Romantismo exagerado faz bem?

Em uma época de Nicholas Sparks, novela das 21h e declarações nas redes sociais é fácil exagerar nas demonstrações de amor. Hoje, não temos mais poemas e cavalos brancos, mas apesar de o romantismo ter assumido outras formas, algumas tradições permanecem.

Este post não é contra as rosas e o café da manhã na cama, mas um lembrete para saber dosar o romantismo. Em excesso, esse comportamento pode gerar situações desconfortáveis, afastar as pessoas ou abalar relacionamentos. Quer saber como evitar que isso aconteça? Continue a leitura do artigo!

A origem do romantismo

O romantismo não é algo novo, exclusivo dos casais que amam postar fotos no instagram. Ele foi um movimento intelectual que aconteceu por volta de 1750. Filósofos, poetas, artistas e escritores surgiram com novas ideias e conceitos sobre o amor e os relacionamentos. E muitos dos rituais criados na época acontecem até hoje.

No romantismo, surge o chamado espírito romântico. A razão e a objetividade são deixadas de lado para que se possa concentrar na emoção, na subjetividade, nos dramas humanos e amores trágicos. Aí começa o sentimentalismo exagerado — que para um movimento artístico, político e filosófico do século XVIII é compreensível, mas, talvez, não para você e seu relacionamento no século XXI.


As tradições que permanecem

Duas das regras e crenças que surgiram no romantismo e muitos pregam até hoje são o casamento eterno e o sexo como a expressão máxima do amor.

Os românticos têm a ideia de que um casamento precisa ser eterno, ou seja, se não durar a vida inteira, é porque você não ama o outro de verdade. Isso, no entanto, é uma visão irreal e perigosa, a qual esquece que o ser humano passa por mudanças e que o amor é algo a ser cativado.

Um casamento que não deu certo não significa que não houve amor dentro da relação. Cada ser humano é um universo de complexidade e, em muitos casos, o casal deixa de ser compatível.

Criar expectativas de que algo será eterno pode ser uma fonte de frustrações e insistir em algo que definitivamente não dá mais certo é sinônimo de infelicidade.

Outro problema criado pelos românticos é o fato do amor estar diretamente ligado à química. Sim, os dois se complementam, mas um casal que não tem tanta química não se ama menos do que o outro que tem. Assim como também não é o fim do mundo sair com alguém apenas para um encontro casual.

A intimidade física é algo muito individualizado e nossa relação com ela muda também de acordo com as fases em nossa vida. É preciso entender que ela é uma das expressões do amor, não “a” máxima.


Os outros problemas do romantismo

Os românticos normalmente têm uma visão idealizada, ou seja, os defeitos e problemas são empurrados para debaixo do tapete até a hora que se tornam insustentáveis. O romântico acredita que tudo será perfeito e que o destino se encarregará de fazer as coisas darem certo, esquecendo-se de que um relacionamento é, sim, algo natural, mas também é construído.

Outro ponto ruim é o fato dos românticos resumirem as suas vidas à outra pessoa. Isso faz com que sejam melosos ao extremo e não deem espaço ao outro. Um relacionamento, porém, é apenas uma parte do quebra-cabeça da vida. É saudável ter uma vida sozinho, suas responsabilidades, gostos individuais e, o principal, amorpróprio.

Romantismo em excesso acaba sufocando a outra pessoa. Ele deixa de ser uma surpresa agradável ou uma forma de manter o relacionamento afetuoso para se tornar um sinal de ansiedade e até mesmo insegurança.


Saiba o limite

Muito além dos presentes materiais e ligações ou mensagens durante o dia, é importante desconstruir essa visão idealizada criada pelo romantismo em excesso. Um relacionamento terá brigas e a outra pessoa tem defeitos. A questão é saber como lidar com eles, ao invés de abafá-los.

Dar um presente toda semana, por exemplo, pode criar duas situações desconfortáveis. Ou a pessoa vai se sentir “comprada” ou vai se sentir mal por ganhar tantos presentes e não poder retribuir. Guarde as atitudes românticas para os momentos certos.


A teoria pós romantismo

Como hoje sabemos que as ideias que surgiram em 1750 não são tão exemplares assim, o que fazer?

É preciso olhar para o amor de uma forma mais madura. Entender que é normal que amor e a a química nem sempre andem juntos, que discutir assuntos que não parecem tão românticos, como, por exemplo, dinheiro, é necessário ou que seu parceiro terá falhas com as quais você precisa ser tolerante e paciente.

É preciso entender que você nunca achará tudo em uma única pessoa e que a intuição nem sempre substituirá a comunicação.

Os atos românticos, porém, não devem acabar. Ninguém está pregando pelo fim dos bombons e rosas vermelhas, mas é essencial saber dosar e não restringir a liberdade do outro.

Faça a comparação com um bolo de chocolate: comer uma fatia é uma delícia, mas o bolo inteiro é doce demais e nos causa enjoos.


Entenda o seu relacionamento

É claro que tudo varia de relacionamento para relacionamento. Algumas pessoas são mais reservadas, outras gostam de grandes declarações de amor. Certas pessoas se sentem sufocadas com muitas mensagens, outras gostam de conversar o dia inteiro. Há quem ame flores e presentes fofos, outros preferem praticidade.

Por isso, é muito importante saber conversar, entender o que a outra pessoa gosta e espera de você. Não fique na tentativa e erro, brincando de adivinhação. Entenda a dinâmica do seu relacionamento para saber quais são os seus limites.

É fato que você precisa se dedicar ao seu relacionamento. Mas ser dedicado até demais e esquecer as outras áreas da sua vida pode ser uma catástrofe.

Entenda que o romantismo em excesso é uma construção social que, em muitos casos, não é nada saudável. Gentilezas e afeto são sempre bem-vindos, mas idealizações e excessos, não.

Você peca pelo romantismo em excesso ou é do tipo que se sente sufocado? Se você gostou desse post, compartilhe essa mensagem e deixe sua opinião nos comentários!



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