Revisitar o passado é reconstruí-lo como um ato de amor e o maior ato de amor é perdoar a si mesmo

Revisitar o passado é vê-lo, feito um pastor que se prostra ao chão e agradece por todas as lutas. Por toda sua história, sem tirar e nem por.  Aceita as perdas e os ganhos, reconstrói e se perdoa. Porque o maior ato de amor é perdoar a si mesmo.

Podemos acionar o botão da tragédia e nos lembrarmos dos momentos de dores imensas e vivermos, sempre, à beira de um apocalipse, num poço de frustrações e de desânimo. Essa opção poderá nos levar ao caminho do pânico constante, às crises nervosas sufocantes e paralisantes, diante de um presente que parece, por hora, imóvel e assustador.

Dos choros intermináveis e das ressacas retumbantes de enxaqueca. Das culpas por situações, das quais, seria anacrônico agir de outra forma. Pois, naquele momento histórico, era o possível a se fazer. Dos arrependimentos pelas escolhas feitas e não feitas, ao cair sobre as costas um peso invisível. Como se fôssemos máquinas extremamente racionais e, assim, autoconscientes, capazes de prever as implicações futuras de nossas escolhas. Afinal, elas são decisões pertinentes para aquele momento e sempre, dotadas de consequências imprevisíveis, as quais, nós, nunca, conseguiremos determinar totalmente. Porque, bem no final das contas, não temos bola de cristal!

Ou então, das revoltas ou mágoas com o mundo e suas pessoas, suas injustiças e desigualdades. Nossas constantes insatisfações com o planeta terra e sua praga humana, tal qual, com a maneira em que se organizam e operam. Pois, diante do nosso desespero, parecem agir de forma cruel e esnobe, ao continuarem seus movimentos rotineiros e indiferentes às nossas transformações gritantes e urgentes.

Contudo, o mundo não para, para que possamos nos restabelecer. O seu fluxo de sobrevivência nos carrega rio abaixo. E, nunca, seremos imunes à essas injustiças e às tramas e contradições da nossa sociedade desigual. Precisamos seguir em frente, não importa o quão machucados estejamos e quantas pisadas nos levarem ao chão novamente. Esse desenrolar faz parte da luta pela vida e você deve isso à evolução da natureza. Porque viver e ser feliz, também, é sofrer e resistir.

Entretanto, podemos encarar o passado como um processo de sabedoria, por meio de suas experiências, boas ou ruins.  

Porque, se pararmos para pensar, o passado não volta mais, para que possamos mudá-lo e se voltasse, não teríamos como reprogramar uma linha de acontecimentos, sem contar com o elemento da contingência, do imprevisível…

Podemos encará-lo olho no olho, sem titubear, como um carreiro por montanhas afora, cheio de declives, encruzilhadas, curvas, escaladas e tantas mais características que podem compor a sua vida.  Todas elas, no seu conjunto e embate, formaram o ser humano incrível que você é!

Feito um pastor perseverante a desbravar lugares, nunca antes, desbravados. Sentir sensações e medos estranhos, cheios de inseguranças e perda dos sentidos. Passar por desafios de secar a boca e pelas incertezas, ao virar a curva. Sentir-se ansioso, perante o que pode ser encontrado, para além do que podemos ver.

Revisitar o passado é vê-lo, feito um pastor que se prostra ao chão e agradece por todas as lutas. Por toda sua história, sem tirar e nem por.  Aceita as perdas e os ganhos, reconstrói e se perdoa. Porque, o maior ato de amor é perdoar-se a si mesmo.

E, então, poder contemplar estas lutas, com sensação de dever cumprido e ao perceber, que elas permitiram que você seja a pessoa maravilhosa que é, e ainda pode se tornar, cada vez mais!


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