que ele também acha feio e repudia tudo o que é diferente do seu modo de pensar e agir.

Além das próprias fotos, passamos a postar também constantemente opiniões próprias, quase como uma imposição. E se alguém contraria nossa forma de pensar, os traços de narcisismo podem nos dominar, agredindo qualquer opinião divergente.


Uma pessoa em estado normal, por exemplo, não agride os outros com a sua sinceridade, pois faz uso dela com respeito e educação. Ao contrário dos narcisistas, que não se importam em agredir os outros em nome da sua grande “sinceridade”, exibição e ausência de empatia.

Todos nós temos traços de narcisismo, porém eles ficam latentes quando estamos bem conosco, levando uma vida satisfatória e sem competições, praticando um hobby e atividade física constantemente, trabalhando com foco, convivendo com pessoas boas, correndo atrás dos nossos objetivos e torcendo para a realização dos objetivos dos outros. Já quando convivemos ou simplesmente acreditamos em um narcisista patológico, nosso egoísmo, ou traços de narcisismo, podem ficar bastante aflorados, ao ponto até de esquecermos da nossa essência e dos nossos valores.


Portanto, Rosandro Klinjey informou que esse aumento do narcisismo, que ocorreu (e que continua ocorrendo) de uns anos para cá, está relacionado a um problema de saúde pública.

E que, por trás das postagens diárias e constantes das próprias fotos, pode existir um sentimento que o outro veja uma felicidade que nós não sentimos, porque o mais importante nas redes não é ser, e sim parecer ser.

A nossa felicidade e o nosso bem-estar não deveriam depender da quantidade de curtidas que nossas fotos possuem e muito menos da quantidade de pessoas que concordam, ou não, com nossas opiniões. Ela deveria depender do nível de satisfação com nós mesmos e com a nossa própria vida.

Por isso, o psicólogo nos faz esse convite para retirarmos nossa felicidade do “palco”. Ela não sobrevive nas redes sociais, muito pelo contrário. Nesse cenário, constantemente ela é substituída por tristeza e até depressão.

Claro que não há problema algum em postar fotos, assim como opiniões próprias. O problema é entrar na vibração competitiva de egos que nos abala psicologicamente e emocionalmente, quando damos muita atenção às opiniões alheias. Nosso bem-estar não deveria depender dessas pequenas coisas.

A felicidade é importante demais para ser apenas representada e dependente de plateia. Ela precisa ser vivida, sentida e realizada! Principalmente com aqueles que realmente torcem por nós e no silêncio da nossa alma consciente e em paz. 

Direitos autorais da imagem de capa: Alexey Elfimov/Unsplash.





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